Pomerode segue em alerta devido às chuvas
O município desta vez foi mais atingido e já contabiliza estragos da intensa quantidade de água que caiu em todo o Estado nesta semana.
106 municípios já decretaram situação de emergência em todo o Estado de Santa Catarina. Desde janeiro, as fortes chuvas têm acarretado muitos prejuízos para quase todas as regiões catarinenses, conforme dados da Defesa Civil. Isso acontece porque elas têm ocorrido de forma isolada, não especificamente em pontos uniformes.
O número de pessoas que estão desabrigadas ou desalojadas, não pode ainda ser contabilizado, mas estima-se que os principais problemas estão nos alagamentos, ventanias e deslizamentos de terra.
Pomerode sofre desde a última quinta-feira, 10/02, principalmente com os alagamentos. Diversos pontos da cidade registraramvias inundadas e deslizamentos de terra. Em Testo Rega, algumas Ruas tiveram seu trânsito impedido na data, devido ao alto nível de água que entrou nas vias e em algumas residências. Moradores tiveram dificuldade para voltar às suas casas, muitas com água no pátio e até mesmo entrando nos locais.
Outro local altamente afetado foi o bairro Wunderwald. No bar e cancha Bambuzal, a água estava na altura da cintura. Os proprietários tentavam erguer equipamentos e salvar o que podiam enquanto a chuva ainda castigava a região. A força da correnteza levava vários objetos e dificultava o trabalho.
Mais adiante, no cruzamento, ônibus e veículos não conseguiam realizar o trajeto. A população do bairro se concentrava nos pontos seguros esperando a água baixar para retornar às suas residências, muitas invadidas pela água e por muita lama. Alguns ainda se arriscaram e fizeram o trajeto de bicicleta ou à pé.
Além dos bairros citados, a Rua Ribeirão Gustmann (Canudos) também teve grandes consequências na quinta-feira.
A chuva castigou outros pontos na segunda-feira, onde a Defesa Civil e a Secretaria de Obras e Serviços Públicos (Seosp) retomaram o trabalho de acompanhamento e tentativas de solucionar os problemas. De acordo com informações da Prefeitura Municipal, até o final da segunda-feira, os dois órgãos ainda não tinham percorrido todos os pontos alagados da cidade, a fim de atender a comunidade e verificar os locais críticos.
Um levantamento está sendo realizado para a emissão do Relatório de Avaliação de Danos, o Avadam, que será entregue à Defesa Civil do Estado e Nacional. Este documento declara a situação de emergência do município decretada pelo Prefeito Paulo Maurício Pizzolatti, ainda na quinta-feira (10/02).
Conforme dados da Secretaria de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente (Sederma), no mês de fevereiro choveu 267 mm. Na segunda-feira, registrou um grande índice, onde choveu 60 mm, quase metade do esperado para o mês inteiro (150 mm).
Na data citada, a Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (COMDEC) e a equipe da Secretaria de Obras levantaram pontos de alagamento nas ruas: Presidente Juscelino, Hilário Krueger, Hermann Shewanke, Frederico Blank, Alberto Spredemann, Ribeirão Areia, Luiz Karsten, Rua Caçador, todas as ruas próximas ao Supermercado Mocam, Ribeirão Souto, Vila Nova, Parte da Avenida 21 de Janeiro, Rua Pomerânia, Jardim Pomerânia, parte da Rua Ribeirão Herdt e Rua São Joaquim.
A escola E.E.B.M. Prof. Vidal Ferreira, em Pomerode Fundos, foi atingida novamente e teve suas aulas canceladas. “Muitos alunos nem vieram para a aula porque não conseguiram sair de suas residências. Os que chegaram, viram que a escola seria afetada e foram levados novamente para suas casas”, relatam os funcionários da escola.
A extensão da C.E.I.M. Rosa Borck, no Centro, também sofreu com a chuva forte e o acesso da E.E.B.M. Duque de Caxias foi interferido, devido ao alagamento na Rua Ribeirão Areia.
Muitos moradores de diversas Ruas de Pomerode entraram em contato com o Jornal de Pomerode para reivindicar melhorias em vias que sempre alagam. “Na Luiz Karsten, toda vez que chove alaga. Como estamos em uma rua bem central da cidade, estamos cansados de conviver com isso”, relata o morador.
Já os moradores da Rua Concórdia, Testo Rega, pedem a tubulação maior e instalação de bocas de lobo, pois com as chuvas, a via acaba alagada e intransitável. “Os moradores desta rua estão realmente decepcionados com a demora de uma solução, pois toda vez que chove, pegamos água em nossas casas”, conta. Outro morador conta que como está chovendo muito, o solo já não consegue mais absorver a água. “Sabemos que não é somente a Rua Concórdia que está com problemas, mas precisamos de soluções urgentes, pois desde as enxurradas de 2008, pedimos essa tubulação maior”.
