Pomerode conta com 57 pessoas infectadas pelo HIV
Balneário Camboriú e Blumenau estão numa lista com taxas de HIV maiores do que a média nacional, de 20 infectados
para cada 100 mil habitantes.
O Brasil registrou, em 2015, recorde no número de pessoas em tratamento de HIV e Aids: 81 mil brasileiros começaram a se tratar no ano passado, um aumento de 13% em relação a 2014, quando 72 mil pessoas aderiram aos medicamentos. De 2009 a 2015, o número de pessoas em tratamento no Sistema Único de Saúde aumentou 97%, passando de 231 mil para 455 mil pessoas. Isso significa que, em seis anos, o país praticamente dobrou o número de brasileiros que fazem uso de antirretrovirais.
Neste ano em Blumenau, no Vale do Itajaí, no Centro Especializado em Diagnóstico, Assistência e Prevenção (CEDAP), o número de testes de HIV, que normalmente chegava a 500 mensais, agora ultrapassa os 800 exames, segundo a Vigilância Epidemiológica. Desde o início de 2016, já são 40 resultados positivos. Atualmente, três mil pacientes na cidade recebem medicação para o controle da doença.
Só em 2015, foram mais de nove mil testes de HIV, destes, 405 deram reagente positivo. Cidades do Vale como Itajaí, Balneário Camboriú e Blumenau estão numa lista com 12 municípios catarinenses que têm taxas de HIV maiores do que a média nacional, de 20 infectados para cada 100 mil habitantes.
O tratamento é fundamental para pessoas que tem o vírus, porém segundo Ivonete dos Santos, diretora da Vigilância Epidemiológica de Blumenau, o melhor remédio é a prevenção. “Trabalhamos em grandes eventos todos os anos sempre no intuito de levar informações e a importância da prevenção. E mensalmente realizamos a operação Lua Cheia, onde visitamos casas de prostituição, danceterias, enfim, todos os locais onde existe jovens. Nessa operação oferecemos o teste rápido do HIV e distribuímos preservativos, sempre alertando que a prevenção é o grande diferencial para não adquirir a doença”, explica.
Uma luta de quase 20 anos – Agnes Kloeh Jandre descobriu que era soro positivo há 19 anos e oito meses, quando estava grávida de quatro meses da quarta filha, primeira e única do seu segundo casamento. A história de Agnes com a doença começou no dia 14 de agosto de 1996, e desde lá, passou por muitas etapas. Com a confirmação da doença em um exame realizado por seu médico, Agnes viu seu mundo escurecer ao perder o apoio de grande parte de sua família. Para ela, a maior dificuldade até então. “Meus três filhos do primeiro casamento, em nenhum momento me deixaram. E, claro, meu atual marido, também não. Sou grata a eles por tudo que fizeram por mim, pois alguns familiares se afastaram de mim assim que souberam da doença”, conta.
Após a revelação da doença para as pessoas mais próximas houve uma mudança severa no comportamento de familiares. “Aprendi que mais vale a amizade de um estranho, do que a de um parente. Pois meus amigos de verdade não me abandonaram, já alguns familiares eu não posso dizer o mesmo”, conta emocionada.
Segundo Agnes a rejeição da família não foi a única. “Quando a informação se espalhou, as pessoas começaram a me olhar diferente na rua. Fui apontada em muitos lugares e descobri, naquele momento, quem realmente poderia considerar para vida inteira”, relata.
Assim que essa rejeição da população foi aumentando Agnes e o marido decidiram mudar-se de Pomerode e foram para outra cidade reiniciar a vida longe dos comentários maldosos e os dedos apontados. “Mudamos para Presidente Getúlio e por lá ficamos cinco anos. Fomos procurar paz depois que meu marido foi mandado embora do emprego dele. Mas um tempo depois dei minha cara a tapa, ergui a cabeça e voltei para Pomerode, e aqui estou até hoje. Eu me amo em primeiro lugar, dedico meu tempo a minha família e jamais deixo de ir aos lugares, adoro uma festa, um baile”, brinca.
O tratamento para a doença é eterno e Agnes alerta sobre a importância de efetuá-lo com eficiência. “O tratamento é o mais importante. Tem gente que reage a ele, mas eu, graças a Deus, nunca tive problemas de adaptação”, completa.
A adaptação a nova rotina de medicamentos também não foi um problema para Agnes. “Nunca tive problema em aceitar a doença. Há tantas outras doenças piores e que matam. Precisei ser forte, mas isso eu sou até hoje. E não tenho vergonha alguma”, afirma.
Vergonha. Talvez para muitos soros positivos essa seja a palavra com maior impacto, depois de preconceito. Afinal, nunca é fácil assumir uma doença. Ainda mais quando ela é tão vinculada a falta de cuidado.
A melhor forma de evitar o contato com a doença é a prevenção. E, de maneira simples, a prevenção pode evitar grandes riscos. “As mulheres tomam anticoncepcionais, mas isso só evita a gravidez. A camisinha é fundamental para proteção. Então, para os jovens que estão lendo essa matéria, não esqueçam da prevenção, ela é o melhor remédio”.
Casos de HIV em Pomerode – Segundo informações repassadas pela Secretaria de Saúde do município, Pomerode conta hoje com 57 portadores de HIV, sendo destes, 34 homens, 22 mulheres e uma criança. Em média, por ano, são efetuados 486 exames (incluindo todos os convênios, particulares e via SUS).