Pedalar: uma atividade segura?
Quem pratica, sabe que andar de bicicleta, além de um ótimo exercício para o corpo, é uma maneira de liberar o estresse do dia-a-dia.
Quem pratica, sabe que andar de bicicleta, além de um ótimo exercício para o corpo, é uma maneira de liberar o estresse do dia-a-dia. O que antes era apenas uma forma de lazer, hoje tornou-se imprescindível na vida moderna, pelos benefícios que traz para o meio ambiente e para a saúde.
Com pouco mais de 28 mil habitantes, Pomerode tem uma grande frota de ciclistas, que cortam a cidade diariamente com suas bicicletas. Jovens ou idosos, homens ou mulheres, não importa a idade, eles estão presentes no cotidiano e integram a paisagem urbana e rural de nosso município.
Com o crescimento deste tipo de locomoção, foram criados espaços especialmente destinados a eles, principalmente no Centro da cidade, que conta com ciclovias. No entanto, em alguns pontos, elas podem se tornar 'vilãs', ao invés de facilitar o tráfego. Um exemplo é o trecho compreendido entre a Rua Heinrich Haass (próximo à Agropecuária Link) até a Rua Rega III (entrada do Salão Primavera), na Rua Hermann Weege. Muitos condutores afirmam que a ciclovia é muito estreita e, devido ao grande fluxo de veículos, o perigo é iminente. O espaço é muito utilizado pelos ciclistas, principalmente em horário de pico, o que faz aumentar os riscos de acidentes.
Outro trecho bastante complicado localiza-se no Centro da cidade. Com a reurbanização, as bicicletas precisam dividir o espaço com os pedestres, uma vez que não há nenhum tipo de divisão entre os dois tipos de pisos. Além disso, não existem faixas de segurança no local, tornando o cruzamento muito perigoso.
A manicure Patrícia Dannehl utiliza sua 'magrela' diariamente para trabalhar, usando uma parte da ciclovia existente em Pomerode. Ela ressalta que há lugares em que se pode pedalar com segurança, mas em outros, é preciso ter muito cuidado. 'No trecho que eu faço, posso destacar dois lugares: na curva do Bar do Theilacker, onde os carros, muitas vezes, invadem a ciclovia; e no cruzamento das Ruas Castelo Branco e Hermann Weege, no qual os ciclistas precisam utilizar a calçada para poder trafegar. Felizmente, nunca tive nenhum tipo de acidente, mas já levei muitos sustos'.
Disputa de espaço – Quem utiliza as rodovias que cortam o município de Pomerode, também sofre com a falta de segurança. Os problemas podem ser encontrados nas duas extremidades do município. Na região norte, onde está localizada a SC-416, praticamente não há acostamento. Já na SC-418, o problema é o tráfego pesado. Como o trecho fica próximo ao Distrito Industrial e de escolas, o fluxo de ciclistas é muito grande. Juliana Fidelis sempre utiliza o trecho, uma vez que vai trabalhar de bicicleta. 'Eu tenho medo de utilizar a rodovia, principalmente quando estou com a minha filha, pois os carros passam muito perto da gente. Eu acho que deveria ser criado um espaço destinado exclusivamente às bicicletas, o que traria mais segurança', enfatiza.
Felipe Wollick também compartilha da mesma opinião. Ele, que já sofreu um acidente de bicicleta na rodovia, próximo à Damenny, diz que há trechos bastante perigosos, principalmente à noite. 'Em alguns deles, além do acostamento ser muito estreito, o caminho é mal iluminado. Isso pode trazer muitos transtornos, uma vez que o número de ciclistas que utiliza a SC-418 aumentou nos últimos tempos', diz.
Cicloturismo – Há também aqueles que prefiram pedalar longe da agitação, buscando ares mais amenos para suas aventuras. Um dos praticantes deste tipo de modalidade é o representante comercial Ivo Brehmer, que, juntamente com mais 11 amigos, faz parte do 'Bike Traíras', um grupo de ciclistas especializado em andar de bicicleta no interior do município.
