Raio-X da saúde pomerodense
Saúde em números
A equipe de redação do Jornal de Pomerode, nas últimas semanas, enquanto elaborava o especial do Hospital e Maternidade Rio do Testo, conversou com vários médicos e usuários de Sistema Público de Saúde do município. Assim sendo, uma série de informações positivas e projetos foram conhecidos mais detalhadamente.
O prefeito Paulo Pizzolatti e a Secretária de Saúde, Maria Regina, foram entrevistados na sequência, fazendo um verdadeiro Raio-X da saúde pomerodense. Confira a entrevista na íntegra:
JP: Qual foram as ações implementadas em relação à assistência farmacêutica prestada em Pomerode?
Maria Regina: Um dos passos mais importantes foi a Constituição da Comissão de Farmácia e Terapêutica para revisão do elenco de medicamentos e ações para a promoção do uso racional dos mesmos. Elaboramos ainda o Guia Farmacoterapêutico, que contém informações referentes ao Serviço Farmacêutico da SESA, a REMUME (Relação Municipal de Medicamentos Essenciais), o elenco do Componente Especializado e Estratégico da Assistência Farmacêutica, informações sobre prescrição e dispensação e sobre a Comissão de Farmácia e Terapêutica.
Paulo Pizzolatti: Fizemos também a Revisão do elenco, sendo incluídos 30 medicamentos para o ano de 2010, contemplando os pedidos dos médicos da rede para o tratamento dos pacientes atendido pelo SUS. O número total disponibilizado pela cidade contabiliza 233 fármacos em 358 apresentações farmacêuticas, que incluem medicamentos para hipertensão, diabetes, dislipidemia, Hiperplasia da Próstata Benigna, osteoporose, anti-inflamatórios, analgésicos, antidepressivos, anticonvulsivantes entre outros para doenças mentais, Parkinson, gota, anticoncepcionais etc.
JP: A distribuição é aceita e utilizada pela população?
Maria Regina: Sim, estamos conscientizando os pomerodenses a utilizarem os recursos da Farmácia Básica. No ano passado tínhamos uma média de 151,4 atendimentos/dia, somando um total de 55.279 atendimentos/dia. Esse ano, estamos numa crescente, afinal, já estamos com média de 173,9 atendimentos por dia, contabilizando até o final de julho, 36.865 atendimentos.
Paulo Pizzolatti: Esses atendimentos crescem diariamente. Em 2009, atendemos 55.279 na Farmácia Básica, mas queremos chegar a todos os pomerodenses. Para que isso seja possível, fazemos capacitações dos agentes de saúde, que incluem cursos e palestras. Além disso, estamos com um projeto de reforma para adequação do espaço físico da Farmácia Central, construção da Central de Abastecimento Farmacêutico, aquisição de mais um computador para a Farmácia Central, a fim de diminuir o tempo de espera dos pacientes na fila.
JP: Existem mais novidades sendo providenciadas nesta área?
Paulo Pizzolatti: Queremos aumentar o acesso da população às informações referentes aos medicamentos, para isso, estamos elaborando materiais de divulgação. Contrataremos também mais um farmacêutico que irá auxiliar nas visitas quadrimestrais nas Unidades de Saúde do município.
Maria Regina: A instalação de um ar-condicionado nas unidades ESF também adequará o armazenamento dos medicamentos. O programa de Oxigenoterapia e da Assistência ao Ostomizado da Secretaria de Assistência Social será transferido para o Serviço Farmacêutico da SESA.
JP: Quais foram os principais projetos nas questões de atenção a saúde básica dos munícipes?
Paulo Pizzolatti: Contratamos todos os médicos para as unidades de saúde da família que auxiliam no controle de maternidade, não notificando nenhum caso até agora. Teremos também a construção do Centro de Atendimento Psicossocial, a implantação do Programa Nacional de Suplementação de Ferro, política de atenção ao idoso, promoção da saúde da mulher, do homem e da criança (incluindo atualização no calendário das vacinas, exames rotineiros, etc.). Há também o Protocolo de Hipertensão e Diabetes, onde os pacientes recebem medicamentos e aparelhos para o tratamento, participam de reuniões terapêuticas e palestras.
