Relendo velhas cartas…
Na era digital, é difícil lembrar o tempo em que entre as formas de comunicação mais comuns e acessíveis estava a carta de correspondência, escrita em papel e enviada através do Correio . Hoje, é possível se comunicar em segundos com pessoas que estejam em qualquer lugar do mundo através…
Na era digital, é difícil lembrar o tempo em que entre as formas de comunicação mais comuns e acessíveis estava a carta de correspondência, escrita em papel e enviada através do Correio . Hoje, é possível se comunicar em segundos com pessoas que estejam em qualquer lugar do mundo através do telefone ou internet.
No entanto, houve épocas em que a única forma de mandar ou receber notícias de casa, namorada ou namorado eram as, hoje “ultrapassadas”, cartas em papel. Para que elas chegassem ao seu destino ou para recebê-las às vezes era necessário esperar meses.
Pessoas como seu Wendelin Bruske (83 anos), seu Ovídio Winther (73 anos) e dona Rosa Maria Graupner (62 anos) viveram essa época.
Em 1948, seu Wendelin entrou para o Exército. O catarinense, que vivia em Ribeirão Luebke, foi para o Rio de Janeiro servir e de lá enviava cartas para a mãe, que tinha medo que ele não voltasse. “Eu escrevia para ela, dizia que estava bem, que gostava de lá e contava sobre o trabalho. Ela não sabia ler e escrever, mas outros faziam isso por ela. Ela agradecia as cartas, perguntava se eu estava com saúde e eu respondia dizendo que sim. Isso deixava ela muito feliz”, relembra seu Wendelin.
Foram dois meses e 18 dias de viajem. “Nós embarcamos em um navio na Alemanha e viemos parar em Itajaí, Santa Catarina.”, conta seu Ovídio. Em 1942, aos seis anos, ele saiu da Alemanha em companhia dos pais que fugiam da 2° Guerra Mundial. Os demais familiares ficaram no país. A comunicação com quem estava lá ocorria através de cartas. A correspondência leva dois meses para ir e dois meses para voltar. “Eles enviavam notícias sobre a 2° Guerra Mundial. Estavam preocupados e também queriam vir.”, conta. Assim era mantido o contato com os tios, que dois anos depois conseguiram vir para o Brasil, mas que acabaram indo parar em São Paulo. “Pelo endereço informado nas cartas eu fui duas vezes na casa deles em São Paulo.” A comunicação durou mais 15 anos, até os tios morrerem.
Rosa Maria Graupner tem uma história parecida. Era através de cartas também que se comunicava com parentes europeus. No entanto, com uma diferença, a de que ela nunca viu os parentes pessoalmente.
O pai, um jovem aventureiro, saiu sozinho da Alemanha aos vinte e poucos anos e veio tentar a vida no Brasil. Tinha o sonho de ser independente. Veio, gostou e ficou. Em Pomerode conheceu a mãe de dona Rosa Maria, uma holandesa que tinha vivido na Alemanha.
O pai voltou à Alemanha apenas uma vez. A comunicação com os parentes europeus, holandeses e alemães, era mantida através de cartas. “Naquela época não tinha Internet, nem telefone e a gente se correspondia por carta.”, relembra dona Rosa.
O costume de escrever cartas foi aprendido com a mãe, bem como ler e escrever em alemão. “Eu aprendi a ler e escrever em alemão em casa. A minha mãe me corrigia.”, conta dona Rosa. A avó mandava da Alemanha cartas pedindo notícias, que contasse sobre os netos. Quem respondia era a mãe de dona Rosa. “Minha mãe e meu pai enviavam cartas para Alemanha. A minha mãe também se comunicava com parentes que tinha na Holanda.”. Só aos 12 anos ela começou a se comunicar com os parentes da Alemanha. Mandava carta para as tias.
E dessa troca de cartas foi que surgiu uma grande amizade com a tia mais moça que havia casado e se mudado para a Suíça. “Eu percebi que tinha mais afinidade com minha tia mais nova. Tudo que acontecia por aqui eu escrevia para ela e ela me contava seus problemas. A gente estava sempre por dentro das coisas.”
Através das cartas vinham todos os tipos de notícias. Foi assim também que chegaram notícias como a morte dos tios, avós e mais tarde a do irmão que havia se mudado para o país nos anos 60. O irmão não quis manter contato com a família no Brasil. Mas Rosa descobriu o paradeiro do irmão e lhe enviou cartas das quais não recebeu resposta. Quando o irmão morreu em 92 uma amiga dele lhes enviou uma carta informando a morte e junto a resposta das cartas que dona Rosa pensava jamais terem sido respondidas. Na verdade, elas apenas não haviam sido enviadas pelo irmão, cartas bastante triste onde ele fala da saudade que sentia da mãe e da irmã.
Numa tentativa de descobrir algo mais sobre a vida dele dona Rosa retornou a carta a recente, mas nunca obteve resposta. Em fevereiro desse ano ela fez uma nova tentativa, enviando outra carta para o endereço ao qual havia recebido aquela em 92. “Eu queria saber como ele viveu. Éramos muito amigos. Queria saber se ele se casou, se teve filhos.”, completa dona Rosa Maria.
Uma forma de inclusão e a possibilidade de exercer a cidadania
Aos 18 anos Alex Gabriel Rosa, estudante do Colégio Sinodal Doutor Blumenau, está sendo alfabetizado. Vítima de meningite na infância, doença gravíssima que deixa sequelas que vão desde dificuldades na aprendizagem até paralisia cerebral, é hoje um portador de necessidades especiais.
