Projeto é destaque regional
?Adotamos o Ribeirão Clara? foi um dos selecionados da empresa Bunge para participar de encontro em Gaspar.
Há muito tempo se fala em sustentabilidade e em ações que envolvam comunidade – escola – meio ambiente. Recentemente em Pomerode foi comemorada a Semana da Água, com o objetivo de conscientizar os dois primeiros elos para o terceiro.
Uma ideia, que nasceu na Escola Básica Municipal Hermann Guenther, visou não somente apresentar dados e informações durante as comemorações. Ao invés disto, tornou-se um Projeto de Extensão, ou seja, a proposta vai além do âmbito escolar e incentiva toda a comunidade do Ribeirão Areia para voltar os olhos para o mesmo tema: o Ribeirão Clara.
De acordo com a professora do 1º ano, Heike Zimmer, que é uma das coordenadoras, o projeto nasceu pequeno, mas desde o princípio ela acreditava que iria funcionar. ?Eu queria trabalhar com a comunidade, levar esse projeto para fora da escola também, e por isso ele tornou-se um projeto de extensão?.
A diretora da E.B.M. Hermann Guenther, Sueli Avancini, contou que o projeto final, intitulado ?Adotamos o Ribeirão Clara? foi a junção de duas vontades. ?A primeira, da professora Heike era trabalhar com a água já contaminada, encontrada aqui na ponte. A segunda, da professora Fátima, que era trabalhar na nascente. Quando as duas apresentaram o projeto, tivemos a ideia de juntar os dois e o sucesso foi imediato?.
Fátima Torres, outra professora coordenadora, lembra que o projeto tem como objetivo contribuir para a formação de cidadãos realistas, que entendam a importância da água limpa. ?Eles serão cidadãos aptos para decidirem e atuarem diante da realidade em que o mundo vem enfrentando, principalmente com a poluição e escassez de água.
Esses conceitos que damos no dia a dia, dentro do meio social, fazem com que eles, mesmo pequenos, entendam o valor da água?, comenta a professora do 2º ano.
O projeto é realizado pelos alunos do 1° e 2° ano da escola, que tem de 05 a 09 anos, coordenado pelas professoras Fátima e Heike, pela diretora Sueli e pela orientadora Simoni Cristina de Oliveira. ?Queremos criar uma consciência ecológica de sustentabilidade logo cedo. Essas crianças são a sementinha, aos poucos elas vão crescendo e entendendo melhor sobre o assunto, mas se começarmos agora teremos adultos mais conscientes no futuro?, lembram as coordenadoras.
São os alunos que integram hoje o projeto que seguirão até quando estiverem no 9º ano, e participarão da sequência do mesmo. ?Ano que vem são essas duas turmas, já no 2º e 3º ano, que continuarão sendo as mentoras do projeto. Quanto mais elas forem crescendo, mais é nosso interesse que o projeto cresça também?, comenta a diretora. ?Serão nove anos de ações desenvolvidas para que o conhecimento científico dos alunos se torne maior e que as ações na comunidade sejam mais e mais envolventes, para que todos os moradores se sintam responsáveis pelo Ribeirão Clara?.
Durante a visita ao ponto de captação de água, realizado pelo Samae e acompanhado pelos alunos, eles também caminharam pelas margens do Ribeirão Clara, próximas à Escola. Nessa caminhada, observaram-se os resíduos jogados no ribeirão, e foi coletada uma amostra de água para comparação com a água próxima à nascente.
Mesmo sem a análise química das duas águas, a diferença é percebida a olho nu, e os alunos têm na ponta da língua todo o trajeto e as explicações sobre o que é o Ribeirão. Em coro, os alunos exclamavam o que aprenderam dentro e fora da sala de aula. ?No começo a água é limpa, mas quando chega lá na ponte já está suja?.
As professoras explicam que é muito mais fácil para as crianças perceberem a diferença das duas amostras quando podem comprovar isso de forma prática. ?Se mostrarmos PH e demais fatores químicos, para elas, agora, não terá nenhum sentido. Já se mostramos as duas amostras e compararmos a cor e as impurezas, elas conseguem visualizar e entender o problema?.
No ponto de capacitação eles ainda puderam observar a vegetação e a importância da mesma para a continuidade da limpeza da água. Após, fizeram maquetes e os exercícios diários trabalhados em sala de aula complementam o projeto realizado.
A intenção é que os alunos agora levem o projeto para dentro de suas casas e assim, ele vá se concretizando de maneira extensionista. ?Quando o aluno leva as informações para dentro de casa, os pais escutam e continuam divulgando. Muitos dos pais trabalham nas empresas situadas aqui no Ribeirão e assim, se todos se manifestarem, conseguiremos conservar nosso lugar, onde moramos e queremos bem?.
Os pais foram informados do projeto através de uma carta, que continha todo o cronograma desenvolvido pelos filhos.
Outro intuito do projeto é solucionar pequenos problemas locais para que alguns mais influentes sejam amenizados. ?O Rio Itajaí Açu é grande, não conseguimos fazer ações que influenciem diretamente ele, mas quando ajudamos o Ribeirão Clara, que é um dos afluentes, acabamos agindo lá também.
