Prazer em viajar com a casa nas costas
O que leva as pessoas deixarem o conforto de suas casas, para se jogar nas estradas desse imenso Brasil, a bordo de um motor home? Talvez o mesmo conforto que encontram no lar, mas com o incremento da liberdade de poder a cada dia, ter um novo quintal para admirar….
O que leva as pessoas deixarem o conforto de suas casas, para se jogar nas estradas desse imenso Brasil, a bordo de um motor home? Talvez o mesmo conforto que encontram no lar, mas com o incremento da liberdade de poder a cada dia, ter um novo quintal para admirar.
Esse é o espírito dos campistas, que desembarcaram na semana passada aqui em Pomerode e permaneceram mais que uma semana no Parque de Eventos.
Foram centenas de motor homes, de diversas partes do país, que novamente participaram do encontro promovido pelo Grupo Roda Mundo, de Santa Catarina, que é presidido por Alcemir Correa.
O evento aconteceu pela segunda vez aqui na cidade e justamente pelas: receptividade, estrutura e apoio das autoridades locais, foi possível viabilizar o encontro, conforme enfatizou uma das integrantes do Roda Mundo, Ivonete Weiss, 61 anos, que na companhia do marido, Harald Weiss, está há um ano fazendo parte deste movimento que não para de crescer no Brasil.
A prova de que cada vez mais, cresce o interesse por motor homes é o número de participantes que de 214 em 2010, pulou para mais de 240 em 2011.
O objetivo do campismo é integrar famílias; aproveitar para conhecer todos os cantos do país e adquirir uma bagagem cultural que muitos pacotes de viagens não proporcionam.
Porém, se não fosse o mau tempo, muitos outros campistas teriam comparecido; assim acredita Ivonete, que falou em nome do presidente que tinha se ausentado do parque, para ministrar aulas em uma universidade da região.
Inclusive, os campistas do Roda Mundo estenderam sua permanência na cidade como forma de retribuição a tudo que receberam da sociedade e das autoridades pomerodenses. “Decidimos ficar até quinta-feira 08/09, para que desta forma pudéssemos participar do evento beneficente do Hospital Maternidades Rio do Testo”, enfatizou a campista.
Durante esses dias que ficaram na cidade, eles assistiram diversas apresentações culturais dos grupos folclóricos existentes no município e até mesmo uma apresentação exclusiva do humorista Paulinho Mixaria, que disse aos participantes que ele deve ser o próximo a levar a vida na estrada com suas casas nas “costas”. “Temos que agradecer muito ao prefeito Paulo Pizzolatti, ao Secretário de Turismo e ao gerente do Parque, Marcos Aurélio Parquinelli. Foram eles que deram o suporte para todo esse sucesso”, explicou.
Mas para entender o perfil dos apaixonados por motor homes, precisamos entrar no mundo deles e conhecer um pouco desse estilo tartaruga de levar a vida, carregando sua casa para onde for.
Os campistas
A campista Ivonete ressalta que na maioria dos casos, os integrantes do movimento campista são pessoas aposentadas que buscam uma vida aventureira. Precisam ser pessoas abertas à amizade e com o espírito de igualdade.
São pessoas que gostam de viver ao ar livre e em contato com a natureza, mas também precisam ter a capacidade de se relacionar com as pessoas.
Eles saem em busca de conhecer novas culturas e em alguns casos chegam até morar no automóvel. “No meu grupo não há ninguém que more no motor home, mas há pessoas aqui no encontro que estão fora de casa desde abril e devem ficar ainda mais tempo porque durante o encontro já são programados os próximos que irão acontecer, nos meses seguintes”, contou.
Esses campistas que passam longos períodos na estrada têm como parada campings espalhados pelo país, postos de gasolina com segurança e normalmente viajam em caravana.
O espírito de igualdade tratado anteriormente é justamente o desapego ao material que o campista tem. Mesmo com um veículo extremamente moderno, equipado e caro, nos encontros ele se iguala e se torna apenas mais um, abusando da simplicidade.
O campismo está organizado no Brasil e a maioria dos estados já possui associações que realizam encontros mensais e neles trocam muitas experiências e planejam os encontros seguintes.
Mas a maior preocupação para quem quer entrar neste meio, é o custo de um motor home. Eles costumam variar bastante, mas partem de R$ 80 mil, porém durante esse evento tinha veículos que custavam mais de um milhão de Reais.
Um hobby caro, porém para quem adota esse estilo de vida é um investimento que se transforma em liberdade de poder conhecer novos lugares e outras culturas.
História curiosa
O escultor Erwin Teichmann era um amante do caravanismo, como também é conhecido o campismo. Ele andava com um motor home pelo Brasil em busca de inspiração para suas peças.
Essa influência é possível ver em suas obras, principalmente nas que fez sobre animais.
A história foi contada durante a abertura do evento e deixou muitos participantes emocionados.
Sonho de 20 anos
Ivonete e seu esposo Harald há um ano estão na estrada com seu motor home. Um sonho de 20 anos que após os dois se aposentarem e pararem de trabalhar foi possível realizar.
Ivonete professora aposentada e Harald policial civil e advogado aposentado, agora curtem a vida contemplando a cada dia um novo jardim. Eles viajam em um veículo que tem bastante conforto, com quarto, sala e banheiro. Não faltam micro-ondas, máquina de lavar roupa e televisões. Conforto, que Ivonete gosta de frisar que é simples comparado a outros automóveis. Mas mesmo assim, ela deixa tudo organizado para que ali sintam-se tão em casa quanto na própria casa. “Nos sentimos mais em casa no motor home, do que nas nossas próprias casas e ficamos loucos para ter a próxima viagem”, garantiu Harald.