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Por um mundo mais organizado e doce

Que as abelhas são uma sociedade altamente organizada, isso ninguém tem dúvida. O apicultor é o profissional que faz o manejo destes insetos mais do que especiais, com o sistema de caixilhos removíveis, feitos de madeira e onde as abelhas constroem os favos. Essa prática remonta ao ano de 2.400 a.C.,

1 de junho de 2015

Que as abelhas são uma sociedade altamente organizada, isso ninguém tem dúvida. O apicultor é o profissional que faz o manejo destes insetos mais do que especiais, com o sistema de caixilhos removíveis, feitos de madeira e onde as abelhas constroem os favos. Essa prática remonta ao ano de 2.400 a.C., no antigo Egito, uma vez que a importância do mel para a humanidade é indiscutível, pois é o adoçante mais antigo de que se tem notícia.No dia 22 de maio, comemora-se o Dia do Apicultor. Em Pomerode, há uma família muito tradicional nesta arte, que traz no manejo de abelhas, não somente o seu ganha-pão, mas também um estilo de vida. Théo David Tribess, de 39 anos, é apaixonado pelas abelhas, e conta um pouco da trajetória de sua família neste ramo. Na vinda dos colonizadores para nossa região, entre bagagens e ferramentas, estavam também as colmeias de abelhas de raça europeias (Apís carnicas e calcazianas), e italianas, muito dóceis, como conta meu pai, Celso Tribess, um dos pioneiros da apicultura em nossa região. Assim sendo, meu bisavô e também meu avô mantinham suas colmeias no quintal de suas casas e ranchos, e meu pai amava sentar-se ao lado delas para observar as abelhas campeiras, indo a campo e vindo com as bolinhas de pólen nas patinhas.
No entanto, no ano de 1956, o apicultor e pesquisador, Warwick Estevan Kerr, importou do continente africano, com apoio do Estado de São Paulo, as temíveis Africanas. Apesar de muito produtivas, eram extremamente irritadiças. Houve, então, uma grande apatia às abelhas, por parte dos nossos colonizadores, pois elas se alastraram rapidamente em todo território nacional, cerca de 200 km por ano. Assim, nos anos 60, já estavam em nossa região. Há episódios de invasão em estábulos, galinheiros e inclusive casas, quando incomodadas, vindo a matar aves, animais domésticos e, às vezes, alguma cabeça de gado, conta.
Mas tudo começou a mudar nos anos de 1970, quando uma nova linhagem foi criada, do cruzamento das abelhas Europeias com as Africanas, resultando na espécie Africanizada com grande poder de produção e mais mansa. Isso fez rebrotar a paixão por estes pequenos animais. Então, em 1971, Celso iniciou profissionalmente sua criação e a comercialização do fruto deste trabalho, o delicioso e aromático mel.
Assim, cresci também entre as abelhas, pois com cinco anos de idade, já ia de ‘abelhudo observar as revisões e colheitas. Moleza esta, que acabou alguns anos mais tarde, quando já era o operador do fumigador. Minha tarefa era manter a colmeia sob nosso controle, para que pudéssemos realizar as tarefas. Em 1990, fui estudar no colégio Agrícola de Camboriú, cursar o Curso Técnico Agropecuário. Após, ainda realizei cursos profissionalizantes de produção de geleia real, pólen, própolis e criação de rainhas, na cidade das Abelhas, em Florianópolis. Hoje, o amor pelas abelhas e pela apicultura continua sendo mantido na família, e o mel e seus subprodutos, como pólen, própolis e geleia real tornaram-se segmento de produtos de nossa empresa, conta.
Para aqueles que queiram iniciar a criação de abelhas, Théo dá algumas dicas. Devo lembrar, aos interessados, que deve-se tomar todos os cuidados necessários ao manejar uma colmeia, utilizando os equipamentos adequados e, principalmente, a escolha de um local apropriado para a instalação da ou das colmeias, sempre afastados de residências e locais onde existam animais. Uma abelha chega a percorrer um raio de 1500m do local de sua colmeia. Por isso, é importante que ela esteja localizada em um local apropriado.

Animais fantásticos – As abelhas têm uma sociedade extremamente organizada, que fascina pela sua composição e hierarquia. Elas agem de acordo dom o clima, que influencia no seu estado emocional. A abelha é mais agressiva quando não está trabalhando, ou seja, num dia nublado ou chuvoso. Em dias de sol, ela se torna menos agressiva, pois há condições de cumprir as suas tarefas. Além disso, as tarefas se dividem por idade e esta organização facilita o trabalho do apicultor. Se o ser humano seguisse o modelo de vida das abelhas, viveríamos num mundo muito melhor, exalta Théo.
Uma passagem interessante aconteceu quando Théo era adolescente ainda. Em uma oportunidade, nós havíamos feito uma colheita e acondicionado o mel e os favos em um de nossos galpões. Pois as abelhas voltaram e ‘saquearam todo o nosso estoque. Havia muitas delas mortas no chão, uma vez que houve a invasão de colmeias diferentes. Nós não estávamos presentes e quando voltamos, o enxame tinha tomado conta. Não tivemos alternativa senão esperar.
A paixão pela apicultura está no sangue e Théo aproveita a oportunidade para parabenizar a todos os apicultores pela passagem do seu dia. Em especial a meu pai, Celso Tribess, e ao parceiro, Lauro Sauer e família, que iniciaram um negócio de sucesso e propagaram esta paixão mais do que doce, finaliza.

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