Até o final desta tarde de segunda-feira, a Defesa Civil constatou que não havia mais ponto de alagamento em Pomerode, comparado com o período matutino. A preocupação, naquele momento, voltou-se aos deslizamentos e quedas de barreiras em diversas ruas. A mais atingida durante a madrugada foi a Rua Hermann Schroeder, que ficou totalmente obstruída, inclusive com queda dos fios de alta tensão.
A Rua Rodolfo Sell, em Pomerode Fundos, foi interditada em toda extensão para tráfego de veículos de grande porte, pois houve um princípio de deslizamento afetando, em partes, a estrutura da estrada. Pede-se aos moradores que evitem transitar no local. “Se alguma pessoa necessitar de cuidados médicos contínuos, deve ser deslocada, pois se o deslizamento se concretizar, essa localidade ficará sem acesso”, explica o coordenador da Defesa Civil, Ademar Marquardt.
O trecho da Rua Vale dos Irmãos, que dá acesso à Rua dos Parapentes, também está interditado. Na localidade de Ribeirão Areia, a Defesa Civil e Secretaria de Obras e Serviços Públicos (Seosp) estão trabalhando com caminhão equipado com guincho para retirar árvores de grande porte, que causam ameaças.
A Prefeitura informa também que há um princípio de deslizamento na Rua dos Atiradores, em Testo Central, próximo ao cemitério. A Defesa Civil permitiu somente a limpeza da via, pois com as condições climáticas desfavoráveis, a situação do deslizamento pode se agravar. Os acessos principais às cidades vizinhas estão liberados. Porém, a situação está bastante precária na SC-416, que dá acesso à Jaraguá do Sul.
Primeiras medidas
A Defesa Civil, com auxílio de todas as secretarias municipais, na segunda-feira, iniciou os trabalhos de cadastro das residências atingidas. Contudo, ainda faltaram residências em regiões que não puderam ser visitadas.
Como primeira medida do órgão, em Pomerode Fundos, foi reconstruída a cabeceira de ponte, localizada em frente à E.B.M. Prof. Vidal Ferreira. Com as fortes chuvas, o asfalto sobre a ponte ficou suspenso, o que poderia ocasionar acidentes futuros. Ainda em Pomerode Fundos, a Seosp realizou desassoreamento de uma parte do leito do rio.
No Ribeirão Areia, foram reiniciados os trabalhos de desassoreamento, inicialmente com a retirada de árvores de grande porte, que dificultavam a continuação do processo de drenagem.
De acordo com a Seosp, a maior parte dos trabalhos realizados nesta semana é a abertura de bocas de lobo e auxilio na limpeza de residências com o uso dos carros pipa.
Outra medida tomada foi pela Secretaria de Cidadania e Desenvolvimento Social, (Secid), que na sexta-feira, 11/02, visitou 15 famílias atingidas pelas fortes chuvas. Dessas, quatro solicitaram alimentos, sendo atendidas na sequência. Conforme a Defesa Civil, até o momento, nenhuma pessoa deixou a sua residência. Os locais visitados foram: Rua Rega II, Rega III, Alberto Schulz, no Wunderwald, Raulina Bauer, Rudolfo Utech, Presidente Costa e Silva e Ernesto Volkmann.
Em busca de recursos
O prefeito, Paulo Maurício Pizzolatti, viajou terça-feira, 15/02, junto com o secretário de Planejamento, Dieter Weege e o engenheiro da Defesa Civil, Luiz Gustavo Teixeira até a capital federal, Brasília.
A comitiva entregou uma documentação para reconhecimento da situação de emergência do município, bem como o plano de trabalho para a viabilização de recursos junto ao Ministério da Integração Nacional.
O prefeito retornou na quinta-feira, mas antes de retornar, na quarta-feira pela manhã, informou que já tinha sido protocolada a documentação para o reconhecimento da situação de emergência. Além disso, a comitiva teve uma audiência com o Ministro da Integração e com o secretário da Defesa Civil, onde foi informado que os municípios terão que providenciar uma documentação, ainda enquanto aguardam a resposta oficial do Governo Federal.
Municípios catarinenses seguem em alerta
Moradores do município de Ascurra estão há mais de 72 horas sob constante chuva e correm o risco de ficarem ilhados.
Na manhã da terça-feira, 16/02, o rio Itajaí já estava seis metros acima do nível normal e, se a previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) se mantiver, as águas devem atingir o centro da cidade de Itajaí, podendo também bloquear a BR-470.
