População deve ficar alerta para doenças da chuva
Para evitar acidentes e surtos de doenças como a leptospirose, que é favorecida pela ação transmissiva da água no período das chuvas, alguns cuidados dever ser tomados.
Durante enchentes e alagamentos, a população acaba ficando mais exposta à leptospirose, hepatite, diarreias e cólera, as chamadas doenças de veiculação hídrica – transmissão pela água contaminada por vírus, bactérias e outros agentes infecciosos.
A leptospirose é transmitida por meio da água contaminada pela urina de ratos. O maior perigo está na limpeza e desinfecção de casas, utensílios, caixas d’água, móveis, já que a pele com cortes ou arranhões ou em contato prolongado com a água facilita a penetração da bactéria causadora da doença, que pode levar à morte.
Entre as hepatites (inflamação no fígado), a do tipo A, principalmente, também ocorre em episódios de enchentes e alagamentos. É uma doença virótica, de transmissão oral-fecal, que atinge as pessoas através de alimentos, água e utensílios contaminados.
As diarreias podem ser causadas pela água contaminada por vírus, parasitas e/ou bactérias. A água contaminada pelo vibrião colérico provoca cólera, uma forma gravíssima de diarreia.
Medidas simples
Os sintomas de todas essas doenças são semelhantes: febre, mal estar, vômito, diarreia. A principal recomendação é de que a pessoa procure o serviço de saúde mais próximo rapidamente, assim que surgirem os primeiros sintomas, pois o diagnóstico precoce favorece o tratamento. É importante que o paciente não faça automedicação, o que pode agravar o quadro das doenças. Embora sejam graves, existem medidas simples que podem ajudar a prevenir essas doenças.
Ao fazer a desinfecção e limpeza da casa, móveis e utensílios, é preciso proteger a pele do contato direto e prolongado com a água. Para isso, se a pessoa não tem luvas e botas, pode usar sacos plásticos duplos.
Além disso, deve ser usado hipoclorito de sódio (duas gotas em cada litro d’água, esperando 30 minutos para beber). Na desinfecção de todos os objetos, casa, caixas d’água, móveis deve-se utilizar água sanitária (200 ml de água sanitária para 20 litros de água), caso não seja possível fervê-la antes. Em hipótese alguma deve ser usado cloro utilizado na limpeza de piscinas porque possui outras substâncias em sua composição. Alimentos e remédios que foram atingidos por alagamentos e enchentes não devem ser consumidos, mesmo se estiverem embalados ou forem lavados.
Saiba mais sobre a leptospirose
O que é
É doença infecciosa, uma zoonose, causada por uma série de bactérias de aspecto muito peculiar lembrando um saca-rolha, chamada leptospira. A forma mais grave da doença e com mais alta mortalidade é associada ao Leptospira icterohaemorrhagiae, chamada, com mais propriedade, doença de Weil.
Como se adquire?
A infecção humana na maioria das vezes está associada ao contato com água, alimentos ou solo contaminados pela urina de animais portadores do leptospira. As bactérias são ingeridas ou entram em contato com a mucosa ou pele que apresentem solução de continuidade. Os animais classicamente lembrados são os roedores, mas bovinos, equinos, suínos, cães, e vários animais selvagens são responsáveis pela difusão da doença. A contaminação entre pessoas doentes é absolutamente rara.
O que se sente?
A doença é classicamente descrita como se mostrando em duas fases distintas. Após um período médio de duas semanas desde a contaminação surgem os 1os sintomas (incubação) febre, calafrio, conjuntivite, dor nos músculos (mialgia), fotofobia (incômodo na presença da luz), dor de garganta, gânglios no pescoço, estes sintomas vagos permanecem por 03 a 07 dias. Quando parece que está chegando à cura, recrudescem as queixas. A piora é secundária à disseminação da doença, agora com envolvimento de vários órgãos e do sistema vascular. Surgem novos e importantes sintomas icterícia (amarelão) e hemorragia que dão nome à própria bactéria (Leptospira icterohaemorrhagiae), no maior número de casos a doença é autolimitada, persistindo por 1 a 3 semanas. A moléstia pode ser mortal em 5 a 20% dos casos principalmente em idosos. A morte se dá frequentemente por insuficiência renal.
Como se faz o diagnóstico?
A suspeita clinica, mialgia (dores musculares), febre e conjuntivite, acrescidas da possibilidade de contato com: água, alimentos, vísceras, solo, etc. contaminados por animais que estejam excretando leptospira, principalmente o contato com urina de roedores autorizam a investigação laboratorial. A leptospira pode ser isolada do sangue ou do líquor nos primeiros 10 dias da doença; da urina a partir da segunda semana onde persiste por 30 dias ou mais. As técnicas de cultura são demoradas e difíceis. Anticorpos podem ser identificados sorologicamente durante ou após a segunda semana. De maneira geral estes testes são realizados em laboratórios oficiais.
Como se previne?
A leptospirose é problema de saúde pública. A imunização de animais domésticos está indicada de rotina. A falta de controle dos ratos e as más condições de vida da população estão ligados à maioria dos casos no Brasil. Algumas profissões (agricultores, trabalhadores em abatedouros, caçadores, veterinários, lenhadores, pessoas que trabalham em esgotos, em arrozais e militares), têm tal risco de pegar a doença que tanto a vacinação humana como os usos profiláticos de antibióticos podem ser indicados.