Polêmica do paralelepípedo
As obras de reurbanização do centro da cidade iniciaram no dia 12 de março e trarão melhorias a todos.
Há mais de dois meses que o centro de Pomerode vem passando por transformações. As obras que iniciaram no dia 12 de março desse ano são de reurbanização do centro da cidade que, no futuro, trarão melhorias a todos que precisam passar por ali. As intervenções de reurbanização foram divididas em três lotes. Após a conclusão do primeiro lote, que está em execução, o próximo trecho vai da Prefeitura até a o centro. O prazo de conclusão das obras do primeiro lote é de seis meses e estão adiantadas, uma vez que já encontram-se em fase de acabamento.
Segundo o Prefeito do município, Paulo Pizzolatti, as obras estão dentro do prazo e visam, além da reurbanização, a revitalização da rede de drenagem da água pluvial e da rede coletora de esgoto. “Nessa primeira fase encontramos algumas dificuldades em virtude da profundidade das tubulações, quando a rede de captação de águas pluviais atingiu até dois metros de profundidade e a de esgoto em alguns trechos chegou a quatro metros abaixo da superfície”, completou o Prefeito.
Outro questionamento recorrente dos moradores é quanto ao trecho de obras que está em execução. O proprietário da empresa Ecagel, licitada para execução dos serviços, Manoel Annes, explica que para fazer uma rede de captação, seja de esgoto, seja pluvial, precisa ser começada e terminada. “A água captada deve desembocar no final da tubulação, no local correto. Não é possível parar a obra no meio”.
O centro do município é considerado centro histórico e por isso deve seguir alguns parâmetros para que continue caracterizado como tal. Os transtornos são muitos, mas necessários. A obra teve de obedecer a certos critérios e padrões estabelecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal para que fosse caracterizado como projeto de reurbanização e manutenção do caráter histórico do local.
O Secretário de Planejamento e Desenvolvimento da Cidade, Dieter Klaus Weege, disse que foram apresentadas várias propostas à Caixa Econômica e ao IPHAN, mas que não foram aceitas em virtude de descaracterização do centro histórico. “Tivemos contato com a população e pedimos sugestões, mas para chegar ao projeto final nós seguimos as recomendações dadas por estas instituições”. Complementando, Paulo Pizzolatti, disse que a partir do momento em que o projeto foi aprovado pelo Ministério das Cidades, Caixa Econômica Federal e IPHAN, este não foi alterado e é o que está sendo executado.
Todas essas ações vêm sendo tomadas, concretizando uma obra que se fazia necessária, entre outros motivos, em decorrência dos transtornos provenientes de enchentes, que por diversas oportunidades inundaram as vias centrais do município. Há outras melhorias que estão no projeto em andamento, como a ampliação e padronização do passeio com a colocação de blocos de concreto e aplicação de concreto liso na ciclovia, melhorando a qualidade para quem utiliza esse espaço. “Ainda teremos a revitalização do projeto de paisagismo com a colocação de bancos, pontos de ônibus e táxi, lixeiras, etc., dando o máximo de aconchego e padronização do centro da cidade”, enumera o prefeito.
Gerente de uma loja central, Leandro Oliveira, disse que os comerciantes tiveram pouco acesso às informações de andamento da obra e que o movimento do comércio caiu consideravelmente. “Sabemos que algumas coisas não serão possíveis de serem atendidas pelo fato de se tratar de centro histórico. Estamos pagando por isso e esperamos o melhor”.
Assim como Oliveira, distintas pessoas, que transitam por ali esperavam outro tipo de material de pavimentação e isso também era de interesse do Poder Executivo do município. Entretanto, por determinação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), os paralelepípedos deverão ser recolocados para manter o caráter histórico da rua. “Além disso, esse tipo de revestimento faz com que os motoristas reduzam a velocidade, o que proporciona mais segurança para pedestres e ciclistas”. Dieter Klaus Weege salienta que projetos de reurbanização visam, principalmente, a mobilidade e não a velocidade.
“Desta vez estamos seguindo todas as recomendações das entidades e instituições que participam de uma obra desse gênero. Porque no caso da Praça Erwin Zastrow nós não observamos algumas considerações do IPHAN e agora o Ministério Público nos acionou pelo não cumprimento de tais observações”, declarou o prefeito municipal, Paulo Pizzolatti.
Na continuação desta matéria haverá uma entrevista com o Superintendente do IPHAN em Santa Catariana, Dalmo Vieira Filho, em que será esclarecida a dúvida da população de Pomerode quanto a necessidade da aplicação de certos critérios para a manutenção de patrimônios históricos.
Em contrapartida, o representante do IPHAN-SC no Vale do Itajaí, Thiago Campi Sperb, destacou que Pomerode “vem realizando um trabalho exemplar no que se refere à preservação do patrimônio paisagístico e cultural. Exemplo este que deveria ser seguido por muitos outros municípios”.
A movimentação dos moradores, manifestação, inclusive, em redes sociais é grande. As críticas não deixam de ter razão, porque toda obra gera situações indesejadas, mas como concluiu o gerente Leandro Oliveira: “Toda obra causa transtornos, mas sabemos que ao final ficará melhor”.
Finalizando a entrevista, o Prefeito do município disse que em outras cidades, onde também ocorrem obras de reurbanização do centro, simplesmente houve o deslocamento do trânsito para a periferia. Em Pomerode, para não prejudicar o movimento do local, esses dois processos (obras e trânsito) convivem entre si.