Rendimento de alunos que frequentam escolas bilíngues supera expectativas
Aprender em dois idiomas, em Pomerode, não é um privilégio de poucos.
No município de Pomerode tem-se como meta alfabetizar os alunos até o final do segundo ano. E com os alunos das turmas bilíngues não poderia ser diferente.
Periodicamente são realizadas avaliações da aprendizagem dos alunos, pelos técnicos da Secretaria de Educação e Formação Empreendedora (SED), com uma função diagnóstica. Esta avaliação tem como objetivo identificar o conhecimento de cada criança e monitorar o processo de alfabetização, intervindo no processo de ensino e aprendizagem para reorientar o ensino e garantir a aprendizagem dos alunos.
Nos meses de junho e novembro são realizadas avaliações da escrita com todas as turmas dos 1ºs e 2ºs anos de todas as escolas da Rede Municipal de Ensino. Já no mês de outubro é realizada a avaliação da escrita em língua alemã e da escrita em língua portuguesa, dos alunos das turmas bilíngues nas escolas Olavo Bilac e Dr. Amadeu da Luz.
A coordenadora do Ensino Fundamental dos anos Fundamentais, Ana Cristina Kamchen Buettgen, informa que neste ano, após as avaliações, foi constatado um rendimento por parte dos alunos acima de 90%.
De acordo com a secretária de Educação, Neuzi Schotten, os dados são reveladores. ?Por meio das avaliações se confirmam as hipóteses de que os alunos se apropriam simultaneamente do código escrito das duas línguas. Um exemplo disto se pode observar na fala de um aluno da turma bilíngue, ao ser desafiado a escrever a palavra ?Landkarter?. É em Alemão, por isso precisa-se usar o K, e não o C como seria em Português?, explica.
Para os professores este também é um momento de autoavaliação. Os dados das avaliações são analisados com eles que, por sua vez, têm como possibilidade reorientar sua prática, se necessário, dispensando uma atenção especial aos alunos que ainda apresentam alguma dificuldade específica.
O objetivo do ?Projeto de Implantação do Ensino Bilíngue ? Língua Portuguesa / Língua Alemã? é implantar nas salas de aula o ensino bilíngue, oferecendo aos alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental da Rede Municipal a possibilidade de se alfabetizarem na Língua Portuguesa e na Língua Alemã, tornando-se usuários proficientes das mesmas.
A carga horária do 1º e 2º ano é de 20 horas semanais. Já para o 3º, 4º e 5º ano a carga horária é ampliada para mais 04 horas semanais. A ampliação do tempo de permanência na escola é uma estratégia que traz benefícios a médio e longo prazo para o desenvolvimento da aprendizagem do aluno e justifica-se também pela inserção de novos conteúdos na grade curricular de Língua Alemã.
As turmas do 1º e do 2º ano são divididas em dois grupos: enquanto que os alunos do grupo ?A? frequentam a aula em Língua Alemã, os alunos do grupo ?B? assistem a aula em Língua Portuguesa. Nas disciplinas de Educação Física e Língua Inglesa a turma permanece na mesma sala. O mesmo acontece com os alunos do 2º ano nas disciplinas de Artes e Ensino Religioso.
A abordagem dos conteúdos precisa ser significativa, no sentido de motivar os alunos para a aprendizagem destes e simultaneamente para o aprendizado da segunda língua. Atualmente, são 240 alunos e o número aumenta gradativamente. ?Para os alunos especiais, a programação é diferenciada?, explica a coordenadora Ana Buettgen.
“Por meio das avaliações se confirmam as hipóteses de que os alunos se apropriam simultaneamente do código escrito das duas línguas.?
Neuzi Schotten [Secretária de Educação]
Alunos Novos
Alunos novos, sem o mesmo grau de proficiência na 2ª língua, podem ser transferidos para classes bilíngues. No caso de transferências há de se discutir estratégias para melhorar o desempenho escolar desses alunos, de modo que possam acompanhar os trabalhos realizados na segunda língua.
Uma das possibilidades é a elaboração de um projeto em que se garanta que o professor de Língua Alemã que tiver hora excedente atenda aos alunos que porventura ingressarem na turma bilíngue sem dominar os conhecimentos já trabalhados pela turma anteriormente. ?No entanto, o trabalho de adaptação dos alunos novos deve acontecer também em turmas que não são bilíngues?, diz a Secretária Neuzi.