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Rua Rega II: 48 horas de terror

Após agredir senhora, vizinho invade residência e é atingido no abdômen por arma de fogo

30 de setembro de 2010

 Na segunda-feira, dia 27/09, por volta das 15h40min, foi registrada a primeira ocorrência do caso que chocou Pomerode. De acordo com o Boletim de Ocorrências, a senhora Edelar Dalke, 73 anos, teve lesões corporais leves após uma discussão com o vizinho, 27.

Conforme o delegado, Luiz Carlos Gross, antes de acontecer a segunda ocorrência, a prisão não foi efetuada por não ter sido constatado o flagrante e também, pela senhora ter apresentado lesões leves, contudo, as investigações continuariam durante a semana, onde Edelar seria ouvida pela Polícia.

Segundo a idosa agredida, moradora da Rua Rega II, ?Eu estava fazendo meu serviço quando escutei o cachorro latir. Fui lá só depois da insistência dele, e quando cheguei, vi o rapaz gritando com o animal?. De acordo com a ?Oma?, ela, em primeiro momento, só observou a cena.

Na sequência, o rapaz então teria começado a agressão contra o cachorro de dona Edelar. ?Ele começou a brigar com ele, e tentava asfixiar o cachorro. Foi quando eu fui lá pedir para ele parar com isso. Eu dizia: ?Ele não faz mal para ninguém, solta ele?, mas ele não me obedecia?. Segundo a senhora Dalke, o rapaz pronunciava frases sem sentidos e muitas vezes obscenas.

Quando a situação começou a se agravar, a idosa tentou salvar o cachorro, que já guinchava de dor. ?Ele chorava alto, e foi ai que tentei salvar ele. Mas quando cheguei perto, o rapaz me deu um soco no olho e então, cai. Não sei como consegui levantar, e mesmo comigo no chão, ele continuou tentando matar o cachorro?, conta.

Foi então que a neta de dona Edelar chegou e conseguiu chamar ajuda. De acordo com as testemunhas, eram seis mulheres tentando salvar o cachorro e ainda socorrer a senhora machucada. ?Minha neta conseguiu me erguer e o resto da vizinhança chegou para defender a mim e ao cachorro. Ele estava tão transtornado que chamava o cachorro de mãe e perguntava por que ela o havia abandonado?, explica.

Após a briga o rapaz acabou sendo mordido pelo cão, e dona Edelar foi encaminhada ao Hospital com ferimentos no olho e no braço. ?Ficamos indignados com tamanha violência, ele não precisava ter feito isso, a ?Oma? é uma pessoa de bem, nunca fez mal para ninguém, muito menos o cachorro dela. Da pena de ver, ela está com um olho fechado tamanha gravidade dos ferimentos, até ponto levou?, contam os moradores.

No Boletim de Ocorrência registrado na Delegacia de Pomerode, o agressor relatou ter ido tratar o cachorro, e que o mesmo acabou o atacando. Mas contrariando a versão apresentada por ele, a senhora agredida explica que ele não foi lá para fazer isso e sim, invadiu o terreno dela com intuito de agredir o animal. ?Eu não preciso que ninguém trate meus cachorros, eu faço isso todo dia?, lembrou.

Os moradores já estavam preocupados e revoltados quando, no dia seguinte, terça-feira, 28/09, outra ocorrência envolvendo o mesmo individuo aconteceu. Na residência localizada em frente a sua, o infrator invadiu o portão e ameaçou os moradores, Sirio e Rúbia Jandre, que inclusive está grávida de quatro meses. O casal estava em casa quando de repente Sirio escutou barulhos na brita e foi até a janela conferir. Conforme seu depoimento, ele já pressentia que se tratava do vizinho, pois a comunidade toda estava em alerta depois do fato da tarde anterior.

?Ele entrou no meu pátio e começou a falar obscenidades, eu fechei a porta e ele ameaçou entrar pelo vidro. Ficou batendo e com um pedaço de ferro conseguiu quebrar todo o vidro da cozinha?, confirma Sirio.

Quando o morador não quis abrir sua casa, o infrator então ficou nu. ?Ele tirou todas as roupas no meu quintal, e gritava coisas sem sentido, dizia que a minha casa era dele, que minha esposa e minha futura filha deveriam ser dele. Falou ainda que ele era um tal de ?Dragão Branco?, e que todos pagaríamos pelo fato de não gostarmos dele?.

