Meio Ambiente

O que é uma estação hidrológica? Para onde vão os dados?

Entenda qual é a utilidade de equipamento instalado no Centro da cidade

16 de setembro de 2023

Estação fica instalada na Rua Arthur Reinert, no Centro de Pomerode. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

A cidade de Pomerode ganhou, recentemente, uma importante ferramenta para o monitoramento das condições hidrológicas locais.

Uma estação hidrológica foi instalada no município com o objetivo de coletar dados precisos sobre os recursos hídricos da região, proporcionando maior segurança e prevenção contra desastres naturais, na cidade.

Mas afinal: você sabe para que serve realmente uma estação hidrológica?

Este equipamento, que está instalado na ponte da Rua Arthur Reinert, no Centro de Pomerode, tem como finalidade básica realizar a medida, o armazenamento e a transmissão de dados hidrológicos. Essas estações monitoram o nível do rio (usando sensor tipo radar) e da precipitação (com pluviômetro de báscula), e incluem uma webcam integrada ao datalogger de maneira a permitir registros fotográficos em tempo real da situação do rio, principalmente no que diz respeito a enxurrada, erosão de margens e alagamento do núcleo urbano. Essas informações são transmitidas pelas redes de telefonia celular ou por satélite.

Com a instalação da estação hidrológica em Pomerode, a cidade agora conta com uma ferramenta de extrema importância para prevenir e enfrentar situações adversas relacionadas ao clima e ao nível dos corpos d’água. Através dos dados coletados pela estação, é possível obter informações em tempo real sobre a quantidade de chuvas, nível dos rios e demais aspectos hidrológicos, permitindo que a Defesa Civil e outros órgãos competentes atuem com mais agilidade em casos de inundações, deslizamentos e outras ocorrências associadas às condições climáticas. Fora que, esses dados também podem ser consultados pela população, através do site https://monitoramento.defesacivil.sc.gov.br/mapa. A plataforma ainda está em período de testes e em breve ficará ainda mais completa.

Fora que esses dados também podem ser consultados pela população, através do site https://monitoramento.defesacivil.sc.gov.br/mapa. A plataforma ainda está em período de testes e, em breve, ficará ainda mais completa.

 

E, esses dados, para onde vão?

Segundo Maykel Campestrini, Coordenador Regional de Proteção e Defesa Civil de Blumenau, que atua na região do Vale do Itajaí, todos os dados coletados vão para o Centro da Defesa Civil, em Florianópolis. A Defesa Civil de Florianópolis conta com uma equipe de meteorologistas altamente capacitados que analisam os dados recebidos das estações hidrológicas, bem como de outras fontes meteorológicas. Essa equipe é fundamental para a emissão dos alertas que a população recebe via SMS ou através de outros canais da DC.

Campestrini também explica que os dados meteorológicos também são baseados através dos radares, instalados em Santa Catarina. Atualmente, o estado conta com quatro radares meteorológicos que fazem a cobertura em solo catarinense. Em Pomerode e região, por exemplo, o radar que monitora é de Lontras, que fica instalado no Alto Vale. Este equipamento conta com uma área de cobertura de 400 km em modo de vigilância e 200 km de monitoramento detalhado, abrangendo cerca de 190 municípios.

Maykel Campestrini e Evandro de Melo, da Coordenadoria Regional Proteção e Defesa Civil Regional Médio Vale. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

 

Os outros radares ficam em Chapecó, Araranguá, no Sul do Estado, e recentemente foi inaugurado um na cidade de Joinville.

Além de contar com o suporte da Defesa Civil de Florianópolis, o estado de Santa Catarina possui um centro regional em Blumenau. Esse órgão atua como um ponto estratégico de apoio em diversas situações, sejam elas de risco ou não, relacionadas a desastres naturais e emergências. Campestrini conta que o local, que fica anexo ao Complexo do Sesi, no bairro Vorstadt, funciona como um “QG” estratégico para situações de emergência.

“O nosso Centro conta com uma preparação especial para casos de emergências e situações de calamidade. O local conta com um gerador, que permite ficar dias com energia elétrica, possui equipamentos para serem utilizados durante uma gestão de crise, para planejamento de onde atuar, onde monitorar, qual área está mais afetada ou apresentando risco. E, não é só nos casos de situações climáticas, nosso Centro envolve também questões de emergências sanitárias, damos suporte para alguma situação – até mesmo policial, cedendo os equipamentos. É um trabalho muito importante”, conta.

O centro regional da Defesa Civil de Blumenau não se limita apenas a ações de resposta e assistência em situações de desastres. A equipe também realiza um trabalho educativo junto às escolas através do “Projeto Defesa Civil nas escolas”. Esse projeto tem o objetivo de conscientizar os alunos sobre a importância da prevenção e da redução de riscos de desastres, ensinando-os a adotar medidas de segurança em diferentes cenários, como enchentes, deslizamentos, incêndios e outros cuidados em geral. Em Pomerode, o projeto será iniciado em 2023 e algumas escolas já irão receber o material em breve.

Centro Regional da Defesa Civil de Blumenau fica anexo ao Complexo do Sesi. (Foto: Raphael Carrasco / Jornal de Pomerode)

 

Campestrini também ressalta que outros trabalhos são feitos pela Defesa Civil, além da prevenção e atuação em situação de emergência.

“Nós, aqui da regional de Blumenau, também visitamos municípios para escutar o que é necessário. Outra situação, é que temos uma “Lei de ajuda mútua”, ou seja, quando uma cidade sofre com uma enchente ou um evento climático que causou prejuízos ou danos, outras cidades, através dessa lei, nos auxiliam com o empréstimo de equipamentos e profissionais para atuarem e ajudarem a cidade atingida. No começo do ano, tivemos uma situação em Rodeio, então, outros municípios ajudaram emprestando maquinários e cedendo seus profissionais. Isso mostra que a união é muito importante nestes casos”, conta.

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