Ponto a Ponto
por Karol Pinto
Atleta pomerodense
A atleta da APODEF, Dani, aluna do Colégio Doutor Blumenau e filha da diretora da instituição, Margareth Ripp Butzke, estará representando Pomerode e Santa Catarina nas Paraolimpíadas Escolares, realizada em São Paulo. Participarão aproximadamente 300 atletas do evento. Dani será acompanhada por sua treinadora, Ilsani, responsável pelo treinamento esportivo de nossos atletas especiais do município. Ano passado Dani ficou em sexto lugar no nado de costas e sétimo lugar no crawl. Fica registrada a nossa torcida.
Furb Federal
Parabéns para as mais de sete mil pessoas que foram às ruas, mesmo em um dia frio e chuvoso, promover a manifestação pela FURB Federal. Foi uma verdadeira demonstração de cidadania, de luta pelos direitos e pela democratização e acessibilidade da educação em nosso país, principalmente aos mais desfavorecidos economicamente. Que a ação sirva de exemplo.
Norma x Patrícia: novamente a ficção gera mais polêmica que a realidade
Norma e Patrícia, duas mulheres assassinadas. A primeira não era nada mais que uma personagem interpretada pela atriz Glória Pires na novela Insensato Coração, a outra uma juíza, norteada pelos princípios e valores da honestidade e da ética. A personagem Norma moveu o mundo para se vingar de seu amado, usou pessoas, tirou obstáculos de seu caminho, chantageou, roubou documentos, tudo em nome da vingança feminina. Patrícia estudou, ralou muito para conseguir o tão sonhado título de juíza em um país de oportunidades restritas. Norma recebeu de sua sogra três tiros no peito, a queima-roupa, na tentativa de isentar de culpa seu filho por mais um crime cometido, que somaria a longa ficha criminal construída ao longo da novela. Patrícia Acioli teve seu corpo atingido por 21 tiros de armas de calibre 45 e ponto 40, o suficiente, falando ironicamente, para morrer várias e várias vezes. Norma foi um dos assuntos mais comentados no Twitter por mais de 24 horas. Infelizmente, não há nada nos temas mais debatidos sobre o assassinato da juíza Patrícia assassinada quando estava regressando do Fórum de São Gonçalo, para a sua casa. Norma morreu praticamente sozinha, com poucas pessoas chorando a perda. Uma amiga da época da prisão e uma ou outra pessoa que momentaneamente tenha ficado comovida. Patrícia não, ela morreu com várias outras pessoas, os tiros que a atingiram também me mataram um pouquinho. A mim e a milhares de brasileiros que sentiram a perda de um dos ícones que combatia a impunidade em nosso país. Não a velamos, não depositamos flores em seu túmulo, não faltamos em nossos trabalhos, não deixamos de tocar nossas vidas. Mas sofremos. É como se no tão sonhado caminho que leva para um país melhor, tivéssemos retrocedido alguns bilhões de passos, enquanto milícias compostas por traficantes, criminosos, bandidos, tivessem novamente descoberto um atalho. Os tiros não tiveram só Patrícia como alvo; e sim toda a sociedade. Manchetes estampadas nas capas de grandes jornais do Rio de Janeiro revelaram ameaças feitas a Patrícia: “Bicheiro ameaçou explodir juíza: Vai chorar sangue” e ainda “Consórcio de bandidos pode ter matado Patrícia Acioli”. Li em um blog que comentava o assunto, algo que me marcou, trecho de um artigo assinado por Clóvis César Lanaro que diz o seguinte: “Quando a sociedade é complacente com a violência, ou é culpada ou perdeu a esperança. Quando a violência chega ao ponto de não fazer escolhas de ataque, quer chamar a atenção para algo mais profundo. E mais profundo do que a perda de uma vida. E a que a violência quer chamar a atenção? Além de mostrar poder, a violência indiretamente mostra a hipocrisia da sociedade”. Voltando a Norma, sabemos tudo de sua vida, que de real nada tem. Sabemos que foi casada com Theodoro Amaral, que mudou seu estilo simples para algo mais sofisticado e que deixou a figura retraída de lado para incorporar uma mulher vingativa. E o que sabemos de Patrícia, da nossa juíza assassinada? Sabemos apenas que ela tinha 47 anos e que deixou três filhos. Sabíamos que ela era uma mulher do bem, que tinha sua consciência tranquila, que honrava seu salário, que cumpria seu dever e suas obrigações com maestria. Sabemos também que seu nome encabeçava a lista dos magistrados que o crime organizado decide tirar de circulação simplesmente por representarem um obstáculo para seus objetivos. O assassinato da Doutora Patrícia manchou com sangue a história da magistratura brasileira. Não foi considerado um assunto tão importante para configurar entre os mais comentados nas redes sociais. Grande parte das pessoas considera chato ler, refletir, e muito mais ainda, comentar sobre polêmicas sociais. É mais divertido, prazeroso e confortável discutir o final do namoro do cantor Justin Biber, o filho do jogador Neymar que nasceu nesta semana, as celulites das famosas reveladas em fotos indiscretas, o coque mal feito da atriz global que foi flagrada sem maquiagem enquanto saia da academia. Impunidade? Criminalidade? Imparcialidade? Não quero saber disso, já tenho meus problemas. Vamos falar sobre a Fazenda e o último eliminado, vamos comentar o término de mais um namoro relâmpago da recém-mãe e ex-mulher Daniele Winits. Patrícia é só um nome, só mais uma personagem, só mais uma estatística. Norma não, essa sim, será lembrada por muito e muito tempo. Depois falam que brasileiro não tem memória, discordo completamente. Temos sim, para aquilo que nos interessa. Se formos aquilo que comemos, como diz o dito popular, somos também aquilo que assistimos na televisão, aquilo que procuramos nas revistas e sites de fofoca. E, sinceramente, recuso-me a contribuir para essa definição, prefiro me abster por receio de como sairiam estas palavras e seus respectivos contextos.
Para refletir…
“Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais conseguirão deter a primavera inteira”. “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros”. “Vale milhões de vezes mais a vida de um único ser humano do que todas as propriedades do homem mais rico da terra”. (Ernesto Che Guevara de La Serna)