Oferecendo cuidados, recebendo o que só a experiência pode dar
Quando pensei em cursar a universidade, não sabia ao certo qual área seria. Decidi fazer Administração em Marketing por gostar tanto da parte mais burocrática, quanto também, pela criatividade que a área exige
Quando pensei em cursar a universidade, não sabia ao certo qual área seria. Decidi fazer Administração em Marketing por gostar tanto da parte mais burocrática, quanto também, pela criatividade que a área exige. Na hora da especialização, optei para atuar em Marketing Empresarial, com o objetivo de conhecer mais profundamente a parte administrativa e de atendimento ao cliente, associando assim, a teoria com minhas atividades profissionais.
No meu dia a dia no Jornal de Pomerode cuido do setor de assinaturas. Nesta função sou eu quem coordena toda a parte de atendimento envolvendo atuais assinantes e novos. Em muitos casos, surge certa amizade entre eles e eu, já que os contatos são frequentes e eles acabam me tendo como referência quando precisam de algo. Porém, muitas vezes nem nos conhecemos pessoalmente. Não existe o contato direto, físico.
Esta semana recebi uma tarefa diferente, que pra mim se tornou muito especial. Nunca havia feito um trabalho voluntário, atravessei uma barreira, o medo. Passei meu feriado do dia 1°maio imaginando como seria!
Sexta-feira, dia 02 de maio, dia lindo de sol, clima agradável, saí de casa determinada a fazer algo diferente, sair da minha rotina. Parei meu carro em frente à Casa de Repouso (Pommerhein). No começo, confesso que estava bastante tímida, mas depois me apaixonei pelo carisma do local e das pessoas que nele moram.
Conheci pessoas dedicadas, pacientes e que gostam de fazer o bem. Conheci pessoas que precisam dessas pessoas, são senhores e senhoras que precisam deste tratamento especial, por serem, na verdade, pessoas especiais.
Passei a manhã fazendo ginástica laboral com os idosos, todos são convidados a participar e, durante os exercícios algumas rotinas, como tomar os remédios, medir a pressão e o um delicioso suco para recuperar as energias. Movimentando os braços, as pernas, a cabeça, jogando bola, escutando música. Consegui perceber através do olhar de cada um deles que esse simples movimento é para o seu bem, que melhora sua auto-estima.
Conheci um senhor muito simpático que, contou uma história engraçada. Ele morava em Blumenau e muitas vezes, vinha de bicicleta para os bailes em Pomerode. Sexta, sábado e domingo só dava ele nos bailes, era disputado pelas meninas, pé de valsa.
E a Dona Emma, uma senhora alegre, que gosta de conversar, disseram que faz as honras da casa, comunicativa que só ela.
Senti nessa visita pessoas serenas, que gostam de conversar, que gostam de atenção, que gostam de se arrumar, que gostam de curtir a vida, da maneira mais simples e que é a coisa mais importante pra eles.
Não pude participar de alguns procedimentos, mas o pouco que vivenciei e participei foi o bastante para perceber o quanto são especiais. Na hora da despedida dei um aperto de mão em cada um, e alguns bem apertados.
Para mim, que trabalho mais na área burocrática, sair da rotina de tabelas, sistemas, contratos e planilhas e lidar, de uma hora para outra, com um lado mais físico, humano, direto, ainda mais com idosos, que tem suas limitações e condições peculiares, foi uma experiência muito mais que especial. O pouco que pude conviver com eles, fez com que eu me sentisse mais serena. Uma lição? Certamente aprendi que ter força de vontade para viver, indiferente de tudo, é fundamental. Aprendi que todos somos iguais e que é possível, em determinados momentos, esquecer a diferença de idade que nos separa. – Por: Taina Mara Caetano (Coordenadora da Central de Assinatura)