Geral

Poesia concreta

Após se mudar para Pomerode, engenheiro rende-se aos encantos da arquitetura enxaimel e constrói réplica para servir
como caixa de correio

1 de junho de 2015

Do alto da rua Albrecht Guenther, desponta uma casinha construída cuidadosamente. Tem portas, janelas, uma varanda que aparenta ser muito agradável para repousar nos dias quentes, que a moça da previsão do tempo tem anunciado. Também tem flores bastante coloridas e gentis. O telhado é feito de cerâmica e as paredes, bem como o assoalho, de madeira. Não foi projetada por arquiteto. As proporções foram calculadas por José Orlando da Costa, que passou a vida trabalhando na área industrial, mas que ao se aposentar e se mudar para Pomerode, pode observar mais de perto as belezas das construções em enxaimel, que poderiam se tornar poesia escrita sob os olhares de um poeta ao relatar uma história de amor, mas tornou-se poesia concreta, nas mãos de um metódico e criterioso engenheiro. 

Tudo começou há seis meses. Pouco tempo depois que José e sua esposa Marilde mudaram-se de São Paulo para Pomerode e tiveram que superar a perda do filho mais velho, vítima de um câncer agressivo. José então decidiu buscar uma ocupação e iniciou o projeto de trocar a simples caixa de correio, da casa recém comprada, por uma mais atrativa aos olhos. A ideia era fazer uma caixa de correio no estilo das construções de origem alemã, mas conforme o projeto ganhava corpo foi se tornando algo maior. 

José queria fazer a casinha com pequenos tijolinhos, para ser mais fiel a arquitetura enxaimel, mas não encontrou o material em nenhum lugar. A alternativa foi a madeira. As telhas foram feitas uma a uma de modo artesanal, com cerâmica fria. A esposa contribuiu para a montagem. “Na construção utilizei materiais como rodapé, madeira e cerâmica. Fui pesquisar na internet modelos de casinhas, fiz tudo por conta própria. Os puxadores das janelas vieram de São Paulo. Para a fechadura da porta usei um alargador de orelha, desses vendidos em lojas de piercings”, explica José. 

O engenheiro conta que ter construído a casinha de 63 cm de largura, por 63 cm de comprimento (que também possui uma caixa de correio), foi uma terapia. O processo foi feito aos poucos e durou seis meses. Agora, com o resultado, a família tem pena de trocar a antiga caixa de correio pela nova. Quem está de olho é a filha mais nova. Quer aproveitar o espaço vazio dentro da casinha para brincar com suas bonecas. Quem sabe mais pra frente o pai não libera?

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