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Pedra sobre pedra

Morador de Testo Rega se diz apaixonado por minerais que encontra pelas estradas da vida

10 de setembro de 2011

“No meio do caminho tinha uma pedra”. Esse famoso verso de Carlos Drummond de Andrade sofreria alteração se por esse caminho tivesse passado o morador do Testo Rega, Pedro Cardoso, 67 anos.
Ele é um colecionador de pedras, ou melhor, é um entusiasta dos minerais que encontra pelas estradas da vida.
Assume que pouco entende e não chega a ler sobre os tipos de pedras que tem em sua residência, mas garante que é curioso e por isso acaba entendendo um pouco de cada tipo de mineral que conseguiu catar.
Tudo começou na região de sua cidade natal, Taió, onde ao trabalhar com corte de mármore descobriu os tipos de pedra e suas características.
Antes olhava para as mesmas e pouco dava importância. Depois começou a observá-las com mais cuidado e viu que muitas tinham formas e composições exóticas.
Elas ficam espalhadas pela casa e pelo o terreno do morador da Rua Concórdia e quem vai visitá-lo sente-se como se tivesse em um museu mineral.
Para Pedro o importante é que elas estejam ao alcance de todos e esses possam senti-las de forma a aguçar a curiosidade e assim contribuir para o conhecimento. É justamente esse o objetivo de Pedro com sua “coleção”. “Queria poder apresentar essas pedras para estudantes de modo que, em sala de aula, eles discutissem com seus professores. Essas pedras, se pesquisadas, têm história. Inclusive uma delas já foi levada para o professor da Universidade de São Paulo (USP), Walter Campos, e, ele constatou que a mesma tinha mais de 40 mil anos”, almeja o senhor que apesar de não ser um especialista na área geológica, dá explicações bem consistentes sobre as pedras que tem em sua coleção.
Uma delas ele diz ser constituída de larva vulcânica e soltar uma tinta vermelha, bem no estilo do urucum, que os índios usavam para pintar a pele.
Pedro conta que já foi contestado muitas vezes, mas garante que não se importa e que visa despertar esse interesse em mais pessoas.
Com registro oficial ou não, ele não se preocupa e continua contando um pouco da história de cada pedra. “Tenho uma que consegui em Presidente Getúlio. Pela sua consistência deve ter milhões de anos. Eu identifico se a pedra tem um valor histórico só no olhar”, garante.
Pelo terreno é possível encontrar pedras com formato de sapato e uma que ele chama de cabeça de dinossauro. Que o formato faz lembrar o animal paleolítico. Todas Pedro garante que para ele tem um valor sentimental. Mas nada como um tronco de madeira que petrificou e acabou até virando uma obra de arte sacra, como veremos a seguir.

Xodó
A pedra, ou melhor, a madeira da árvore Cambará que petrificou devido a ação do tempo é realmente a predileta de Pedro. Ele tem um pedaço em casa, já deu de presente e quando fazia parte da direção da Comunidade Católica Santa Terezinha, no Testo Rega, sugeriu que fosse feita uma cruz na frente da capela com a madeira fossificada.
Isso tem uns 10 anos e foi o próprio Pedro que viajou com sua Brasília amarela para buscar o tronco em Pouso Redondo.
Ele diz que quando fazia parte da direção, achou que deveria deixar uma obra para sempre na comunidade e assim fez. “Trouxe o tronco em partes dentro da Brasília, aqui montamos as peças e fizemos uma base de sustentação. Acredito ser a única cruz deste material no mundo, mas logo deve ganhar uma similar”, diz considerando que seu primo gostou da ideia e pretende também fazer uma cruz na localidade de Aterrado Torto, próximo à Pouso Redondo.

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