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Quando trigo e amor se misturam

O pão nosso de cada dia, nos dai hoje… Essa frase não teria sentido caso este profissional não estivesse presente no nosso dia a dia.

1 de junho de 2015

O pão nosso de cada dia, nos dai hoje… Essa frase, que faz parte da oração do Pai Nosso, não teria sentido caso o profissional que acorda cedo e, literalmente, coloca a mão na massa, não estivesse presente no nosso dia a dia. Estamos falando dos panificadores, conhecidos popularmente como padeiros, que comemoraram o seu dia no dia 08 de julho. A data é dedicada a estes profissionais por ser dia de Santa Isabel, padroeira dos panificadores.Considerada uma atividade muito antiga, os primeiros pães foram assados sobre pedras quentes ou debaixo de cinzas. A utilização de fornos de barro para cozimento dos mesmos começou com os egípcios, sendo atribuída a eles também a descoberta do acréscimo de líquido fermentado à massa do pão para torná-la leve e macia.
De acordo com o sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre, o Brasil conheceu o pão no século XIX. Antes do pão, o que se conhecia, em tempos coloniais, era o biju de tapioca. No início, a fabricação de pão, no país, obedecia a uma espécie de ritual próprio, com cerimônias e cruzes nas massas. Foi com a chegada dos imigrantes italianos que a atividade da panificação começou se expandir.
Presente em praticamente todos os lares, atualmente uma grande variedade de pães toma conta do mercado. Os industrializados são os mais consumidos, por serem mais acessíveis nos pontos de vendas e facilitar o consumo, pois a maioria já vem fatiada de fábrica. Entretanto, numa região onde os costumes dos antepassados ainda são preservados, não é difícil ver o famoso pão caseiro, à base de fubá, trigo, cará (ou batata doce), fermento, sal e água, sendo fabricado e vendido aos consumidores.
Um destes abnegados profissionais, que acorda diariamente perto das 3h da manhã para iniciar a sua rotina, diz que já fez de tudo nesta vida, e que o ofício de padeiro foi mais um desafio abraçado há quase 12 anos. Trata-se de Lauro Schlüetter, de 70 anos, morador e comerciante em Testo Central. Ele, ao lado da esposa Iria, mantém a rotina de fabricar não só pães, mas também cucas, massinhas, bolos, doces e rosetas, com muito amor, carinho e dedicação. Desde criança, aos oito anos, tive que ajudar meus pais na roça com os afazeres, como tirar leite, capinar, matar e limpar galinhas. Entre esses ofícios, aprendi a fazer pães, na época, assados na folha de bananeira, no forno à lenha. Quando casei, minha esposa também fazia e, com o passar do tempo, fomos aperfeiçoando a receita, tornando o pão mais macio. Por isso, quando surgiu a oportunidade de abrirmos a confeitaria, colocamos nosso aprendizado na prática, levando nossos conhecimentos ao consumidor, conta Lauro.
O diferencial de seu estabelecimento é justamente oferecer produtos caseiros, feitos sem nenhum tipo de conservante. O pão feito aqui é tão macio que ele não pode ser fatiado mecanicamente, apenas com a faca. Mas essa é a essência, trazer para as pessoas o sabor inconfundível dos produtos que nossas mães e ‘omas faziam em casa, tanto nos pães, quanto nas cucas, bolos e massas que fabricamos, acrescenta.
A rotina, assim como de todos os profissionais que trabalham com panifício inicia cedo, por volta das 3h da manhã. Nesta hora, já é possível ver Lauro e Iria dividindo o mesmo espaço, com bacias, trigo, fermento e demais ingredientes. Aos fins de semana, a nossa demanada é bem maior, por isso, iniciamos o nosso trabalho por volta da meia-noite, para que tudo fique pronto pela manhã, à disposição dos nossos clientes. É uma rotina puxada, mas quando se faz algo que você julga ser benéfico, todo o cansaço vai embora, enaltece Iria, que também divide a responsabilidade das receitas.
No entanto, existe uma em que o comerciante faz questão de produzir sozinho: a cuca de queijo. É a minha especialidade. Nela, ninguém coloca a mão, pois eu a faço do início ao fim. E se bobear, ainda vendo no balcão, diz, aos risos.
Casado há 43 anos, Lauro afirma ter muita disposição para este tão nobre ofício. O desafio é uma palavra constante na minha vida. Não exista nada em que eu não me adapte, por isso, fazer pães para mim é muito gratificante. Além de ajudar a minha esposa, me sinto útil. Enquanto Deus me der dois braços, duas pernas e uma cabeça saudável, continuarei trabalhando, pois sem trabalho, a vida não tem sentido, ressalta.
O sucesso das receitas do casal Schlüetter pode ser comprovado na qualidade de seus produtos e no movimento de seu estabelecimento. Durante a semana, comercializamos cerca de 350 pãezinhos por dia. Aos sábados, domingos e feriados, esse número dobra, tamanha é a procura. Isso se dá, principalmente, por serem produtos feitos de forma totalmente manual, o que contribui, inclusive para a saúde da população. No que depender da gente, vamos continuar fazendo o nosso trabalho, proporcionando aos moradores de Pomerode e região ‘um pão nosso de cada dia sempre fresquinho e de qualidade, finaliza Lauro.

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