Como o rapaz não saia do pátio e ainda ameaçava o morador e sua esposa, Sirio não teve escolha e efetuou um disparo de espingarda para o alto, com o intuito de amedrontar o invasor. ?Primeiro atirei para cima, mas aí então que ele ficou mais nervoso e tentou entrar pela janela?. Nesse momento, Sirio efetuou o disparo contra o rapaz, que foi atingido no abdômen. Mesmo ferido, ele ainda conseguiu se levantar e continuou tentando entrar na residência. ?Ele seguiu atirando pedras e quebrou a janela da sala. As pedras ainda estão ali. Não pensei duas vezes, era ele ou minha família, foram cinco segundos de consciência que fez com que eu primasse por zelar a integridade de pessoas de bem?, relatou Sirio.

Ao ouvir o barulho de tiro e os gritos por socorro, os moradores vizinhos, que já estavam em alerta, correram para a residência do casal. ?Eu gritava pela rua por socorro, para alguém ajudar, alguém precisava fazer alguma coisa?, exclamou uma das moradoras que presenciou o fato.

Ao chegarem a casa, tiveram que arrombar o portão, que estava fechado e os mesmos não conseguiram pular. ?Ainda não sabemos como ele conseguiu invadir a casa, ele pulou um portão de mais de quase dois metros?, confirma Sirio. A casa é cercada com arame farpado e a cerca é relativamente alta. O único lugar onde não tem arame é a parte do portão, que os moradores imaginam ser o local por onde o rapaz entrou na residência.

Assim que entraram, conseguiram repreender o rapaz e socorrer Sirio e Rubia. Os moradores, entre eles os pais do casal, contam que quando chegaram ao local, mesmo ferido, o rapaz aparentava estar transtornado e continuava na tentativa alucinada de invadir a residência e agredir a comunidade.

Os moradores contam ainda, que na mesma noite, outra residência foi alvo do elemento, contudo, a família que reside na casa conseguiu trancar todas as portas e se dirigir a parte superior da casa, onde permaneceram em silêncio e com as luzes apagadas. ?Se não tivéssemos visto ele pela janela, provavelmente a tragédia teria sido maior ainda. Não entendemos como ele foi solto na primeira vez. Que justiça é essa que protege um bandido?, conta a moradora.

A Polícia Militar foi acionada pelos moradores e quando chegou ao local o agressor já se encontrava desacordado. Mais de 30 moradores acompanharam Sirio, Rubia e seus pais até a Delegacia da Polícia Civil, onde na mesma noite, por volta das 22h30min, as primeiras testemunhas já foram ouvidas.

No local, após atender Rubia e constatar que estava tudo bem com ela e com o bebê, o prefeito municipal Paulo Pizzolatti, foi conversar com os moradores, que na oportunidade questionaram os critérios para determinar quais famílias ocuparão as casas populares, já que o elemento era um beneficiado e que residia em uma dessas moradias, mesmo tendo apenas 27 anos, não trabalhar, ser solteiro e não ter tido sua casa anterior atingida pelas catástrofes de 2008.

O prefeito explicou que os critérios foram estipulados pela Secretaria de Cidadania e Desenvolvimento Social, e que na manhã seguinte (quarta-feira, 29/09), convocaria uma reunião com todos os secretários e funcionários envolvidos no processo de seleção para averiguar o que aconteceu. ?Até então não posso julgar este rapaz por ser de fora, novo e estar desempregado. Estamos nervosos, tudo foi muito recente. Dou a minha palavra que para lá, ele não voltará, caso sobreviva?.

Ânimos acalmados, os moradores retornaram a comunidade, contudo, um abaixo assinado está sendo realizado para que futuramente, a prefeitura avalie melhor os moradores que colocarão nas novas residências. ?A gente não se importa se a pessoa vem de outro lugar, só pedimos sejam pessoas de bem, que não atrapalhem aqui. Se eles forem pessoas boas, vamos receber eles com o maior carinho?, confirma um morador. Na quarta-feira, uma reunião entre moradores e prefeito também seria realizada, mas foi cancelada pela prefeitura.

Até o fechamento da edição do Jornal de Pomerode, na quarta-feira, o infrator continuava em estado grave em um hospital de Blumenau. Sirio, no seu Boletim de Ocorrências, comprovou certificado de porte de arma e relatou que atirou em legitima defesa. Na quarta-feira, o JP também tentou conversar com o delegado Gróss, mas o mesmo ficou durante todo o dia atendendo as testemunhas do caso.

?Mas quando cheguei perto, o rapaz me deu um soco no olho e então, cai. Não sei como consegui levantar, e mesmo comigo no chão, ele continuou tentando matar o cachorro?.

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