Que vivam as navalhas
Profissão antiga que hoje em dia tem caído no esquecimento, devido as facilidades contemporâneas, as barbearias já foram um negócio bastante comum e lucrativo no passado. Homens de todas as idades e classes sociais passavam por uma, para fazer ou aparar a barba e o bigode.
Profissão antiga que hoje em dia tem caído no esquecimento, devido as facilidades contemporâneas, as barbearias já foram um negócio bastante comum e lucrativo no passado. Homens de todas as idades e classes sociais passavam por uma, para fazer ou aparar a barba e o bigode. Era um sinônimo de higiene e boa aparência. O barbeiro Jenuario José Lenzi, que possui um estabelecimento voltado para esses cuidados masculinos, percebeu na pele a diferença entre as épocas. Há 20 anos atrás, aqui em Pomerode, eu chegava a fazer 45 barbas em apenas um sábado, hoje em dia faço uma média de 25 por semana. Isso porque, segundo ele, os aparelhos barbeadores de hoje estão muito modernos e são poucos os que se dão ao luxo de ter alguém exclusivo para fazer o serviço.
Logo no começo da entrevista, entrou um cliente, que foi prontamente atendido. Sentou-se na cadeira para cortar o cabelo. Passe a máquina três, pediu. O cliente acomodou-se na cadeira e Jenuario colocou a capa de proteção, ligando a máquina de corte. A conversa seguiu dali. Aproveitei a deixa para clica-lo em ação.
Jenuario chegou a Pomerode há 42 anos. É natural de Rio dos Cedros, mas soube de um curso, oferecido por um barbeiro em Timbó, no ano de 1969. Em busca de uma profissão e com total apoio da família, se dedicou ao aprendizado por um ano e aprendeu a afiar a navalha na pedra, e a fazer um barbeado certeiro, com o devido cuidado com o cliente. Ao terminar o curso, foi para Curitiba se atualizar e iniciou a profissão em um salão com cinco cadeiras, no qual os clientes entravam e saiam em intensa movimentação. Ficou lá por três anos, aprendeu os macetes do ofício e não pestanejou em montar o próprio negócio quando soube, por meio do cunhado, que em Pomerode havia uma barbearia a venda.
No início teve dificuldades de adaptação, por ser de outra cidade. Tinha bastante movimento, principalmente dos funcionários de uma fábrica de porcelana da região. Trabalhava de segunda-feira a sábado, hoje o turno reduziu um dia, abre a partir de terça-feira. Com o tempo aprendeu também a cortar cabelo. Perguntei a ele sobre as dificuldades da profissão. Respondeu-me que não haviam, que era preciso apenas ter cuidado com o cliente. Depois se lembrou que a atividade com o tempo acabou trazendo alguns prejuízos para as mãos. No fim do dia ficam dormentes, afirma. Já chegou a precisar fazer fisioterapia, com direito a choques.
Sobre o lado bom, não precisou pensar muito. As amizades que fiz e o contato com o público, a afirmativa evidencia o carinho que tem com seus clientes. Tem que ouvir, atender…, nesse instante o homem que está na cadeira tendo o cabelo cortado, interrompe Jenuario e brinca E esquecer depois.
Se a figura do barbeiro vai deixar de existir com o tempo, ainda não podemos afirmar, mas ela certamente ainda existe e tem o dia 11 de maio destinado em sua homenagem. Que vivam as navalhas!