Em Jaraguá do Sul, estudantes de escolas continuam sem aulas desde segunda-feira. A cidade decretou situação de emergência em 19 de janeiro, e, desde então, soma estragos das chuvas. Após o decreto, na cidade, já choveu mais 390 mm, sendo mais que o dobro esperado para o mês inteiro. 120 mil pessoas foram afetadas, o que representa mais de 85% da população.
Em Indaial, nos últimos dias choveu 50 mm. Mais de 150 pessoas foram afetadas e 12 residências danificadas desde domingo. Em Ilhota, a chuva de segunda-feira interditou uma creche e uma escola. Houve deslizamentos de terra, mas ninguém ficou ferido.
A mesma atenção é dada ao rio em Blumenau. O nível do Itajaí-Açu chegou a 7,27 m às 23h de segunda-feira. Na terça-feira, as águas estavam mais baixas, mas o nível de alerta permanece.
Pelo site de relacionamento twitter, a Defesa Civil de Santa Catarina informou que em Indaial, as fortes chuvas afetaram 150 pessoas e 12 residências foram danificadas no domingo; Navegantes também foi impactada pelas chuvas, com 3.400 pessoas afetadas. Ocorreram fortes ventos e deslizamentos. Segundo informações preliminares da Defesa Civil da cidade, diversos bairros foram novamente atingidos por alagamentos, são 84 pessoas desabrigadas.
Em Barra Velha, há 106 pessoas desalojadas, 30 residências danificadas e 5.300 afetadas.
A rodovia SC-474, que liga Blumenau a Massaranduba, teve cinco pontos de deslizamento de terra.
A Polícia Militar Rodoviária informou que há trechos em meia pista entre os quilômetros 44 e 52 da rodovia, ressaltando que os motoristas que forem trafegar nestes trechos devem redobrar os cuidados.
Há ainda possibilidade de alagamentos e deslizamentos em áreas de encosta, devido aos volumes de chuva previstos entre 40 e 75 mm a cada 24h. Até sexta-feira, 18/02, as regiões mais afetadas devem ser o Vale do Itajaí e litoral Norte. Como chove desde o início do ano, o solo continua vulnerável.
Na quarta-feira, 16/02, o Corpo de Bombeiros Militares de Santa Catarina inicia as atividades da Força Tarefa composta por 58 bombeiros, 15 viaturas, cinco reboques com quadriciclo, dez reboques com embarcações e 19 cães farejadores. A equipe irá atuar no resgate de pessoas presas em deslizamentos de terra, enchentes, inundações e outros desastres.
Segundo o relatório da Polícia Militar Rodoviária de Santa Catarina, a chuva que caiu entre segunda e terça-feira provocou estragos no km 23 da rodovia SC-428, em Leoberto Leal. Neste ponto, houve uma queda de barreira e o tráfego estava em meia pista.
Na rodovia SC-474, entre os km 29 e 30, em Massaranduba, havia muita lama sobre a pista. O tráfego estava sendo feito pelo acostamento. Em outro trecho da estrada, no km 44 e ao km 45, em Blumenau, houve uma queda de barreira. O tráfego estava sendo feito por um desvio no acostamento. Um alagamento também bloqueou a rodovia SC-301 no km 44, em Araquari.
Até a quarta-feira, em Santa Catarina, já eram 103 municípios em Situação de Emergência 01 em Estado de Calamidade Pública, Mirim Doce, por enxurrada e alagamento, conforme último relatório de decretações da Defesa Civil.
Continua o alerta
E a previsão do tempo não favorece as regiões já atingidas, incluindo Pomerode. Até domingo, ainda espera-se que fortes chuvas assolem as regiões, sendo propícias as condições de alagamento e deslizamentos. Está previsto que, em 24h, chova entre 40 e 75 mm, ou seja, um total de aproximadamente 200 mm até a sexta-feira. As informações são do Ciram/Epagri. O volume de chuva esperado por dia, até sexta-feira, é de 40 a 50mm de Florianópolis a Laguna; de 50 a 75mm de Itapoá a Governador Celso Ramos e de Schroeder a Brusque ,de 30 a 50 mm de chuva.
A Defesa Civil recomenda, em caso de temporais, que as pessoas procurem abrigo em áreas seguras e evitem o trânsito em locais abertos, próximo a árvores, placas ou objetos que possam ser arremessados. A população deve evitar contato com a água e não dirigir em lugares alagados
Em caso de emergência, a comunidade pode entrar em contato com a Defesa Civil pelo telefone 199. Em caso de manutenção de ruas e outras solicitações, pela Ouvidoria Municipal, pelo 3387-7269.
Clique na imagem abaixo para ver todas as fotos (fotos enviadas por leitores também estão inclusas nesse álbum).
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