Vale do Itajaí

Operação Euterpe 2025 identifica fábricas clandestinas de palmito em Pomerode e no Vale do Itajaí

Ação do Ibama e ICMBio aplicou R$ 321,9 mil em multas e revelou risco sanitário em unidades que utilizavam a palmeira-juçara, espécie ameaçada de extinção

14 de outubro de 2025

Fotos: IBAMA/Divulgação

O Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizaram entre os dias 6 e 10 de outubro, uma ampla fiscalização em indústrias e fábricas de conserva de palmito nos municípios de Ascurra, Blumenau, Botuverá, Brusque, Gaspar, Guabiruba, Ibirama, Pomerode e Rio do Sul. A Operação Euterpe 2025 teve como foco a cadeia produtiva do palmito-juçara (Euterpe edulis), espécie nativa da Mata Atlântica e considerada ameaçada de extinção.

A ação resultou na aplicação de R$ 321,9 mil em multas, além da apreensão de palmitos in natura, conservas, maquinários e equipamentos industriais utilizados na produção irregular.

Em quatro fábricas fiscalizadas, os agentes também encontraram aves silvestres mantidas em cativeiro ilegal, algumas delas em gaiolas e viveiros improvisados, sem autorização dos órgãos ambientais. Essa prática configura crime contra a fauna silvestre, previsto na Lei nº 9.605/1998, e resultou em novas autuações e apreensões.

As aves foram resgatadas e encaminhadas ao Ibama, onde passarão por avaliação veterinária e poderão ser reabilitadas e devolvidas à natureza, conforme análise técnica.

Cadeia ilegal e misturas de espécies

Segundo o relatório da operação, grupos organizados atuavam no corte clandestino das palmeiras em áreas de floresta, transportando o material de forma furtiva até fábricas de beneficiamento. Parte da produção era destinada diretamente a bares e restaurantes, envasada sem rótulos ou controle sanitário, e, em alguns casos, misturada a outras espécies de palmito, como pupunha, açaí e palmeira-real.

Os fiscais também constataram o uso de documentação falsa ou adulterada para dar aparência de legalidade ao produto. A prática, segundo os órgãos ambientais, causa impactos significativos às unidades de conservação federais, especialmente ao Parque Nacional da Serra do Itajaí e à Floresta Nacional de Ibirama, além de áreas de mata nativa no entorno.

Condições sanitárias e riscos ao consumo

Durante as inspeções, foram encontradas condições inadequadas de higiene e armazenamento em várias fábricas. O palmito era processado e envasado em ambientes sem controle de temperatura e em vidros reutilizados, sem rótulos ou procedência.

Em nota, o Ibama destacou que o produto irregular pode representar risco de contaminação alimentar, especialmente pelo botulismo, doença grave causada pela bactéria Clostridium botulinum. Parte das amostras foi mantida sob guarda do ICMBio para análises laboratoriais específicas, enquanto a maior parte do material apreendido foi destruída.

Fiscalização também identificou indústrias regularizadas

A operação inspecionou tanto fábricas clandestinas quanto indústrias legalizadas, que mantêm planos de manejo, Cadastro Técnico Federal (CTF) e Documento de Origem Florestal (DOF), exigidos pela legislação ambiental. Segundo os órgãos federais, esse trabalho contribui para distinguir as atividades regulares das ilegais e fortalecer o controle sobre a origem do palmito comercializado na região.

Toda a documentação de autuações e relatórios será encaminhada ao Ministério Público e às prefeituras municipais, que deverão apurar as responsabilidades sanitárias e criminais conforme as condições encontradas em cada local.

Espécie essencial à Mata Atlântica

A palmeira-juçara tem papel ecológico fundamental na regeneração natural da Mata Atlântica. Seus frutos e sementes servem de alimento para mais de 60 espécies de aves e mamíferos, entre elas tucanos, jacutingas, cotias e sabiás. A extração ilegal do palmito leva à morte da planta, comprometendo o equilíbrio do ecossistema e a manutenção da biodiversidade nas florestas do Vale do Itajaí.

A Operação Euterpe 2025 integra o esforço nacional de combate à exploração ilegal da palmeira-juçara e ao comércio irregular de conservas de palmito, reforçando o monitoramento das atividades econômicas que utilizam recursos florestais da Mata Atlântica.

 

Notícias relacionadas