Produção industrial do Brasil tem maior expansão em 25 anos
A atividade industrial brasileira perdeu força no fim do ano passado, mas conseguiu encerrar 2010 com o melhor desempenho em mais de duas décadas, devido à forte performance do começo do ano, conforme matéria veiculada no site do Terra, na quarta-feira (02/02). A produção caiu 0,7% em dezembro ante novembro,…
A atividade industrial brasileira perdeu força no fim do ano passado, mas conseguiu encerrar 2010 com o melhor desempenho em mais de duas décadas, devido à forte performance do começo do ano, conforme matéria veiculada no site do Terra, na quarta-feira (02/02). A produção caiu 0,7% em dezembro ante novembro, quando recuou 0,2%, e cresceu apenas 2,7% sobre igual mês de 2009, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Em 2010 como um todo, a expansão foi de 10,5%, a maior desde 1986, após retração de 7,4% em 2009, quando a economia brasileira sofria com os efeitos da crise econômica mundial.
“Ao longo de 2010, o setor industrial apresentou crescimento decrescente, com clara perda de ritmo a partir do segundo trimestre do ano”, afirma o IBGE em nota. O primeiro semestre mostrou avanço de 16,2% ante igual período do ano anterior, reduzindo o ritmo de crescimento para 5,6% no semestre seguinte.
No quarto trimestre, a atividade cresceu 3,3% sobre igual período do ano anterior, mas teve variação negativa de 0,1% sobre o terceiro trimestre. Em dezembro sobre novembro, 11 setores tiveram queda e 15 apuraram crescimento da produção. Os destaques de baixa foram Material eletrônico e equipamentos de comunicações (-13,3%) Metalurgia básica (-4,2%) e Edição e impressão (-2,5%).
“A indústria conseguiu em 2010 reverter a perda de 2009 muito em função do desempenho no primeiro trimestre, quando o setor ainda gozava de incentivos do governo”, disse André Macedo, responsável pela pesquisa, referindo-se à redução ou isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dada a alguns setores para fazer frente à crise global.
“Isso (número de dezembro) traz uma perspectiva bastante negativa para a indústria no começo do ano… Esses números estão confirmando que o câmbio está exercendo um problema dentro do país que tem que ser combatido”, disse Luciano Rostagno, estrategista-chefe da CM Capital Markets. “O que importa é olhar para frente e o que a gente ve é que a indústria está fraca. Estamos com alta do ciclo de 1,50 ponto percentual (de alta da Selic)… (e) o desempenho da indústria corrobora nosso cenário.”
Setores
Em dezembro sobre novembro, 11 setores da indústria tiveram queda e 15 apuraram crescimento da produção. Os destaques de baixa foram material eletrônico e equipamentos de comunicações, metalurgia básica e edição e impressão. Entre as categorias de uso, três registraram recuo: bens de consumo duráveis (-0,6%), bens de consumo semi e não duráveis (-0,4%) e bens de capital (-0,5%), enquanto a produção de bens intermediários ficou estável.
Na comparação com dezembro de 2009, houve crescimento em 19 dos 27 setores, com destaque para veículos automotores, indústrias extrativas e máquinas e equipamentos. Nas categorias de uso, todos os segmentos foram positivos na comparação anual, sendo as maiores altas de bens de capital (6,2%) e bens de consumo duráveis (6%). A atividade de bens intermediários cresceu 2,7% e a de bens de consumo semi e não duráveis, 0,4%.
A expansão da produção em 2010 foi alavancada pelos bens de capital, de acordo com o IBGE. Com expansão de 20,8%, eles registraram também o melhor resultado desde 1986. “Isso tem a ver com a recuperação da expectativa dos agentes econômicos com relação à ampliação dos investimentos no país”, disse Macedo, do IBGE. “A base de comparação mais baixa também ajuda a entender a magnitude desse resultado”, acrescentou o economista ao lembrar que em 2009 o setor caiu 17,4%.
Os bens intermediários, segmento mais pesado da indústria, também avançaram acima da média nacional com taxa de 11,4% e, os bens duráveis cresceram 10,3%. Por outro lado, os bens não duráveis, aumentaram a produção em apenas 5,3% em 2010, depois de uma queda de 1,5% em 2009, quando foi o segmento que menos sofreu com os efeitos da crise global.
“Esse é um segmento mais voltado para o mercado interno e ligado a fatores como renda, mercado de trabalho de massa salarial. Foi o que menos sofreu com a crise, mas setores como têxtil, calçados e vestuário foram afetados pela maior presença de importados”, disse Macedo. Em 2010, 75% dos 755 produtos investigados tiveram aumento de produção. Foi o melhor resultado desde 2003, quando o IBGE iniciou esse cálculo. Em 2009, o percentual foi de apenas 28,3%.
Reduz produção de celulares no Brasil
A redução das vendas de celulares ao exterior da indústria brasileira afetou negativamente a produção industrial no setor, segundo informou o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo. A valorização do real ante ao dólar em 2010 ajudou a tornar menos atrativas as vendas externas brasileiras de celulares.
Macedo explicou que a trajetória descendente no nível de atividade da indústria de celulares, ao longo de 2010, é visível ao se comparar a evolução trimestral da produção industrial do setor, que subiu 16,3% no primeiro trimestre; avançou apenas 0,9% no segundo trimestre; caiu 3,8% no terceiro trimestre; e recuou 13,6% no quarto trimestre, sempre na comparação com igual trimestre do ano anterior.
Outro setor que também mostrou trajetória descendente em sua evolução trimestral, ao longo de 2010, foi o de eletrodomésticos, cuja produção subiu 44,2% no primeiro trimestre; avançou 34,6% no segundo trimestre; caiu 8,3% no terceiro trimestre; e recuou 4,3% no quarto trimestre.
Macedo explicou que os desempenhos de produtos das linhas branca e marrom (eletrodomésticos e móveis) foram afetados negativamente pela retirada dos benefícios fiscais de isenção e de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).