Quando o corpo não mais responde
O nome é bastante estranho: síndrome de Guillain-Barré, também conhecida por polirradiculoneuropatia idiopática aguda ou polirradiculopatia aguda imunomediada. Mas seus sintomas atingiram um rapaz cheio de vida, de 23 anos, em janeiro deste ano.
Ricardo Fischer seguia a sua rotina no Ribeirão Souto quando, no início de 2013, começou a sentir fortes dores nas costas.
O nome é bastante estranho: síndrome de Guillain-Barré, também conhecida por polirradiculoneuropatia idiopática aguda ou polirradiculopatia aguda imunomediada. Mas seus sintomas atingiram um rapaz cheio de vida, de 23 anos, em janeiro deste ano.
Ricardo Fischer seguia a sua rotina no Ribeirão Souto quando, no início de 2013, começou a sentir fortes dores nas costas. As dores começaram a ficar mais intensas com o passar dos dias, mas eu não dei muita bola. Até que um dia, meus pés ficaram dormentes e a dor tornou-se insuportável. Fui para o hospital e tomei uma injeção. Isso era um sábado. No domingo pela manhã, ao levantar, continuei sentindo os sintomas e, quando fui levantar, senti minhas pernas ‘bambearem. Eu estava lúcido, mas as pernas não respondiam aos meus estímulos. Três dias mais tarde, eu estava em uma UTI, em coma, conta Ricardo.
A síndrome de Guillain-Barré é uma doença do sistema nervoso (neuropatia) adquirida, provavelmente de caráter autoimune, marcada pela perda da bainha de mielina e dos reflexos tendinosos. Ela se manifesta sob a forma de inflamação aguda desses nervos e, às vezes, das raízes nervosas. O processo inflamatório interfere na condução do estímulo nervoso até os músculos e, em parte dos casos, no sentido contrário, isto é, na condução dos estímulos sensoriais até o cérebro. É como se os nervos estivesses ‘desencapados e dessem choque. Você perde toda a força nos músculos. Fica até difícil de respirar, por isso, o Ricardo teve que fazer uma traqueostomia enquanto estava em estado de coma, relata a mãe, Márcia Fischer.
Após 21 dias na UTI, Ricardo abriu os olhos e voltou à vida. Foi uma sensação estranha. A primeira coisa que eu vi foi o relógio, que marcava 5h. Só que eu não sabia se era da manhã ou da tarde. Eu estava muito desnorteado e fui recuperando a memória aos poucos, diz Ricardo.
A causa da síndrome que atacou o jovem ainda é desconhecida, mas ele tem um palpite. Com certeza, foi algo que afetou o sistema nervoso, stress talvez. Eu era uma pessoa muito agitada, queria resolver as coisas ‘para ontem. Hoje em dia, como a recuperação é muito lenta, aprendi a ter paciência. Se houver alguma lição boa a tirar disso tudo, essa é uma delas. Sou outra pessoa.
A mãe Márcia diz que temeu pela vida de seu filho, mas hoje sabe que o tratamento está sendo feito da maneira correta e que Ricardo vai se recuperar em breve. Ele voltou a ser criança, pois no começo, quando ganhou alta, dia 05 de março, ele não conseguia fazer nada: nem comer, tomar água ou fazer a barba. Hoje ele está retomando os seus movimentos e isso me deixa muito feliz. Apesar de estar em uma cadeira de rodas, estou muito esperançosa em relação à sua recuperação.
Mas, infelizmente, o tratamento tem um alto preço. Tanto que, numa iniciativa dos vereadores Horst Lemke e Rafael Pfuetzenreiter, foi elaborada uma rifa, a fim de arrecadar fundos para o tratamento de Ricardo. O Fitzen conseguiu as doses de imunoglobina intravenosa pelo SUS, que custam cerca de R$ 40 mil. Meu genro Everaldo Steinbach foi até Florianópolis buscar as doses. Esse medicamento foi ministrado durante o coma. E agora, o tratamento deve continuar, com medicações e fisioterapia. No mês passado, foram mais de R$ 800 em medicamentos. Por isso, eles resolveram rifar a moto do Ricardo, para auxiliar nas custas do tratamento, à base de remédios contra dor e vitaminas, relata Márcia. Conseguimos alguma coisa através da Secretaria de Saúde, mas o neurologista disse que a medicação deve ser exatamente esta, que não existe no posto, acrescenta.
O prêmio é uma moto que, segundo Ricardo, está zero-bala. Antes de tudo isso acontecer, ela passou por uma revisão completa. Por isso, quem ganhá-la, vai ter uma boa motocicleta em mãos. Gosto muito dela, é verdade, mas a prioridade é a minha saúde, neste momento, enfatiza Ricardo.
Com muitos planos para o futuro, como retomar os estudos e continuar na sua promissora carreira de eletricista, Ricardo agradece a todos que oraram pela sua recuperação. Quero dizer um ‘muito obrigado a todos que estiveram do meu lado e me auxiliaram, minhas irmãs, tios e primos. Também àqueles que têm adquirido números de minha rifa, podem ter certeza que é por uma boa causa. Nunca deixei de acreditar na minha recuperação e com a ajuda de todos, este momento está cada vez mais próximo, finaliza.
Sintomas da síndrome de Guillain-Barré
O sintoma preponderante é a fraqueza muscular progressiva e ascendente, acompanhada ou não de parestesias (alterações da sensibilidade, como coceira, queimação, dormência, etc.), que se manifesta inicialmente nas pernas e pode provocar perdas motoras e paralisia flácida. Com a evolução da doença, a fraqueza pode atingir o tronco, braços, pescoço e afetar os músculos da face, da orofaringe, da respiração e da deglutição. Os sintomas regridem no sentido inverso ao que começaram, isto é, de cima para baixo.
Importante:
Esteja atento às seguintes considerações:
* Em grande parte dos casos, a síndrome de Guillain-Barré é um distúrbio autolimitado. No entanto, o paciente deve ser levado imediatamente para o hospital assim que apresentar sintomas que possam sugerir a doença, porque pode precisar de atendimento de urgência;
* Como ainda não foram determinadas as causas da doença, não foi possível também estabelecer as formas de preveni-la;
* O processo de recuperação da síndrome, em geral, é vagaroso, mas o restabelecimento costuma ser completo;
* É muito pequeno o número de casos da síndrome em que a causa pode ser atribuída à vacinação, em geral, contra gripe e meningite. Por isso, as pessoas devem continuar tomando essas vacinas normalmente;
* A fisioterapia é um recurso fundamental especialmente para o controle e reversão do déficit motor que a síndrome pode provocar.
A síndrome de Guillain-Barré deve ser considerada uma emergência médica que exige internação hospitalar já na fase inicial da evolução. Quando os músculos da respiração e da face são afetados, o que pode acontecer rapidamente, os pacientes necessitam de ventilação mecânica para o tratamento da insuficiência respiratória.