É como dizem os estudiosos do meio ambiente, para mudar e ajudar o planeta não é necessário fazer ações que solucionem todos os problemas do mundo, mas é preciso fazer pequenas que ajudem eles a diminuir, ou seja, pequenas ações ao nosso redor estão ao nosso alcance, e se podemos mudar aqui, certamente mudaremos o resto do mundo?.
“Esses conceitos que damos no dia a dia, dentro do meio social, fazem com que eles, mesmo pequenos, entendam o valor da água?
Fátima Torres [Professora]
Visita da Bunge
Há alguns dias, a empresa Bunge, através do projeto ?Conhecer para Sustentar: Vale do Itajaí?, visitou a escola para realizar uma filmagem com os professores e alunos, a fim de conhecer e entender o projeto. ?Participaremos da mostra regional em Gaspar, no próximo dia 09 de novembro, depois, se nos classificarmos entre os cinco melhores projetos da região, no dia 28/11, iremos a São Paulo divulgar a ação dos alunos?.
Esse projeto, criado por iniciativa da Fundação Bunge, após as inundações que atingiram o estado de Santa Catarina em 2008, visa compreender as causas desses eventos climáticos e, com isso, propor ações que busquem o equilíbrio entre a atividade humana e a natureza, ajudando a prevenir novas tragédias através de ações de recuperação sustentável. O mesmo está dividido em três fases: Ação urbanística sustentável para um novo bairro (que será modelo) em Gaspar; Disseminar conhecimento com o lançamento de livro e documentário e a reconstrução da escola pública destruída pela enchente.
A Fundação Bunge, organizadora do projeto escolheu o Vale do Itajaí como local para instalar o bairro modelo por o mesmo local ter sido destruído nas enchentes de 2008. Entre as várias atividades, uma é a de se preservar o Rio Itajaí Açu, que é fonte de grande parte da água consumida na região.
O bairro modelo, construído pela fundação vai girar em torno da escola na cidade de Gaspar. Todo o lixo, por exemplo, vai produzir o gás que será consumido dentro das casas vizinhas, e assim por diante.
A expectativa para a mostra, que apresenta esse e outros projetos, como o da escola pomerodense, são melhores. Para as coordenadoras da Hermann Guenther, já estar lá, representando a cidade é um grande orgulho. ?O pessoal da filmagem adorou, ficamos muito contentes. O principal fator é porque estamos trabalhando com crianças pequenas, e que já estão sendo conscientizadas para levar para suas casas o sentido e a importância da água. Queremos muito chegar até São Paulo e mostrar nosso trabalho?.
As filmagens servirão para o documentário que vai ser produzido futuramente pela Fundação. Na ocasião, professores, alunos e até famílias que moram no entorno do Ribeirão foram entrevistadas.
Continuidade
Após visitar a represa que capta água para o Samae, localizado próximo a uma das nascentes do Ribeirão Clara e de entregarem a autoridades e comunidade amostras da contaminação do Ribeirão, o projeto ?Adotamos o Ribeirão Clara? não irá parar.
Ainda este ano, as crianças querem levar as mostras de água para empresas situadas no Ribeirão Areia, realizar a distribuição de frascos à população local com água do Ribeirão e um folder contendo informações sobre a necessidade de preservarmos a qualidade na água do mesmo. E para os próximos anos, tentar mudar realidade do local.
?A E.B.M. Hermann Guenther está localizada num bairro industrial e privilegiada de natureza. Temos que conscientizar agora para termos um bairro melhor e futuramente, um rio com mais qualidade. Não podemos pensar só no Itajaí Açu, porque não o vemos diariamente, mas quando abrimos a porta de nossas casas enxergamos o Ribeirão Clara, e é com ele que temos que nos preocupar?, finalizam as professoras e coordenadoras.
Agora, com os dados das visitas e das apresentações em sala de aula, no final do ano será feita uma discussão do projeto para que já seja montada uma proposta para 2011.
Sustentabilidade: que palavra é essa?
O projeto ?Adotamos o Ribeirão Clara? é considerado como uma atitude de sustentabilidade. Muito menor se comparada ao bairro modelo que está sendo criado em Gaspar, onde todas as ações levarão a um local quase que completamente sustentável.
Essa palavra, sustentabilidade, que ultimamente está muito em vista na mídia e nas palavras de grandes nomes da política mundial, muitas vezes não é entendida pela população.
O conceito da palavra sugere cuidado, mas o princípio da sustentabilidade significa, basicamente, uma pequena comunidade ou até mesmo grandes locais agindo em prol de quatro itens: ecologicamente correto; economicamente viável; socialmente justo e culturalmente aceito.
Todo desenvolvimento sustentável é aplicado dentro de um modelo econômico, político, social, cultural e ambiental que unidos formam um modelo sem comprometimentos para os elos e principalmente, pensando nas futuras gerações.
Atitudes sustentáveis vão desde separar o lixo, organizar mutirões de limpeza nas encostas e rios, optar por produtos ecologicamente corretos, buscar políticas públicas que pensem e ajam em favor do bem de todos, etc.