JP: Existem ações preventivas?
Maria Regina: A Vigilância Sanitária, por exemplo, realiza palestras sempre com esse intuito, vão até salões de beleza explicar sobre hepatite e micose, conversam com manipuladores de alimentos, fazem blitz, encontros e inspeções. Além disso, quinzenalmente ,são feitas inspeções para verificar a presença ou não de dengue no município.
Paulo Pizzolatti: Temos também ações na área da saúde bucal, onde os profissionais vão até as escolas municipais informar as crianças, ao Centro de Convivência Pommerheim promover ações com os idosos, capacitam professores das C.E.I.s sobre saúde bucal, fazem visitas semanais no domicilio do paciente acamado do PSF Centro e capacitação de profissionais da saúde a cerca do assunto.
JP: Algumas melhorias estão sendo feitas também nesta área para melhor atender a população?
Paulo Pizzolatti: Sim, instalamos mobiliário novo nos consultórios das unidades Centro e Testo Rega e reformamos o sucateado do consultório odontológico da Uni.
JP: Os pacientes têm à disposição exames e cirurgias, correto?
Maria Regina: Correto. Toda mulher acima de 40 anos tem direito a um exame de mamografia por ano, gratuitamente. Cirurgias de otorrinolaringologia (nariz, ouvido e garganta) e oftalmológica (catarata) são disponibilizadas aos pomerodenses.
JP: Quais os benefícios sendo que os pacientes já encontram a disposição?
Paulo Pizzolatti: Adquirimos dois veículos Van (16 lugares) para transportar os pacientes que precisam. Reestruturamos o setor de transportes, priorizando os atendimentos do SUS. Construímos novas estruturas para as Unidades de Saúde de ESF Ribeirão Areia e Wunderwald, adquirimos um equipamento colposcópio para a Unidade de Saúde Alwin Klotz.
Maria Regina: Reformamos e adequamos todas as unidades de saúde, com exceção do Ribeirão Areia e Wunderwald, que ainda estão sendo construídas e do projeto de reforma e ampliação da Unidade de Saúde Alwin Klotz também está em andamento. Instalamos todos os equipamentos básicos necessários nas unidades, que contam com equipamento raio-x, odontologia e eletrocautério (para pequenas cirurgias).
JP: Como é formada a equipe da Saúde Pomerodense?
Maria Regina: Contamos com nove enfermeiras, dez técnicos em enfermagem e nove auxiliares de enfermagem. São também oito médicos de ESF, dois pediatras, três clínicos gerais, dois ginecologistas/obstetras, um cardiologista, um geriatra, um ortopedista e um angiologista. Na equipe, um nutricionista, três psicólogas, uma fonoaudióloga, dois farmacêuticos, dez dentistas, oito atendentes de consultório e dois técnicos de higiene bucal. Um número expressivo é o de agentes comunitários, 59, que cobrem 100% da população. Fora isto, temos 11 auxiliares de serviço, quatro motoristas de ambulância, dois assistentes administrativos, dois telefonistas, três recepcionistas, cinco assessores, três diretores, cinco gerentes, um secretário, quatro agentes epidemiológicos, um fiscal de vigilância sanitária, um técnico de vigilância sanitária, quatro motoristas e quatro técnicos para o SAMU, e dez estagiários de nível técnico e um de superior.
JP: São realizadas ações em parceria com HMRT?
Maria Regina: Sim, temos um convênio de sobreaviso com as especialidades de ortopedia, anestesia, clínica cirúrgica, ginecologia/obstetrícia, pediatria, cardiologia e análises clínicas. Temos também o mamógrafo, credenciado pelo SUS, exames de ecocardiograma, Espiro, Holter e Endoscopia. No convênio com o ambulatório de ortopedia, consultas e atendimento ambulatorial incluem cirurgias de média complexidade. Duas cirurgias mensais de vasectomias também são realizadas, assim como exames por vídeo.
JP: Qual foi o investimento na saúde nesse período?
Paulo Pizzolatti: Ano passado, o SUS custeou um valor de R$ 822.331,26 e nós, representando 14,86% da receita de impostos, custeamos R$2.422.658,95. Esse ano, o SUS já investiu R$ 1.769.618,48 e nós R$ 3.282,548,21.
