Produzir para alimentar
Rico em proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais e vitaminas, o leite ocupa lugar de destaque quando o assunto é a nutrição do homem.
Rico em proteínas, carboidratos, gorduras, sais minerais e vitaminas, o leite ocupa lugar de destaque quando o assunto é a nutrição do homem. Grande parte desse potencial se dá pela presença do cálcio, mineral responsável pela formação dos ossos. Como é considerado o mais nobre dos alimentos, é um dos únicos que figuram no calendário de datas comemorativas: 24 de junho.Os seres humanos aprenderam a consumir regularmente o leite de outros mamíferos após a domesticação dos animais durante a Revolução Neolítica ou o desenvolvimento de agricultura. Este desenvolvimento ocorreu, de forma independente em vários lugares do mundo, já a partir de 9.000 a 7.000 a.C., no Sudoeste da Ásia, para 3.500 a 3.0000 a.C. nas Américas.
Apesar de o bovino ser o mais comum, muitos tipos de gado fornecem leite utilizado por seres humanos para produtos lácteos, como búfalo, cabra, ovelha, camelo, burro, cavalo e rena.
Em todo o planeta, existem mais de seis bilhões de consumidores de leite e produtos lácteos. Mais de 750 milhões de pessoas vivem dentro de famílias que vivem desta atividade. O leite é um fator chave para melhorar a segurança alimentar e nutricional, em particular, nos países em desenvolvimento. Melhorias na pecuária e tecnologia de lacticínios oferecerem a promessa significativa na redução da pobreza e desnutrição no mundo.
Em Pomerode, a produção de leite já foi umas das principais atividades desenvolvidas. No entanto, atualmente, ela está se tornando cada vez mais rara. Um dos produtores que ainda sobrevivem produzindo este alimento tão importante é Acácio Coelho da Rocha, de 55 anos, morador de Testo Alto. Exercendo a atividade desde 1986, ele diz que o tempo de vacas gordas passou. Em 1981, nossa cidade possuía a maior bacia leiteira de Santa Catarina, mas esta realidade mudou, infelizmente. Muitos produtores de leite faliram devido à falta de incentivos, pois os custos aumentaram e o preço praticamente não evoluiu, cita, fazendo uma comparação: há cinco anos, o valor pago ao produtor era de R$ 0,70; hoje em dia, é de R$ 0,72, ou seja, um ganho de apenas 4%, contra 28,52% de inflação acumulada no mesmo período.
Acácio está temeroso com relação ao futuro de sua produção. A falta de incentivos nos faz ficar preocupados. Meu produto, que é comercializado pela Chocoleite, sempre teve o aval técnico e da Vigilância Sanitária. Sempre procurei manter meu leite dentro de todas as especificações e esse investimento tem um custo. Infelizmente, o nosso lucro é praticamente zero com esta atividade, por isso, não sei se continuarei produzindo dentro de dois ou três anos, o que seria uma pena, pois faço isso com muito amor, declara um dos maiores produtores leiteiros de Pomerode.
A rotina de Acácio inicia às 6h e prossegue até, aproximadamente, 21h, diariamente, sem fins de semana ou feriados, contando com o auxílio de sua companheira, Crista Frahm. Em outras épocas, chegava a 250 litros por dia. Atualmente, essa produção chega a 90 litros diários, vinda de oito vacas, quatro da raça Jersey e quatro da raça Holandesa. Tenho mais 12 animais, mas estes não produzem, conta. A Chocoleite passa a cada dois dias para recolher o produto, que é acondicionado em um resfriador para que mantenha as propriedades e não estrague, acrescenta.
Para que o leite produzido seja digno de elogios, o produtor oferece aos seus animais uma alimentação balanceada, à base de silagem, aveia, capim elefante e ração.
Apesar das dificuldades, Acácio tem motivos para agradecer os incentivos recebidos, principalmente da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente. O atual secretário tem experiência e busca dar incentivos aos produtores. Esta prática já vem da gestão anterior, para que eles tenham seus custos reduzidos e um ganho maior. Bem como, agradecer ao Sírio Jandre, pela assistência prestada aos agricultores quando necessitam dos seus serviços, não importando a hora.
Quanto ao futuro da produção de leite em Pomerode, Acácio diz que esta, infelizmente, pode estar com os dias contados. Ninguém quer mais produzir leite, pelas dificuldades anteriormente citadas. Se antigamente, o leite era um das nossas principais economias, hoje menos de 4% do que é consumido em nossa cidade vem dos produtores pomerodenses. Por ser um alimento essencial na cadeia alimentar, a realidade poderia ser um pouco diferente, mas eu ainda acredito que ela possa melhorar, finaliza.