'O objetivo do grupo é conhecer novos lugares, uma vez que a região é riquíssima em belezas naturais. Pedalamos entre 40 e 60 km, semanalmente, o que nos dá uma satisfação imensa, uma vez que podemos conhecer lugares diferentes', ressalta.
O ciclista e seu grupo, criado em 2012, prima pela segurança. 'A gente procura pedalar em lugares mais tranquilos, sem muita agitação. Até por isso, nunca tivemos muitos problemas relacionados a acidentes. Uma coisa interessante é que no interior, as pessoas respeitam o ciclista, e isso é primordial para que nossas aventuras transcorram sem nenhum tipo de percalço. E claro, exigimos que todos os participantes utilizem os equipamentos obrigatórios, como capacete, luvas e sinalização reflexiva', acrescenta.
Benefícios para a saúde
Quando você pedala, fortalece a musculatura das pernas por causa da força que ela exerce sobre os pedais, um fato que contribui para deixar você com o físico mais resistente e bonito. Segundo especialistas, além de diminuir a emissão de poluentes, andar de bike beneficia o sistema respiratório e funciona na prevenção de problemas cardiovasculares. A prática colabora para a manutenção do peso ideal, melhora a função respiratória, reduz a ansiedade, depressão, regulariza os níveis sanguíneos de colesterol e triglicérides e ainda ajuda a ter um sono melhor e mais equilíbrio emocional.
A prática aumenta a resistência e a capacidade de captar, extrair e distribuir oxigênio pelo sistema cardiovascular, assim como recolher substâncias resultantes do metabolismo muscular durante atividades repetitivas por períodos prolongados.
Perder peso andando de bicicleta também é possível, porque o gasto calórico aumenta. Além disso, fortalece os músculos dos membros inferiores como o da panturrilha, que é considerado o nosso segundo coração ou coração venoso periférico.
Os médicos alertam para você não correr riscos na hora de andar de bicicleta, é importante fazer alguns exames para conhecer o condicionamento e resistência e manter-se sempre hidratado.
Dentro da lei
Conforme regulamenta o Código de Trânsito Brasileiro, a bicicleta é um veículo de propulsão humana. Isso faz com que as nossas 'magrelas' tenham uma série de diretos garantidos por lei, mas em decorrência destes privilégios, também temos o surgimento de alguns deveres.
Conforme o artigo 105 do CTB, é obrigatório o uso de campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, assim como a utilização do espelho retrovisor no lado esquerdo.
A sinalização noturna não precisa ser necessariamente através de dispositivo eletrônico, pisca ou farol, mas sim com simples refletores ou adesivos refletivos. Se o ciclista tiver disponibilidade financeira, deve preferencialmente optar por um sinalizador traseiro tipo 'pisca' e um farol dianteiro, ambos com algum tipo de alimentação (pilhas, baterias, dínamo). Estes acessórios aumentam muito a distância em que o ciclista é visto pelos motoristas, pedestres, diminuindo o risco de acidentes.
A necessidade do uso da campainha e do retrovisor dispensa qualquer comentário, uma vez que aumenta muito a possibilidade de interação entre o ciclista e os demais elementos do trânsito, contribuindo para a segurança de todos. O que a grande maioria das pessoas que adquire uma bicicleta não sabe é que estes dispositivos, por lei, devem ser fornecidos gratuitamente pelo estabelecimento que comercializa o veículo, conforme determina o parágrafo terceiro do artigo citado anteriormente.
Ao comprar uma bicicleta, ela deve vir equipada com refletivos, campainha e espelho retrovisor. Muitas marcas nacionais já fornecem um kit composto com os itens mencionados, mas algumas vezes, os revendedores não instalam e entregam bicicletas novas sem os equipamentos obrigatórios.