Rafael Ramthun: Extraindo das dificuldades a oportunidade para crescer
O HMRT esteve em abril de 2007 prestes a fechar suas portas. As dívidas eram expressivas, os funcionários estavam desmotivados, a comunidade desacreditava na instituição de saúde e ainda mais em um futuro promissor. Nesta época, iria ser eleito o novo presidente do Hospital e sua respectiva diretoria. Muitos nomes…
O HMRT esteve em abril de 2007 prestes a fechar suas portas. As dívidas eram expressivas, os funcionários estavam desmotivados, a comunidade desacreditava na instituição de saúde e ainda mais em um futuro promissor. Nesta época, iria ser eleito o novo presidente do Hospital e sua respectiva diretoria. Muitos nomes foram cogitados, poucos foram aqueles que se viram motivados frente aos obstáculos que necessitavam ser removidos.
Rafael Ramthun já havia, dois anos antes, aos 27, sido convidado para assumir como vice-presidente, contudo, por ser jovem, não se sentia preparado.
Foi neste cenário, que um jovem da comunidade pomerodense, de família tradicional, situação econômica estável e privilegiada, recém-formado, casado, com um filhinho pequeno e gerenciando alguém empresas mais tradicionais da cidade, lançou seu nome. A sociedade ficou perplexa. Questionamentos eram frequentes. As pessoas queriam saber o que levaria uma pessoa tão feliz, com uma vida digna de ser almejada, se envolver em uma gerência voltada ao abismo. As pessoas envolvidas na administração do HMRT chegaram a dizer a ele, Rafael Ramthun, que recuasse, que não assumisse a presidência do Hospital, pois provavelmente, seria em suas mãos que ira ser decretada a falência, sendo ele para sempre associado a imagem do ?jovem empresário que não conseguiu salvar o Hospital de Pomerode?.
Foi desta forma que Rafael Ramthun iniciou a entrevista, contando como lhe foi oportunizado assumir a presidência do HMRT. Na sala de reuniões da empresa a qual gerencia, Rafael passava a impressão que nunca, ao longo de sua administração, havia se dedicado a analisar sua trajetória de maneira tão intensa. O jovem rosto, cansado pelas responsabilidades atribuídas, aos poucos demonstrava sinais de emoção. Era, durante a entrevista, notório o sentimento que Rafael possui de ?dever cumprido?.
?As pessoas falavam que eu era louco, que eu não precisava entrar de cabeça em uma roubada. Mas minha cabeça estava voltada somente para duas situações. A primeira delas é que, justamente por ter uma vida estruturada, uma família perfeita e boas condições financeiras, queria dar o meu retorno a sociedade. Foi uma espécie de agradecimento, de retribuir o que a vida me deu. Queria ainda, e é algo que tenho como meta de vida, fazer, através de minhas ações, que minha família, e principalmente meu filho, possam um dia ter orgulho de mim?, explica o presidente do HMRT.
Rafael Ramthun conta que, onde todos os pessimistas viram uma dificuldade, ele, sendo otimista, viu a oportunidade naquela dificuldade. ?Quando assumi a situação era crítica. Não culpo as gestões passadas, cada um dos presidentes deu o seu melhor. Tive a benção de ter amigos ao meu lado. Todos os membros da diretoria abraçaram a ideia de que eu fosse presidente. A comunidade me recebeu de uma forma inacreditável. O voluntariado não queria mais ajudar o Hospital, a Festa já não estava dando mais lucro. No primeiro ano, como uma das primeiras ações expressivas, conseguimos, através da rifa, arrecadar mais de R$ 50 mil. A Festa do Hospital, até 2007, que mais tinha dado lucro, gerou uma receita de R$ 14 mil. Em 2007 foi para R$ 22 mil, em 2008 foi para R$ 34 mil e ano passado R$ 41mil. Era a resposta da comunidade, era o ?sim? que nos motivou a seguir em frente?.
Segundo o presidente, atualmente, o Hospital é um livro aberto. ?Os nossos funcionários estavam tão desmotivados, que aquilo acabava comprometendo o atendimento. Não podia cobrar um sorriso no rosto dele se os salários estavam atrasados. Implementamos, logo no início, um programa de motivação, um programa de 5S?.
