Geral

Pomerana também de novidades

Cultura e tradição são os pontos fortes da Festa mais alemã do Brasil e, pensando nisso, dois instrumentos mais do que
culturais foram trazidos ao evento: o violino do diabo e o realejo

26 de janeiro de 2016

Quem assistiu ao Desfile Cultural da 33ª edição da Festa Pomerana pôde acompanhar a atração ao som das mais tradicionais músicas alemãs.

No entanto, duas novidades nesta edição têm chamado a atenção. Instrumentos artesanais, construídos por Ivan Blumenschein e Loreno Buss, trazem a pomerodenses e visitantes conhecimento e o verdadeiro som da Alemanha.

O Teufel Geige ou Violino do Diabo é uma produção de Loreno Buss, que explica a sua origem. “O Violino do Diabo surgiu na idade média, na Alemanha, e acompanhava boa parte dos desfiles das festas típicas, nos quais as pessoas saiam pelas ruas convocando os outros para a festa, o desfile, a bagunça. Foi aí que surgiu o nome. Violino, pois se assemelha um pouco em sua forma com o instrumento. Mas o diabo não se refere a nenhuma maldição, é apenas da expressão ‘lá o diabo está solto”, referindo-se à bagunça. É um instrumento de percussão para acompanhar os de sopro e convidar a população a participar da festa”, revela.

Para a sua construção, Loreno efetuou pesquisa bibliográfica. “Esse instrumento é uma reconstrução. Fiz uma pesquisa bibliográfica de vários instrumentos que foram catalogados durante a década de 70 e 80 na Alemanha e este aqui foi reconstruído conforme descrição no livro. Eu mesmo o construí”, comenta.

Outra curiosidade do instrumento são as gravatas presas e ele que, segundo Loreno, também era uma tradição.

E ao lado do Violino do Diabo, o Drehorgel, em português, realejo. O instrumento, também tipicamente alemão, era muito comum entre 1840 e 1940. “É composto por flautas, foles e válvulas, e toca músicas perfuradas em rolos de papel. É inteiramente mecânico e basta girar uma manivela para produzir a música. Naquela época, era o primeiro e único equipamento para reproduzir músicas e muito comum em festas, eventos e praças”, explica Ivan Blumenschein, que construiu o instrumento em Pomerode.

“Na Alemanha ainda se encontra frequentemente realejos tocando em praças, e quando eu era mais jovem, nas viagens que fiz à Alemanha, sempre me encantava com este instrumento – tanto pela graça do som das flautas quanto pela beleza de ver um instrumento polifônico inteiramente mecânico”, revela.

O projeto tornou-se realidade em 2012. “Em 2012 resolvi projetar construir um realejo, pois adquirir e importar um, teria custo proibitivo. Como sou engenheiro mecânico e estudei música por alguns anos, tinha os meios para construir um. Levei cerca de um ano construindo nas horas vagas, geralmente tarde da noite, e todas as peças foram calculadas, fabricadas, entalhadas e torneadas por mim. É um realejo com 26 flautas, e toca rolos de papel no padrão utilizado na região da Floresta Negra em cerca de 1890. Até onde pude pesquisar, é o primeiro realejo construído no Brasil. Os rolos de música são as únicas peças compradas, e ainda são feitos por poucos senhores de idade na Europa”, finaliza Ivan.

Notícias relacionadas