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Paixão de pai para filho

Não existe orgulho maior para um pai do que ver seu filho compartilhando de uma mesma paixão. Em muitos casos, isso acontece profissionalmente, quando os descendentes continuam os empreendimentos iniciados por seus progenitores.

1 de junho de 2015

Não existe orgulho maior para um pai do que ver seu filho compartilhando de uma mesma paixão. Em muitos casos, isso acontece profissionalmente, quando os descendentes continuam os empreendimentos iniciados por seus progenitores.
No entanto, a situação mais comum acontece no campo esportivo, quando o pai influencia na escolha do time do coração do filho. Ainda mais no Brasil, um país reconhecidamente apaixonado pelo futebol, a primeira brincadeira de uma criança é correr atrás de uma bola, para orgulho de seu criador. Não é difícil ver pais brincando de futebol com seus filhos, nos momentos de folga. Mas quando esta brincadeira torna-se séria, a continuidade da paixão está mais que garantida.

Sérgio Manske, de 42 anos, é pai de William, 17 e ambos seguem no mesmo caminho quando o assunto é futebol: o de evitar gols. Serginho, como é mais conhecido, diz que a sua paixão pelo futebol iniciou ainda criança, quando morava em Blumenau. O futebol sempre esteve presenta na minha vida, por isso, ser goleiro para mim, é como ser o presidente de uma empresa. Precisamos ter características diferenciadas, ser decisivos, calmos e, sobretudo, ter um lado psicológico muito forte, uma vez que você pode ir do céu e ao inferno em apenas um lance. Mas eu procuro me inspirar em pessoas sérias, que realmente vivam o futebol. Como bom palmeirense, um dos meus ídolos neste esporte é o goleiro Marcos, ressalta.

Na cidade de Pomerode, Serginho atuou em diversos times, como o Caramurú (com o qual foi campeão em 1993) e 25 de Julho, no futebol de campo, além da C.M.E., no antigo futebol de salão. Apesar de disputar competições de Futebol 7 Society atualmente, eu gosto mesmo é do futsal, pelo ambiente que proporciona, com o público mais próximo, além da velocidade das partidas. Eu preciso estar sempre bem preparado, pois encarar essa ‘garotada não é fácil, diz, aos risos.

Essa disposição é muito admirada pelo seu filho, William, que se inspira no pai para também desempenhar seu papel dentro de quadra ou de campo. Meu pai é meu ídolo no futebol e eu quero trilhar pelo mesmo caminho que ele, conquistando muito títulos e, principalmente, o reconhecimento, relata.

O caminho do jovem é parecido com o do seu genitor. Como acompanhava-o nas partidas em que participava, o futebol entrou na minha vida muito naturalmente. Mas assim como ele, também comecei jogando na linha. Até que, um dia, eu substituí um colega em um partida na escola, fui bem e tomei gosto pela coisa. Com certeza, já estava no sangue, conta William, que também já disputou diversos campeonatos, como Olesc (Floresta), Jogos Estudantis (Almirante Barroso), Futebol Menor (Atlético Pomerodense), além de passar por um período de treinamento na Apama, de Blumenau.

Eu e minha esposa sempre o apoiamos, mas nunca houve nenhum tipo de ‘pressão para que ele seguisse o meu caminho. Foi algo que aconteceu e eu fico muito feliz dele ter chegado, com tão pouca idade, a um nível de experiência tão elevado, diz Serginho. Quando estamos jogando juntos, eu procuro separar o Serginho pai do Serginho jogador. Lá dentro, somos duas peças importantes e se for para cobrar, vou cobrar, assim como ele faz comigo. Por isso, nos entendemos tão bem, acrescenta William.
Este sonho de atuar juntos foi realizado no ano passado e deixou pai e filho muito felizes. No entanto, também em 2012, um episódio quase marcou o fim desta história dentro do futebol. Nos Jogos Estudantis, logo no primeiro jogo, eu acabei me machucando feio, com rompimento do tendão no joelho. Meu pai estava na plateia e viu tudo. Fiquei sem atuar durante sete meses, mas neste tempo todo, ele me deu muita força. Hoje, graças a Deus, estou recuperado, diz o filho.

Foi uma cena muito chocante, mas um jogador está sujeito a tudo. De qualquer maneira, isso não foi obstáculo, pois no início do ano, eu e ele começamos a treinar, para que ele pudesse readquirir o condicionamento físico e, principalmente, a confiança. Treinávamos somente nós dois, todas as noites, no campo do Formigueiro e hoje posso ver o resultado deste esforço. Vejo no William um exemplo de determinação e garra a ser seguido, reforça Serginho.

A parceria dentro do futebol existe, mas não há cobranças para que os dois atuem sempre juntos. Inclusive, quero que ele siga seu caminho. Eu o preparei para ser um grande goleiro, independente se jogarmos juntos ou não. Quero que o William tenha muito prazer em jogar futebol, assim como eu tenho. Ele tem um espírito vencedor e isso muito me orgulha, ressalta o pai, emocionado.

Já William não titubeia na hora de falar de seu ídolo. O que eu mais admiro no meu pai? O fato de querer sempre procurar a perfeição. Essa característica faz dele o melhor, sem sombra de dúvidas, finaliza.

Mais do que pai e filho, Serginho e William Manske são, acima de tudo, grandes amigos e buscam naquilo que amam, a sua razão de viver. Com certeza, essa parceria ainda renderá muitos capítulos felizes para a torcida pomerodense.

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