Planejamento Esportivo
Município de Gaspar realiza fórum para debater as vocações esportivas da cidade.
Gaspar está cansada de ficar às margens do esporte catarinense, ou limitada à promoção de torneios de futebol amador. O município entrou desde o ano passado em um processo de reformulação da sua vocação esportiva.
O primeiro passo foi dado ainda em 2009, que foi a reestruturação e valorização da Fundação Municipal de Esportes (FME) e agora a autarquia e os profissionais do esporte gasparense se reuniram para realizar o primeiro Fórum Municipal de Esportes e Lazer, que visa discutir as propostas e as diretrizes do esporte na cidade.
O evento aconteceu nos dias 7 e 8 de abril, e contou com as exposições da real situação da FME e números de esporte no município, além de palestras com gestores públicos da área que trouxeram as experiências de sucesso de municípios vizinhos do Vale do Itajaí e Litoral.
Entre os participantes estiveram o Superintendente de Esportes de Brusque, que está responsável pela organização dos Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC), que serão realizados esse ano na cidade brusquense; e também o ex-presidente da Fundação Municipal de Itajaí, Davi Coelho.
O resultado final foi várias ideias e propostas apresentadas para que o esporte gasparense deslanche e mostre, a longo prazo, números positivos. “Foi muito positivo, pois pela primeira vez reunimos os responsáveis para debater um assunto. Vimos uma preocupação muito grande com o esporte escolar e a prova foi a participação maciça dos professores de Educação Física. A partir dessas ideias e propostas que recebemos, faremos a “Carta do Esporte”, que apresentará nossas diretrizes metas e prazos para implantação do que foi debatido nestes dois dias”, disse Renato Zimmermann, presidente da FME de Gaspar.
O único ponto negativo do fórum, apontado por Renato, foi a pouca adesão dos dirigentes dos clubes. Em contra partida, os presidentes de associações de moradores atenderam a convocação e compareceram para prestigiar o evento.
Entrevista
O palestrante da abertura do evento, Marcelo Cavichiolo, Superintendente de Esportes de Brusque e ex-presidente da FME de Blumenau, conversou com a reportagem da Blitz Esportiva e explicou como desenvolver o esporte, superando as dificuldades pela falta de recursos e principalmente pela falta de espaços adequados para a prática.
Blitz Esportiva: Qual é a maior dificuldade para desenvolver o esporte nos municípios?
Marcelo Cavichiolo: Falta mão-de-obra qualificada e, principalmente, instalações esportivas. Também faltam recursos, mas a falta de espaços para desenvolver e promover o esporte é nosso maior obstáculo. E as áreas mais vulneráveis socialmente, que precisam de projetos esportivos, acabam sendo as que menos apresentam instalações.
BE: Mas em Brusque você conseguiu unir projetos do esporte a outras secretarias municipais. Esse foi o caminho para driblar as adversidades? Em Blumenau também foi usada essa estratégia?
MC: Esse trabalho é realizado desde que fui presidente da FME de Blumenau. Levei o esporte para próximo das Secretarias de Desenvolvimento Social, Segurança, Saúde, entre outras. É lá que estão os recursos e assim, possibilita o desenvolvimento. Cavichiolo: Em Brusque, fizemos o “Brusque Saudável”, que é em parceria com a Secretaria de Saúde. Também há o “Segundo Tempo”, que é com a Educação. Assim, envolvemos todos com o esporte e promovemos a inclusão social.
BE: Na maioria dos casos, qual a preferência dos municípios: o esporte de rendimento ou a formação?
MC: Assim como o Estado, a vocação maior é para a promoção de eventos. Muitos municípios participam de importantes competições e, para isso, são obrigados a sustentar suas caras equipes. Porém, há quem prefira o esporte como instrumento de transformação da sociedade. Entretanto, acredito que o melhor é saber conciliar as duas vertentes. Não adianta só investir em Jogos Abertos, trazer atletas de fora e esquecer do restante.