Como forma de integrar Alex a sociedade, a intérprete de Libras Adriana Santos e a professora Henriette Speuck, tiveram a ideia de ensinar o aluno a enviar cartas para a família. Através das cartas Alex encontrou uma nova forma de se comunicar com parentes e amigos.
Alex está na 8° série e há três anos estuda na Escola Doutor Blumenau. Quando chegou à escola ele escrevia apenas algumas palavras soltas, não sabia uní-las em forma de texto. Mas seu progresso foi rápido e hoje ele já “lida” bem melhor com a língua escrita.
Foi a partir de um conteúdo trabalhado na aula de português, que abordava a escrita de cartas, que Adriana e Henriette tiveram a ideia de explorar melhor a questão e trabalhar mais do que puramente o conteúdo de sala de aula. As professoras perceberam uma forma eficiente e estimulante de trabalhar a construção de textos. Os deficientes auditivos costumam ter dificuldade em construir textos conforme a língua portuguesa. As Libras, língua surda, possuem construção diferente do português.
Resultado: o Alex adorou a experiência, se sentiu muito estimulado e sentiu na prática como funciona esse meio de comunicação, desde a escrita até a postagem no Correio. Mais que uma forma de ensinar o menino a construir um texto no qual as palavras unidas criam sentido formando um texto, o trabalho serviu também como forma de inserí-lo na sociedade, exercendo sua função de cidadão. “É algo que ele gosta e ele vai aprendendo melhor”, falou Adriana. Conforme Henriette “O avanço dele foi muito bom. O efeito foi bem positivo.”, afirmou.
Há um mês Alex escreveu a primeira carta. Ela foi endereçada aos pais e ao irmão. A carta, que levou 15 dias para chegar, foi uma surpresa para os pais. “A mãe adorou a carta”, comentou Alex. E, realmente, a mãe demonstra estar muito feliz. “Ele ficou muito entusiasmado. A carta o ajudou bastante na aquisição da linguagem. Antes ele não se sentia muito estimulado com a função da escrita.”, contou a mãe. E a professora Henriette confirma o que diz a mãe, “para ele foi bastante interessante, o que mexe com o emocional dele ele grava melhor”, afirma Henriette.
A ideia deu tão certo que Alex já escreveu outras cartas. “O processo tá sendo legal. As cartas são para pessoas que ele gosta. A primeira foi para a família, depois para os avós, para a professora do 4° ano e agora vai enviar uma para a antiga psicóloga em Porto Alegre”, disse Adriana. Ao perceber o estímulo de Alex, os próprios pais incentivaram que ele enviasse cartas para a família em Porto Alegre. “Ele queria muito conversar com os parentes, mas por telefone não era possível. A carta já chegou lá. Eles disseram que vão responder”, comentou a mãe.
Soluções que aproximam
Quantas cartas você já escreveu? Cartas para mandar notícias, encurtar a distância, contar novidades, contar o que muitas vezes é de se contar pessoalmente ou simplesmente para dizer um “oi”. Cartas são registros eternos.
Os Correios de Pomerode iniciaram há 34 anos, no dia 04/04/1974. Localizado no centro de Pomerode, a agência conta com três profissionais de atendimento, além de um tesoureiro e um gerente. Devido ao crescimento da empresa , a agência local é responsável apenas pelo atendimento, enquanto a entrega das correspondências é realizada pelo Centro de Distribuição Domiciliar Blumenau Norte, de Blumenau, desde 2001, contando com sete carteiros que fazem a distribuição do segmento de mensagens e um carteiro no Centro de Distribuição Médio Vale, de Indaial, que realiza a entrega do segmento encomenda.
Desde 2003 os Correios de Pomerode operam com Banco Postal, oferecendo serviços bancários como o recebimento de títulos, abertura de contas e empréstimos. Dispõem de todos os serviços de Correios, inclusive o SEDEX 10 para 64 cidades brasileiras.
A agência dos Correios de Pomerode tem sido destaque no Estado nas últimas duas Pesquisas de Satisfação de Atendimento com 99,6% de opiniões favoráveis em 2008 e 99,1% em 2009.
Uma história de quase meio século
Há 42 anos os Correios é uma empresa brasileira operadora de serviços postais, vinculada ao Ministério das Comunicações mediante a transformação da Autarquia Federal que era, então, Departamento de Correios e Telégrafos (DCT). A mudança não representou apenas uma troca de sigla, foi seguida por uma transformação profunda no modelo de gestão do setor postal brasileiro, tornando-o mais eficiente, e na consolidação de uma marca reconhecida por muitos como um verdadeiro patrimônio nacional.
Nos anos que se seguiram, vários serviços foram sendo incorporados ao portifólio da empresa. Além dos tradicionais serviços de cartas, malotes, selos e telegramas, entre os novos serviços podem ser destacados os pertencentes à família SEDEX, serviço de encomendas expressas. Ao todo são mais de 100 produtos e serviços oferecidos por uma das maiores empregadoras do Brasil, sendo a única empresa a estar presente em todos os municípios do país, com uma vasta rede de unidades próprias e franqueadas.
No Brasil os Correios são uma das instituições de maior confiabilidade. Reiteradas pesquisas demonstram que o povo brasileiro entende que a empresa estaria a frente de instituições fortes como a Igreja e os Bombeiros, números que não foram abalados mesmo com as denúncias de corrupção em que estiveram envolvidos alguns de seus funcionários, cujas investigações desembocaram no chamado Escândalo do Mensalão no ano de 2006.