Objetivo: salvar vidas
Bombeira voluntária atende ocorrência e, por telefone, auxilia mãe a salvar vida de bebê, de apenas oito meses
Ser bombeiro é mais do que atender ocorrências, apagar incêndios e fazer encaminhamentos ao hospital. É amor, é fazer o bem, é não esperar nada em troca para auxiliar o próximo.
E muito mais do que tudo isso, ser bombeiro é salvar vidas. Prova recente de que a dedicação, o preparo e a calma são itens básicos para o bom desenvolvimento do trabalho, Dorita Weber atendeu e salvou a vida do pequeno Wallace Dominguez, de apenas oito meses, por telefone.
Tudo começou pouco antes de Dorita terminar seu plantão, na segunda-feira, dia 10 de fevereiro, às 12h50min. O telefone tocou e eu atendi. Do outro lado da linha era Eliziane Dominguez, mãe de Wallace, que comunicava que o menino estava com uma tampinha de garrafa de água na boca, conta a bombeira voluntária.
Eliziane explica que estava arrumando a casa quando ouviu choro de seu filho caçula. Quando fui olhar, percebi que ele estava com a tampinha da garrafa de água mineral na boca. Estava presa, metade para dentro e metade para fora. Ele chorava muito e então liguei para os bombeiros, relembra.
A bombeira conta que a mãe estava extremamente nervosa ao telefone e, por conta disso, não se fazia entender direito. Eu não conseguia entender o endereço da casa dela. Foi então que, por telefone, solicitei que ela se acalmasse e a expliquei sobre o procedimento que precisava efetuar, que consiste em virar a criança de costas e bater, de leve, em suas costas, relata.
No entanto, Eliziane também tentava retirar o objeto da boca de Wallace e isso fez com que ele entrasse ainda mais em sua boca. Apesar de saber da gravidade da ocorrência, havia algo que nos tranquilizava: o choro de bebê. Pois se ele estivesse mudo, significaria que ele não estava mais respirando e, ao chorar, sabíamos que ele o estava fazendo, explica Dorita.
Cerca de dois minutos no telefone se passaram quando a mãe gritou: saiu! E com a confirmação de que o bebê estava bem e a mãe mais tranquila, o endereço de sua residência pode ser confirmado.
Toda a equipe do Corpo de Bombeiros Voluntários de Pomerode já estava pronta para sair da corporação e atender a ocorrência. Normalmente, quem atende ao telefone fica na corporação, enquanto a equipe se desloca até o local. Desta vez, no entanto, a situação foi resolvida pelo telefone e fiz questão de ir até o local para ver a situação. Então, eu, o Thomas e o Leandro fomos à residência, fala Dorita.
Eliziane conta que a ambulância chegou rapidamente e os bombeiros encaminharam o bebê ao hospital. Quando chegaram aqui, logo perguntei à Dorita se havia sido ela que me atendeu e ela confirmou. Agradeço muito por isso. O Wallace arranhou a garganta um pouco e ficou com a boca machucada, mas está bem, revela a mãe.
Quando a situação foi resolvida, Eliziane conta que o alívio tomou conta. Você nunca acha que essas coisas podem acontecer na sua casa e na hora em que acontece você se esquece de tudo. A Dorita me passou muita tranquilidade e calma para contornar a situação. E quando a tampinha saiu da boca dele eu só podia agradecer a Deus e aos bombeiros, completa.
O pequeno Wallace, que completa nove meses no dia 21 de fevereiro, ainda não entende o que aconteceu com ele, mas já sabe agradecer. Isso porque ao entrar em sua casa, o menino logo se rendeu ao colo de Dorita, situação incomum, de acordo com a mãe. Dificilmente ele se joga e vai assim fácil com alguém. Parece que ele sente e sabe o que ela fez por ele, analisa a mãe.
E, durante toda a entrevista, o menino era só carinhos e até dormiu nos braços de Dorita. Para a bombeira voluntária, são momentos como esse que a fazem ter certeza de sua escolha. Quando a mãe gritou que a tampa saiu eu gritei junto com ela. A emoção de escutar o alívio pelo telefone foi tão grande quanto chegar a casa e ver que, apesar de assustado, ele estava bem, revela.
A situação vivida com Eliziane também já foi vivida por Dorita. Quando minha filha tinha três semanas ela se engasgou com saliva. Eu ainda morava em Blumenau e a levei ao hospital de lá. Ela já chegou praticamente sem sinais e o médico logo a trouxe de volta. Eu também não sabia o que fazer e como agir e soube exatamente como ela estava se sentindo, lembra.
Além do fato vivido por ela, Dorita também já salvou outro bebê. O caso ocorreu em Testo Central, quando estávamos na região e um vizinho nos chamou. Ao constatar a situação, percebemos que a criança, que tinha cerca de três ou quatro meses, estava cianótica (roxa). Efetuei o mesmo procedimento que expliquei por telefone e o bebê voltou a respirar. Também efetuei uma massagem. Ela havia se engasgado com arroz amassado, conta.
O desejo de ser bombeira já existia desde que Dorita era criança. No entanto, só pode ser realizado alguns anos depois. Eu casei e tenho duas filhas e depois que elas cresceram fui atrás do meu sonho. E digo que não há sentimento melhor, afirma.
O trabalho voluntário exercido há cinco anos é, além de gratificante, certeza de que fazer o bem aos outros é, com certeza, também fazer bem a si mesmo. E pra quem me pergunta por que eu trabalho de graça, eu respondo que não trabalho de graça, eu trabalho por vidas.