Irene Passold tem 66 anos, reside no centro de Pomerode e precisou dos serviços de transporte para ir à Florianópolis, realizar uma cirurgia nos olhos. ?O conforto durante a viagem é maravilhoso! O motorista nos passa segurança ao dirigir?, diz Irene.
Seu esposo, Adiberto Passold, que a acompanhou nas viagens, enfatiza que o que é bom deve ser mencionado. ?As pessoas só sabem reclamar, e quando recebem um atendimento bom como este, não valorizam. Há uns 14 dias também passei mal. A Irene precisou chamar a ambulância para me atender às 4h da madrugada e, prontamente, lá estavam eles para me socorrer. Nas vezes que estive em Florianópolis para o atendimento de minha mulher, fiz questão de dizer aos pacientes que lá estavam, e que eram de outras cidades, que atendimento igual ao que temos em Pomerode não existe em lugar nenhum!?, finalizou.
Dona Clara Bona é cadeirante há oito anos, quando teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Desde então, necessita do atendimento domiciliar fornecido pela Secretaria de Saúde de Pomerode (SESA). A sua filha, Maurilia, dedica todo o seu cuidado à mãe e enfatiza que a SESA nunca deixou de atendê-las, quando necessário. ?Nós precisamos de um acompanhamento mensal e se tivéssemos que deslocá-la ao Posto de Saúde, precisaríamos transportá-la em uma ambulância, fato que geraria um transtorno enorme para nós. Assim, temos muito conforto, comodidade e excelência no atendimento?.
Dona Amanda tem 88 anos de idade e há dois perdeu as duas pernas por complicações adquiridas por ter diabetes. Ela enfatiza que as visitas são muito importantes, pois seria muito complicado sair de casa. ?No início fiquei numa depressão muito grande, mas o Dr. Gilberto me disse que eu fizesse alguma atividade para me entreter. Então, comecei a bordar toalhas e hoje, o sucesso é tanto que tenho clientes que compram. O Doutor me orientou que eu fizesse crochê e se não fosse isso, não sei como seria a minha vida hoje?.
Duas pacientes entrevistadas, que não quiseram ser identificadas, realizam tratamento de quimioterapia fornecido pela SESA e disseram que o serviço prestado foi de extrema importância para as suas respectivas reabilitações. ?Os profissionais são muito cuidadosos. Tem o Edson, que inclusive se preocupa com a manutenção do veiculo que nos transporta?, diz uma delas.
Doraci Cristofoletti tem 48 anos, e diz sempre ter sido muito bem atendida. ?Tenho diabetes e preciso realizar consultas de dois em dois meses. Os remédios que recebo da SESA nunca chegaram em atraso e nunca fiquei um mês sem recebê-los?
Kelly Dallmann, enfermeira, trabalha nos ESFs desde 2008 e diz que o que mais lhe comoveu foi uma visita em que teve que atender uma senhora de aproximadamente 45 anos e que constatou que estava muito doente e que teria que retornar ao hospital. ?Ela tinha uma filha de 9 anos que começou a chorar muito, dizendo que não queria que sua mãe voltasse para o hospital, sendo que a mãe mais tarde veio a falecer. Isso me arrasou e eu saí chorando da visita. Mas o grande conforto que nos dá é que vemos o pessoal ser bem atendido e vemos que o nosso trabalho está sendo bem feito e reconhecido pela comunidade.
Lili Krieck, de 71 anos, realiza Hemodiálise três vezes por semana, desde o mês de outubro. Disse que se não fosse o atendimento oferecido pela Secretaria de Saúde (SESA), não estaria viva hoje. ?Tenho artrite, além de muitas outras complicações. Gostaria que eles soubessem o quanto o atendimento carinhoso deles é importante para mim. É a minha segunda família. Acho que é um conforto para a pessoa que está doente?.
Dr. Gilberto, que na foto representa os médicos do ESF de Pomerode, explica que nestas situações, uma atividade é muito importante, pois exercita o cérebro e evita depressões. A filha de Amanda, Nilza Rank, cuida mãe e ajuda a dar esclarecimentos sobre a paciente durante a visita.