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Os primeiros passos de um grande potencial

Imaginem a coragem de um empresário, na década de 1970, investir no Brasil em plena ditadura. A história começa no final dos anos 1960, quando Erich Netzsch e sua empresa fabricante de máquinas para indústria cerâmica, decide montar uma filial nos Estados Unidos em 1969 e no Brasil em 1973. Em visita à Porcelana Schmidt encantou-se com Pomerode e sua tradição alemã.

1 de junho de 2015

Imaginem a coragem de um empresário, na década de 1970, investir no Brasil em plena ditadura. A história começa no final dos anos 1960, quando Erich Netzsch e sua empresa fabricante de máquinas para indústria cerâmica, decide montar uma filial nos Estados Unidos em 1969 e no Brasil em 1973.Em visita à Porcelana Schmidt encantou-se com Pomerode e sua tradição alemã.
Para a missão de fazer a implantação da empresa no Brasil, ele escolheu também um alemão visionário e empreendedor, Gerhard Weiser, que assinou inicialmente um contrato de três anos de trabalho no Brasil, mas, ele gostou tanto, que até hoje permanece envolvido com a empresa.
De acordo com Gerhard Weiser, diretor-geral da empresa até 2005, Erich Netzsch foi um visionário e percebeu que o Brasil precisava, na época, de novos investimentos. E na década de 1970 o mercado era propício para o setor metal-mecânico, principalmente para equipamentos com a tecnologia alemã.
Outro ponto que favoreceu a instalação em Pomerode, foi o idioma alemão. Conhecido desde muito antigamente pela difusão da língua estrangeira, essa condição se tornou propícia, principalmente pelas relações com a empresa matriz, na Alemanha.
O clima, a qualidade do trabalho de mão-de-obra e os trabalhadores também chamaram a atenção do fundador da empresa e fecharam o ciclo que precisavam para implantar a empresa aqui em Pomerode.
Weiser conta que na época era prevista uma proposta de cooperação como a Porcelana, pois a empresa ceramista pretendia modernizar a produção, importando máquinas da Alemanha e do Japão. O Erich Netzsch pretendeu otimizar a negociação e decidiu instalar um fornecedor de equipamentos próximo à Porcelana Schmidt, para evitar que máquinas importadas entrassem no Brasil . A empresa de Pomerode até se ofereceu para fornecer o terreno e máquinas, mas isso não se concluiu efetivamente. Depois houve a proposta de que a NETZSCH pudesse produzir nas instalações da empresa ceramista, mas, foi outro caminho que surgiu como alternativa, conta.
A ideia era a NETZSCH ser ‘vizinha da Schmidt e assim proporcionar mais facilidade para a indústria de porcelanas e em seguida abrir mercado. Porém, a tentativa foi frustrada e não venderam como era esperado para este setor em Pomerode.
Com esse impasse, os equipamentos da NETZSCH do Brasil começaram a ser vendidos para outras empresas do ramo cerâmico, em todo o Brasil.
Porém, após um determinado período, pela escassez de mercado, o setor ficou saturado e foi preciso, mais uma vez, uma ideia visionária para alavancar a produção. Foi então que começaram a produzir outros equipamentos do Grupo que não eram do setor Máquinas Cerâmicas. E aí, não parou mais.
Foi assim que entre 1974 e 1978 iniciou-se a produção de Filtros Prensa e Moinhos e, as Bombas NEMO®, em 1976.
Na época, a empresa tinha apenas dois funcionários: o contador Ervino Bauer, natural de Pomerode e que foi o primeiro funcionário, e Gerhard Weiser, alemão e que iniciou a vida na empresa alemã no chão de fábrica, depois se tornou engenheiro e foi enviado ao Brasil com a missão de gerenciar a implantação e o crescimento da então NETZSCH do Brasil.
Neste período ele contava com a ajuda de Ervino Bauer; mas depois, com a demanda de trabalho a matriz alemã enviou três pessoas especializadas na montagem e fabricação dos equipamentos, entre eles, Nikolaus Haase, que até hoje vive em Pomerode.
Weiser conta que no começo foi bem difícil, pois ele tinha que administrar a fábrica, vender, colaborar com a produção, fazer as compras dos materiais e todas as funções que se pode imaginar. Lembra muito bem como era difícil a comunicação, pois, uma chamada para São Paulo tinha que ser feita via telefonista da cidade às 9 horas da manhã, para que a ligação fosse completada às 3 horas da tarde.
Da fundação até 1976, as vendas eram feitas na fábrica em Pomerode. A partir de 1977 foi aberto o primeiro escritório de vendas em São Paulo, localizado em uma tranquila rua do Brooklin. Iniciava-se assim, a montagem de uma infraestrutura que até hoje é destacada como o sucesso da NETZSCH do Brasil.
Até 1983, todos os equipamentos eram feitos em um único prédio, mas isso, já é assunto para o próximo capítulo desta história, que há 40 anos vem sendo escrita.

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