Geral

Pelas ondas do rádio

A segunda reportagem da Série Profissões vai falar sobre aquele que tem na voz o seu meio de ganhar a vida: o radialista.

1 de junho de 2015

O rádio faz parte da vida de todos os brasileiros. A invenção do italiano Guglielmo Marconi, no fim do século XIX, através de ondas, leva informação e entretenimento. Mesmo com o advento da era digital, o rádio ainda tem um papel importante no cotidiano das pessoas.Por isso, a segunda reportagem da Série Profissões vai falar sobre aquele que tem na voz o seu meio de ganhar a vida: o radialista. E para falar sobre este trabalho, o Jornal de Pomerode conversou com Marcelo Melotto Jr., locutor da Rádio Portal FM há um ano. Sempre vivenciei este mundo, pois meu pai trabalhava no setor administrativo de uma rádio chamada ‘Morada do Sol, na minha cidade natal, Araraquara (SP). Com 12, 13 anos, comecei a trabalhar informalmente como sonoplasta e, aos 14 anos, me registraram. Começou como uma brincadeira, que me ensinou muito, e hoje é minha verdadeira paixão. Sou muito realizado fazendo aquilo que gosto, destaca.
Com experiência de 20 anos trabalhando no rádio, Marcelo nasceu no interior de São Paulo e trabalhou, por mais de 10 anos, na Rádio Morada do Sol. Em maio de 2009, mudou-se para Santa Catarina, quando trabalhou na 92 FM, de Timbó. E há um ano, comanda as manhãs da Portal FM. Além disso, neste período, trabalhei no Laboratório de Rádio da Uniasselvi, experiência que me fez voltar aos tempos de acadêmico, diz o locutor, que é formado em Comunicação Social – Jornalismo, desde 2003.
O radialista vivenciou um período de transição dentro do rádio brasileiro. Na época em que comecei, tudo era analógico, todas as operações eram mais ‘braçais, havia fita K-7, LP, cartucheiras. E como era uma rádio FM, isso era simultâneo com a locução. Por isso, vivenciar tudo isso foi um aprendizado, pois hoje em dia, as coisas estão bem mais fáceis, pois o computador substituiu a força humana. Eu era tão apaixonado, que cheguei a montar uma rádio experimental em casa, diz Marcelo.
É claro que a informatização trouxe benefícios, como a melhora da qualidade do som. Entretanto, essas mudanças também fizeram com que o radialista perdesse um pouco de sua força dentro da programação. O perfil do ouvinte é outro, todos priorizam escutar músicas e o locutor passou a ser uma peça substituível pela máquina, passando a ser menos exigido. Mas nem por isso, a paixão diminuiu, pois sei que levo informação e entretenimento a muitos ouvintes diariamente e faço parte de suas vidas, ressalta o profissional da Portal FM.
Quanto ao futuro da profissão e do rádio propriamente dito, Marcelo ressalta que aqueles que possuírem um diferencial, vão sobreviver no mercado cada vez mais competitivo. As rádios, principalmente as do interior, devem investir em programas voltados aos interesses da comunidade, pois é isso que o ouvinte busca, saber o que acontece em sua cidade, em sua região. Eu vejo uma carência muito grande deste tipo de programação. O rádio é uma ferramenta muito poderosa e precisa buscar seu espaço ao lado de outros meios de comunicação de massa, como a TV e a internet. A informatização não tem volta, por isso acredito que este diferencial é que será a sobrevivência das emissoras no futuro.
Além disso, o radialista também precisa buscar, cada vez mais, a profissionalização, por que ele é a ‘cara e a voz da rádio no momento em que fala ao microfone. É uma responsabilidade muito grande. Por isso, a minha dica para aqueles que querem entrar neste mudo é uma só: estudar. Eu fui criticado no começo, mas sei que a minha formação permitiu que eu pudesse realizar a minha tarefa, que é levar alegria às pessoas, de forma coerente e sensata. E isto também será um diferencial, que vai separar os bons dos maus, finaliza.

Notícias relacionadas