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Onde os “velhinhos” têm vez

Em um rancho os fundos de casa, tudo se pode encontrar. Entre ferros de passar, bicicletas, serras e diversos instrumentos, o passado se faz presente. O que muita gente chamaria de lataria, velharia e jogaria fora, um pomerodense faz questão de ter em casa, exposto para quem quiser ver.

1 de junho de 2015

Em um rancho os fundos de casa, tudo se pode encontrar. Entre ferros de passar, bicicletas, serras e diversos instrumentos, o passado se faz presente. O que muita gente chamaria de lataria, velharia e jogaria fora, um pomerodense faz questão de ter em casa, exposto para quem quiser ver. São diversas peças (algumas inacreditáveis) que se dividem em categorias e contam sobre um passado, carregando a história de seus antigos donos.

Osni Horongoso, de 49 anos, tem nessas antiguidades, uma paixão. Na casa, é possível perceber que as ditas velharias tem seu espaço de carinho garantido. Nas prateleiras, como parte de decoração da casa, em muitos cômodos, há sempre a presença de um objeto antigo para dar aquele charme no ambiente. Do lado de fora, dois ranchos que estão repletos de diversidades decenárias e centenárias que engrandecem os olhos de quem os vê.

O hobby, que surgiu não sendo exatamente um hobby, veio após o falecimento de sua mãe, que de herança, deixou para os filhos uma verdadeira coleção de louças, bonitas e que chamam a atenção pelos detalhes charmosos das peças. Quando minha mãe veio a falecer e deixou as louças para os filhos, comecei a ter gosto por possuir as coisas antigas. Fiquei também com uma cristaleira que era dela, e então, a paixão de fato me pegou. Depois disso, comecei a colecionar diversas outras coisas, indo atrás e pesquisando aonde e o que eu conseguiria e agora, se tornou um hobby, algo que eu tenho como passatempo, conta Osni.

Hobby este que já coleciona uma boa quantidade de peças. Não dá para contar tudo que Osni possui em sua casa, mas para ter uma ideia, são 48 monaretas, 15 rádios antigos e uma sala repleta de discos de bandas como Corpo e Alma, Abba e o eterno Rei do Pop Michael Jackson. Não sei dizer ao certo quantas coisas antigas eu tenho. Tem muita coisa, muita variedade, explica. Desde ferramentas, utensílios para casa, eletrodomésticos antigos e muitas, mas muitas outras coisas que nem esta redatora consegue lembrar.

Alguns itens chamam bastante a atenção. Gravadores de voz antigos (que de fato não são nada parecidos com os atuais), Televisores, ferros de passar a vapor (com chaminés!), máquinas de costura, caldeirões, e muito mais. Entretanto, o mais incomum que se encontra entre as peças é uma armadilha de urso, que antigamente era usada em caça a animais da região, como a capivara. Hoje inutilizada, servindo apenas como lembrança, a armadilha chama a atenção justamente pela peculiaridade da peça. Poucas pessoas puderam ver uma dessas. Eu mesmo, antes de adquirir esta daqui não tinha visto nenhuma. Quem vê fica maravilhado. Esta peça com certeza tem muitas histórias para contar, exalta.

Além da armadilha de urso, outro pequeno utensílio chama a atenção é uma espécie de lápis (só que feito de pedra) que escreve somente em pedras. Lápis e papel, ou melhor, pedra e lápis de pedra na mão, e vamos testar! Sob a superfície lisa da pedra, surge o nome Jornal de Pomerode, formado a partir de rabiscos. E para apagar, tem borracha para isso? Seria uma borracha de pedra? Que nada! O segredo está na ponta dos dedos (literalmente). Osni diz que estas peças já têm um bom tempinho. Eu estimo que isso deva ter mais de cem anos, relata. De acordo com a história, estes lápis estão datados no século XIX.

Ferramentas se vê aos montes. Porém, tem uma que chama bastante a atenção. Trata-se de uma serra, destas que parecem saídas de um filme, que deixa aquela perguntinha na cabeça: Como se usa esse negócio?. A dita serra mede 2,30 metros de comprimento e, provavelmente, deveria ser manuseada por duas pessoas. Este é um item que tenho bastante apreço, que é difícil de encontrar. Não sei se é possível comprar uma dessas hoje ainda, mas sei que esta daqui é das antigas. Serradores a usavam para cortar toras, ressalta.

Além disso, lambretas também fazem parte da paixão. Eu tenho cinco lambretas comigo, duas que estão desmontadas e três que estão inteiras, e funcionando. Mas há mais. Elas estão distribuídas entre a família. Se somarmos todas, deve dar umas 20 lambretas. É bastante se pensarmos que hoje, é um item de colecionador, já que é difícil de encontrar, explica Osni.

Bom, já foram serras, lápis de pedra, lambretas, motonetas, a armadilha de urso. O que há mais? Claro! Como esquecer da radiola. Um aparelho de som antigo para tocar discos de vinil. No canto de uma sala (aquela amontoada de discos), está o charme do local. Osni pega um deles e coloca para tocar – e funciona ainda! Ao som de um bom rock dos anos 80, ele explica que possui três destas radiolas em sua coleção. Além de outros tipos de toca-discos.

Rádios antigos também não faltam. E há algumas gerações deles. Desde aqueles grandes do tamanho de um televisor, até uns menores, que já funcionavam a pilha. Osni explica que um deles é herança de seu pai, e por isso, guarda com muito carinho. Outros eu fui adquirindo com o tempo, com outras pessoas, parentes próximos, amigos, quem tinha que queria doar ou vender, conta.

Dentre diversas peças que Osni guarda, há uma que ele guarda com um carinho mais que especial. Um ovo de porcelana, decorado com a temática da páscoa e personalizado com o seu nome, produzido por uma empresa de Pomerode. Ganhei esta peça de minha mãe quando eu tinha uns 10 anos. É um presente que guardo com grande carinho e consideração. Há memórias da minha infância nele, que pretendo preservar, lembra.

São tantas as peças colecionadas que é impossível não se perguntar como que Osni consegue tudo isso. Ele explica. Muitas dessas coisas são da minha família. Coisas que eu mesmo fui procurando. Outras coisas são de conhecidos, que sabem do meu hobby e sedem os objetos. E outros eu mesmo compro, explica.

Uma paixão que Osni pretende que siga adiante. Os filhos também têm gosto por coisas antigas, e ele espera que herdem a coleção do pai. Eles também gostam disso, mas não são colecionadores, e sim admiradores. Meu filho gosta muito da armadilha de urso, conta.

Objetos que conservam em seus traços a história. Um passado que se remonta e traz a vida um pouco de como era a vida antigamente. E há pessoas como Osni que, com o objetivo de manter a memória viva, de um passado que não voltará, mas que merece ser lembrado.

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