Rafael conta que as ações que realizadas logo após sua posse foram, em primeiro lugar, recuperar a credibilidade do Hospital, depois os funcionários foram motivados. ?Melhoramos a aparência do prédio, que estava precária. Inauguramos um complexo, que foi totalmente reformado, onde funciona o Raio-X. Tivemos vários problemas com a vigilância sanitária e assim, tivemos que adequar nossa cozinha, a lavanderia e o refeitório. O nosso pronto-socorro era precário, tinha chão de madeira, reformamos toda a recepção. Pensa comigo, a pessoa nos procura em momentos delicados de sua vida, está totalmente abalada, precisa de carinho, de atenção, e chega no Hospital e se depara com profissionais retraídos e com um local que possuí um aspecto sujo? Não concordava com aquilo. Mais uma vez destaco aqui o papel da comunidade, estas obras foram feitas com recursos gerados através de um trabalho que envolveu Poder Público, iniciativa privada, movimentos sociais organizados, mas principalmente, o trabalho formiguinha, de pessoas anônimas, que usam ou não a estrutura do Hospital, mas que se preocupam em dar sua contribuição a cidade, em colaborar para uma sociedade melhor?.
O presidente acredita que daqui dois anos, o Hospital será referência no município. ?Foi um desafio assumido, uma oportunidade que me foi dada, durante a caminhada percebi a grande satisfação que eu tinha em fazer parte de um projeto vencedor. Eu tenho que agradecer a chance de ter sido presidente, mas não fiz nada sozinho. Só foi possível conquistar todos estes progressos, pois eu estava com as pessoas certas ao meu lado. Não falo agora, só nos últimos anos, mas em toda a história do HMRT, muitos altos e baixos foram registrados. Estamos prestes a chegar ao momento de equilíbrio. Minha gestão termina em abril de 2011. A próxima que assumir, terá muito mais segurança. Quero deixar para um amigo, um parceiro, que conheça o trabalho desenvolvido e que de tranquilidade? .
Rafael Ramthun confessa que em muitos momentos se sentiu sobrecarregado e que nesta trajetória o apoio de sua esposa foi primordial, tendo em vista que várias foram as situações que ele teve que se ausentar de casa, deixou de ficar com seu filho, para participar de reuniões, para cumprir com suas obrigações de presidente.
Com lágrimas nos olhos conta que hoje tem certeza que sua vida não passou em branco, que deixou a sua contribuição para a história pomerodense. ?Vou contar uma breve história. Um dia um cara estava caminhando e se deparou com uma carroça velha, atolada, suja, caindo aos pedaços. As rodas estavam totalmente mergulhadas no barro. Era praticamente impossível desatolar. De repente aparece um cara, no caso eu. Do nada, como se fosse forte suficiente, começa a cavar em volta das rodas, tirando minuciosamente o barro. Vai, empurra um pouquinho, percebe que sozinho não vai conseguir. As pessoas vão passando por ele e acabam se comovendo. Uma delas para, ajuda a empurrar. Chega mais uma, para ajuda, Quando vi já éramos dez, 15, 30, 50, 100. A carroça desatolou, começou a andar, cada vez mais rápido?.
Reforçou ainda que sua doação do seu trabalho, não foi por motivações políticas, mas que a pareceria com a Administração, atual e anterior, foi fundamental, principalmente para garantir a estruturação do Corpo Clínico e garantir o sobreaviso de alguns especialistas, ampliando o número de profissionais e áreas de atuação.
?Finalizo deixando o meu mais sincero agradecimento à comunidade que foi parceira em toda esta trajetória. Temos que cuidar do nosso Hospital, é aqui, que indiferente de situação financeira, todos seremos atendidos, mesmo que após, encaminhados para outros locais mais bem estruturados. Aqui, em nossa cidade, somos pessoas conhecidas, somos queridas. Em outra cidade, gente, somos apenas um número, mais um na estatística. Cuidar do Hospital e Maternidade Rio do Testo deve ser um compromisso de todos?, encerra.