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Porcelanas Schmidt: Nova diretoria promete reativar empresa

 Após dois meses de promessas de salário e da maioria dos funcionários sem informações a cerca do futuro da empresa, dirigentes da Porcelanas Schmidt parecem ter encontrado uma luz no fim do túnel. A maior indústria de porcelanas da América Latina estava ameaçando fechar as portas por uma má administração…

9 de setembro de 2010

 Após dois meses de promessas de salário e da maioria dos funcionários sem informações a cerca do futuro da empresa, dirigentes da Porcelanas Schmidt parecem ter encontrado uma luz no fim do túnel.
A maior indústria de porcelanas da América Latina estava ameaçando fechar as portas por uma má administração que soma uma dívida gigantesca com funcionários. A viúva de Arthur Schmidt (fundador da Porcelanas), Iange Peper e seus filhos Ingrid e Manfred reuniram 64% das ações da empresa e quebraram o pacto de acionistas, destituindo a antiga Diretoria.
Na quinta-feira, 02/09, uma Assembleia Geral, em Campo Largo, foi realizada, e os acionistas escolheram uma nova diretoria, a fim de iniciar um novo ciclo que reerga a empresa. O novo presidente escolhido foi Nelson Luiz Vieira de Moraes e Lara, que já foi um dos administradores das Porcelanas, ainda nos períodos considerados de sucesso pela empresa, onde Nelson era o Diretor Comercial (2001).
Em entrevista, a nova Diretoria decidiu dar prioridade aos pagamentos atrasados de todos os funcionários, tanto da unidade Campo Largo, quanto da unidade Pomerode. De acordo com o presidente do sindicato da cidade, Alzir Beber, o novo presidente assumiu todos os compromissos com os funcionários das duas cidades. ?Ele falou que vai honrar todos os pagamentos o mais rápido possível, para que a empresa volte a funcionar na mesma rapidez?.
O novo presidente está viabilizando a entrada de recursos, mas não marcou data para o pagamento. ?Ele falou que a antiga diretoria só prometia datas, e que com ele vai ser diferente. Para ele, a prioridade são os salários, e quanto antes conseguir pagar, melhor vai ser, sem olhar datas?, confirmou Alzir. O novo presidente da empresa, em entrevista, completou as palavras do sindicato. ?Se eu marcar uma data agora não estarei agindo corretamente, pode ser 24 horas, 48 ou 72, ou mais, mas quando eu estiver com o dinheiro na conta da empresa, farei em primeira mão o pagamento dos trabalhadores. Se eu receber hoje, o dinheiro estará nas contas dos funcionários amanhã, e se eu receber pela manhã, o dinheiro estará na conta à tarde?, afirmou em entrevista coletiva na quinta-feira.
A promessa é solucionar os salários em, no máximo três semanas, para que então, a empresa volte a funcionar. ?A Nova Schmidt vai resgatar os valores da época da fundação da empresa, da época de Arthur Schmidt?. Alzir confirmou as palavras do presidente, ainda lembrando que assim que os salários sejam colocados em dia, os funcionários certamente voltarão a trabalhar. ?Para o futuro, ainda queremos ampliar, voltar a fazer decorações e xícaras, mas primeiro tem que resolver o agora?.
Para a nova diretoria, os problemas das Porcelanas Schmidt são recentes. O novo presidente afirma que nos 17 anos que se sucederam à morte de Arthur, a empresa tomou um rumo errado, ?a Diretoria tomou decisões equivocadas que resultaram num prejuízo incalculável, que quase a levou à falência?.
Além dos compromissos salariais, o novo presidente ainda deseja resgatar os valores da marca, que por muito tempo foi líder de mercado. ?Acredito que é possível?. O trabalho não será fácil, segundo o mesmo, e mudanças serão extremamente necessárias, o que inclusive, deve resultar no fechamento da unidade de Mauá, trazendo a administração e o setor de decoração novamente à Campo Largo. ?O trabalho de recuperação da empresa vai demorar uns dois anos, nos quais vou precisar do apoio e compreensão dos parceiros?.
Durante a quinta-feira, após a posse da presidência, Nelson participou de reunião com o grupo de investidores, à qual pertence a Tacto, a fim de conseguir investimentos para reerguer a empresa. Há também a possibilidade de investidores estrangeiros auxiliarem nesse processo. ?Esta possibilidade é real e vamos analisar a necessidade e a viabilidade?.
Quando perguntado como realizaria os pagamentos dos salários, o novo presidente afirmou que a empresa está vendendo dois imóveis, na Lapa, e esse dinheiro será capitalizado e utilizado para pagamento de antigos salários. Além de Nelson, foram eleitos nesta quinta-feira, para a Diretoria de Produção, Martin Schmidt, e para a Diretoria de Marketing, Ingrid Schmidt.

 

Na Justiça

No início do mês de Agosto, no Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Cerâmica de Pomerode, cerca de 200 funcionários foram convidados a participar de uma Assembleia para decidir se entravam ou não na Justiça contra a empresa. A pauta era a cobrança dos salários atrasados, que somavam dois meses. A proposta apresentada foi o pedido de demissão via Sindicato, na qual, os funcionários poderiam procurar novos empregos a partir da data de entrada no processo, e ainda, garantir seus direitos, como o fundo de garantia.
Os funcionários que entraram com o pedido de demissão via Justiça, segundo Alzir Biber, poderão levar o processo adiante ou até mesmo cancelá-lo. A audiência da maioria dos processos havia sido marcada para outubro, e, segundo o sindicato, provavelmente a diretoria da empresa tentará alguma negociação com os funcionários. ?Eles devem conversar com os interessados para fazer um acordo, a princípio até pedir para que eles voltem ao trabalho?, confirmou Alzir.
Foram 32 pessoas que realizaram este pedido via sindicato no mês de Agosto, mas ao todo, o número de demissões em Pomerode chega a 38. ?Eles vão fazer a proposta para cada funcionário, e ele poderá escolher se deseja ou não voltar a trabalhar nas Porcelanas, vai ficar a critério de cada um?.

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