Paixão para todas as idades
Nunca é tarde para sonhar. O que diferencia a rotina dessa frase com uma história que parece conto de fadas, é a paixão por uma boneca (ou várias): a Barbie.
Nunca é tarde para sonhar. Assim como esta, a frase “nunca é tarde para ser criança” também é clichê. Mas o que diferencia a rotina dessa frase com uma história que parece conto de fadas, é a paixão por uma boneca (ou várias): a Barbie.
Integrante de grande parte dos sonhos das meninas de todo o mundo, a boneca foi criada em 1959, por Ruth Handler e o seu marido Elliot Handler, que tinham uma filha de nome Barbara. Observavam Barbara que brincava apenas com bonecas bebês quando criança. A menina era apaixonada por bonecas. Quando cresceu, já pré-adolescente, seu pai observou que Barbara ainda brincava com as suas bonecas. Então, a sua mãe, Ruth Handler, teve a ideia de criar uma boneca adolescente. O modelo original da Barbie foi baseado numa boneca erótica alemã. O primeiro lote de bonecas Barbie era tão parecido com a boneca original, que a Mattel teve de pagar uma indenização.
Mas, teorias à parte, a história dessa semana retrata muito mais que apenas uma paixão pela Barbie. Cuidado, carinho, admiração e um amor pela boneca, que já virou tradição na família.
Duas das três personagens desse conto de fadas real, nos receberam bem ao estilo princesa. Na porta de entrada da casa, uma pequena menina, com short cor de rosa, sandália vermelha e camiseta branca. A mãe, com uma linda blusa preta com uma estampa dourada, lindíssima. Algo em comum nessa descrição? Tudo! Todas as peças dos ‘modelitos’ citados tinham como personagem principal, a Barbie.
Léa Lohse Alvarenga e sua irmã Luana Lohse Grützmacher são colecionadoras da boneca. E não são quaisquer Barbies. Muitas delas fazem parte de séries especiais para colecionadores. Só Léa tem mais de 100 bonecas. Todas elas, tem lugar especial na casa onde mora com o marido e a pequena Clara, de quatro anos, que também já é fã e colecionadora da boneca mais desejada do mundo. No “quarto das Barbies”, cada uma tem o seu espaço. “Aqui são as minhas, ali da mamãe e também tem da ‘Tandi'”, apontou a pequena, mostrando onde ficam as suas, as Barbies da mãe e também algumas das bonecas da tia.
O local é um verdadeiro mundo de princesa, onde qualquer mulher volta a ser criança em instantes. E olha que não precisa de muito esforço. São bonecas seriadas, como a de Nova Iorque, de Paris, a Barbie japonesa, a Barbie Moulan Rouge, a primeira Barbie negra, edições limitadas com releituras das primeiras bonecas que saíram e tantas outras que se perde o fôlego e a contagem.
Cada detalhe, de cada boneca é retratado meticulosamente. Requisito que Léa transfere para os cuidados com as suas “dolls”, como elas também são chamadas. “Nunca as tirei das caixas, elas estão aqui, fazem parte da coleção e enfeitam o ambiente. É preciso ter muito cuidado com elas”.
Enquanto Léa mostrava a sua bela coleção, a pequena Clara, ainda estava tímida, corria de lá para cá. Mas quando pedimos para ela falar das bonecas dela, a empolgação tomou conta. Foram uma, duas, três… Quase todas da coleção que ela também já possui: em torno de 30 Barbies. E a cada uma, vinha mais um detalhe, mais uma roupinha, mais um acessório. Perguntamos à ela, qual é a preferida; ela rapidamente responde: “Eu gosto de todas”. Léa completa que esse é o segredo da coleção, que não há como ter uma especial, ou uma mais bonita. Para as três colecionadoras da família, cada uma é linda dentro da proposta que ela apresenta.
Como tudo começou
E nessa história, a paixão de Léa pelas Barbies não vem da infância. Sua primeira boneca desse padrão, ela ganhou aos 30 anos, de presente da irmã, também colecionadora. A boneca é uma tradução da Oktoberfest de Munique, na Alemanha, e possui inclusive o traje típico e o penteado da festa.
Léa conta que este foi o pontapé para o início de uma paixão que hoje é vício. De lá para cá, foram muitas bonecas compradas e ganhas. “Hoje minha irmã e eu só nos presenteamos com Barbies, meu marido também me dá Barbies; para mim, então, é muito fácil dar presente”, completa.
Léa não revela o valor máximo que já pagou por uma boneca, mas frisa que nunca colocou em xeque alguma necessidade para comprar uma Barbie. “Isso é loucura e esse não é o objetivo, colecionamos as Barbies, mas sempre de forma saudável”, explica.
Léa ainda conta que existem bonecas, sim, que ela ainda quer comprar e são muitas. Mas o objeto de desejo dela, nesse momento é a Barbie Cleópatra.
De Pomerode para o sonho de muita gente mundo afora
Das mais de 100 bonecas da coleção de Léa, cerca de 50 estão expostas em uma loja de brinquedos, na cidade de Blumenau, em uma exposição exclusiva da Barbie. Uma das que está na mostra e que pertence à colecionadora é a Holiday 2011 autografada por Robert Best – um dos designers mais influentes da Mattel nos últimos anos.
As três colecionadoras, inclusive, já foram tema de matérias de diversos meios de comunicação pelo Brasil.
Léa lembra que foi inclusive através de uma matéria feita por um blog de Florianópolis, que ela ganhou duas Barbies, de uma senhora de São Paulo. “Ela entrou em contato comigo e contou que tinha viajado há um tempo para os Estados Unidos e que havia comprado as bonecas. Esta senhora então, leu a reportagem e achou que as duas ‘dolls’, que estavam em São Paulo, deveriam vir ‘morar’ em Pomerode, com outras Barbies. E assim ela as enviou para mim”.
Além desse grande presente, Léa ressalta que a paixão pela coleção, além de fazer bem à ela, também trouxe outros pontos positivos, como a amizade com pessoas de todo o Brasil. “Às vezes nos relacionamos, mesmo que de forma virtual, mas cria-se um vínculo de amizade”, completa.