Papa não fez nada para prevenir abusos do clero, diz vítima nos EUA
Barbara Blaine preside rede norte-americana de vítimas de pedofilia.
Ao G1, ela diz que Bento XVI continuou política de acobertar agressores.
Envolto na recente onda de denúncias de abusos sexuais de menores envolvendo padres em vários países, o papa Bento XVI, que completou nesta segunda-feira (19) cinco anos de papado, vem empenhando esforços para minorar os efeitos das acusações.
Nas últimas semanas, o papa escreveu uma carta pedindo perdão aos católicos da Irlanda, disse que a Igreja deve “penitência” pelos seus erros e, no último domingo, encontrou vítimas de abusos em Malta. Mas para a advogada norte-americana Barbara Blaine, que preside a SNAP (Rede de Vítimas de Abusados por Padres, em tradução livre), o pontífice não fez “nada de tangível” para prevenir novos casos.
“Bento XVI sabe muito bem como os casos de abuso se espalharam pela igreja desde quando ainda concorria ao cargo. Em vez de usar seu papado para proteger as crianças, ele simplesmente continuou a mesma política patética dos seus antecessores, que é a de esconder os crimes, proteger os acusados da lei e transferi-los para outros cargos”, disse Blaine em entrevista ao G1.
Para a americana, “encontrar meia dúzia de vítimas, rezar e derramar lágrimas não vai proteger as crianças”. Ela mesma uma vítima de abuso sexual por um padre na infância, Blaine diz que o efeito do abuso foi “mais devastador” quando descobriu que a Igreja poderia ter evitado que o mesmo ocorresse a outras crianças, mas não o fez.
“Eles sabiam desde o início de 1969 que o padre estava abusando de meninas, mas permitiram que continuasse a exercer o sacerdócio e abusar de crianças até 1992, quando eu fui convidada para participar do programa da Oprah [Winfrey] e ameacei denunciá-lo. Eles só o afastaram temendo a repercussão negativa, não porque fosse a coisa certa a fazer”, desabafa.
Fundada em 1988 por Blaine em Chicago, a rede informa ter hoje mais de 9 mil membros espalhados por Estados Unidos, Canadá e México. Em seu site, a organização informa que, apesar da palavra “padre” no título, recebe denúncias de abusos cometido por religiosos de várias confissões religiosas. O objetivo da entidade é compartilhar as histórias de vítimas de abusos para diminuir o sofrimento delas, além de, pela educação, tentar prevenir a ocorrência de novos casos.