Geral

O tempo do cardeal vai chegar

Confira a coluna do Ministro do Turismo, Vinicius Lummertz desta quarta-feira, 26 de dezembro, intitulado “O tempo do cardeal vai chegar”. No texto, ele defende que o Brasil ainda precisa de micro, meso e macro reformas. A eleição de Jair Bolsonaro mostra que se quer mudança

26 de dezembro de 2018

Por Vinicius Lummertz – Ministro do Turismo

Ele podia optar por seguir o caminho mais fácil, das medidas que agradam a opinião pública. Ele podia cumprir tabela, tocar a bola de lado fazendo só firulas para deixar o tempo passar. Escolheu colocar o dedo na ferida, tratar de temas polêmicos. Pontos que impediam o crescimento do país, mas historicamente eram deixadas para depois. Assumiu o ônus de fazer o que era certo e arcar com o desgaste político. Provocou contra si a mais sórdida reação e um plano para tirá-lo do poder que ultrapassou o que seriam os limites nas democracias globais: gravações e ilações montadas dentro da residência presidencial.

O presidente Michel Temer se portou como estadista com visão de longo prazo e, a exemplos de outros grandes líderes, não foi compreendido ou reconhecido no seu tempo. Não é de se estranhar que reformas basilares para a retomada do crescimento econômico sejam desprezadas ou, até mesmo, criticadas num país que insiste em proclamar uma democracia social por decreto, sem discutir quem paga a conta.

A criação de um teto para os gastos públicos não enfrentaria qualquer resistência num país em que conceitos básicos de economia estejam arraigados na população e nos seus representantes. A modernização das leis trabalhistas segue a mesma linha. Ainda é cedo para entender todos os desdobramentos da medida. Apenas para citar um segmento, nos bares e restaurantes, estima-se a criação de 2 milhões de empregos.

É comum medir um homem pelas vitórias. Prefiro pensar que tão importante quanto as nossas conquistas, são os nossos combates. Michel Temer, ao assumir a Presidência da República, sabia que tinha pouco mais de 2 anos no cargo. Tinha consciência que o déficit da Previdência jamais estouraria na sua gestão e que este é um tema altamente explosivo. Decidiu aceitar o desgaste público de pautar a reforma em prol do resgate da credibilidade do país. Foi incansável. Não conseguiu a aprovação, mas colocou o assunto na pauta nacional.

No campo das reformas também merece destaque a do ensino médio. Medida que mais uma vez não tem foco no curto prazo que seduz os políticos e dá força ao populismo. O presidente que deixará o comando do país em dezembro é o antipopulista. Um homem que conseguiu recuperar a economia do Brasil, construiu pontes para o futuro, optou por trabalhar na fundação de catedrais em vez de inaugurar capelas.

O Brasil ainda precisa de micro, meso e macro reformas. A eleição de Jair Bolsonaro mostra que se quer mudança. É um cenário amplamente favorável para o Brasil se abrir para o mundo, enfim enxergar soluções que já foram testadas em outras nações e terminar de edificar as catedrais que tiveram suas bases fincadas nesses pouco mais de dois anos. Quando esse tempo chegar, será fácil separar os coroinhas dos cardeais.

Notícias relacionadas