Parada cardiorrespiratória tem novas diretrizes
Novas diretrizes mundiais, divulgadas na segunda-feira, 18/10, são precisas na orientação de como a massagem cardíaca deve ser feita pela população, para torná-la mais eficiente no salvamento de vidas e na manutenção da sobrevida com qualidade.
Se alguém precisar, você sabe como agir em caso de paradas cardiorrespiratórias (PCR)? Saber como e quando a fazer pode ser fundamental para salvar uma vida.
Precisamente 100 compressões por minuto, realizadas na altura mediana do osso externo do tórax, com profundidade exata de 05 cm, para adultos e crianças, e 04 cm, para bebês, pode significar a vida para uma pessoa.
Essa ação simples até mesmo para quem não possui qualquer treino resulta em melhores condições de recuperação e em menor número de sequelas neurológicas nas vítimas desse mal – que, estima-se, acomete cerca de 308 mil pessoas por ano, no Brasil.
As recomendações, sobre como fazer foram disponibilizadas pelas novas diretrizes mundiais, divulgadas simultaneamente em todos os países, na última segunda-feira, 18/10.
Em relação ao documento anterior (2005), as atuais diretrizes são mais simples e precisas na orientação do cidadão para atuar nesses eventos. No atendimento médico-hospitalar, as novas Diretrizes Mundiais de Atendimento de PCR consagram a realização do cateterismo, com angioplastia (desobstrução da artéria) e implantação de stent, imediatamente após a parada cardiorrespiratória.
E, em caso da presença de qualquer nível de dano neurológico, do emprego da hipotermia – técnica de diminuição controlada da temperatura do corpo, para recuperação de células e de tecidos danificados pela baixa oxigenação do sangue.
No que se refere à população, diz o documento, a orientação exata do número de compressões por minuto, com indicação precisa da profundidade da massagem, é determinante para o retorno da circulação espontânea do sangue e, por consequência, da sobrevivência com qualidade de vida.
A morte súbita de origem cardíaca é uma das principais causas de morte em todo mundo. No Brasil, aproximadamente 308 mil pessoas por ano sofrem desse mal. Recente pesquisa do Incor (Institudo do Coração) levantou que, a cada ano, 21 mil pessoas são vítimas de morte súbita na população da cidade de São Paulo – a maioria delas (90%) em decorrência de arritmia cardíaca.
A arritmia cardíaca decorre de problema no sistema elétrico do coração que descompassa os batimentos do músculo cardíaco a ponto de impedir o fluxo de sangue para o organismo. A partir de apenas três minutos sem sangue, as células dos diversos tecidos do corpo começam progressivamente a morrer, até tornar inviável a manutenção da vida.
Grande parte das pessoas acometidas de mal súbito de origem cardíaca poderiam ser salvas se fossem submetidas a compressões torácicas, seguidas de reversão da arritmia por meio de um equipamento chamado desfibrilador. O aparelho descarrega choques elétricos no coração, através da parede do tórax, que colocam os batimentos cardíacos em ritmo compassado.
Estudos internacionais mostram que a sobrevida das vítimas pode chegar a 75% se a massagem cardíaca – caracterizada por compressões no tórax – for realizada de maneira adequada e precoce, seguida de choque com desfibrilador, num prazo de três minutos desde a parada cardiorrespiratória.
A efetividade da massagem cardíaca para a manutenção da vida, até que chegue o socorro especializado, deve-se ao fato de ela melhorar o fluxo do sangue para coração e o cérebro, dois órgãos que são vitais para o funcionamento do organismo, explica o médico do Incor.
As novas diretrizes recomendam ainda que somente pessoas treinadas em suporte básico de vida agreguem a ventilação pela boca a essa manobra básica de compressão torácica. Isso porque ao se preocupar com a respiração ´boca a boca´, a pessoa não treinada diminui o número e a qualidade das compressões, o que não é adequado, já que são essas as manobras principais para a manutenção da vida em condições adequadas até que o socorro médico chegue.
Você não precisa saber realizar a massagem. De acordo com as diretrizes, o leigo deve: (01) reconhecimento imediato da parada cardiorrespiratória e chamar do serviço de emergência/urgência local; (02) espera ao lado da vítima, com ênfase nas compressões torácicas; (03) reversão da PCR com o uso do desfibrilador, já com o serviço de emergência/urgência no local; (04) suporte avançado de vida eficaz, no transporte do paciente até a unidade hospitalar; e (05) cuidados pós-PCR integrados, na unidade hospitalar.
Esse último elo foi introduzido na nova versão das diretrizes com o objetivo de melhorar a eficácia do tratamento. Ele se constitui da aferição e do controle dos seguintes parâmetros clínicos do paciente: pressão arterial, pulso, temperatura, glicemia e eletrólitos.
Instruções de como agir
O primeiro passo é checar se a via respiratória está ou não obstruída. Estique o pescoço da vítima para que o ar possa passar: ponha uma mão na nuca e levante o pescoço; apoie a outra mão na testa e force a cabeça para trás. Em seguida, abra a boca, pressione a língua para baixo e veja se não há algum objeto ou secreção impedindo a passagem de ar. Remova-o com os dedos.
Se, com isso, a pessoa não voltar a respirar, afrouxe as roupas, mantenha esticado o pescoço da vítima e comece a respiração artificial, mas lembre-se, é importante antes disso chamar uma unidade especializada, como corpo de bombeiros.
É importante que você feche as narinas da vítima usando os dedos da mão que está sobre a testa. Inspire fundo, abra sua boca e coloque-a sobre a boca da vítima (se for uma criança, cubra também o nariz com sua boca).
Sopre o ar até que o tórax da vítima se movimente, como em uma respiração normal. Use força com adultos, suavidade com crianças. Retire sua boca, para que a pessoa possa expirar.
Mantenha o ritmo de 18 a 20 respirações por minuto, no caso de adultos, e 15 a 18, no caso de crianças. Verifique sempre se a vítima não está recuperando seus movimentos respiratórios. Se vítima voltar a respirar, interrompa a respiração artificial, mas não desvie sua atenção. Ela pode parar de respirar novamente.