O que anda fazendo?
O centroavante paulista fez sucesso nos gramados catarinenses e vestiu a camisa de diversos clubes do estado.
Quem acompanha o futebol Catarinense há mais de 35 anos, deve se recordar de um paulista alto e com faro de gol, que balançou muitas redes por todo Estado. Bráulio Bezerra, hoje aposentado, com 68 anos e morando em Ilhota, foi artilheiro por onde passou e fez história no futebol de Santa Catarina. Parou de jogar somente aos 42 anos, quando encerrou sua carreira após a primeira e única contusão grave que sofreu.
Vestiu camisas de clubes importantes no Estado e foi artilheiro do Catarinense em diversas oportunidades. Centroavante matador, fez muitos gols no Figueirense, Palmeiras de Blumenau, Joaçaba, Paysandu, Blumenau Esporte Clube, Brusque, Marcílio Dias, Carlos Renaux, Operário de Criciúma, Inter e Guarani de Lages, América de Joinville e Barroso de Itajaí.
Foram 30 anos dedicados ao futebol dentro de campo e mais tantos depois que pendurou as chuteiras. Mas foi no campo que Bráulio, viveu suas maiores emoções. “Comecei no Corinthians e subi para o profissional junto com Rivellino. Depois fui jogar no Ferroviário de Araraquara. Nesses dois clubes, tive pela frente o Rei Pelé, que mais ou menos com a minha idade, já encantava com a bola nos pés”, recordou o ex-jogador.
Retornou ao time que lhe projetou e ficou mais alguns anos, até se aventurar nos gramados do Sul do Brasil. Jogou no Londrina e chegou ao Internacional de Porto Alegre. De lá, saiu correndo, com dirigentes do clube querendo levá-lo de volta, mas nada o dissuadiu de voltar a Santa Catarina, onde gostava de jogar e queria fincar raízes. “Eu tinha ido jogar em Porto Alegre, mas fazia muito frio lá e recebi uma proposta do Brusque. Não queria ficar no Inter e vim embora para cá”, lembrou Bráulio.
Era uma época que o Catarinense tinha 25 times e durava o ano inteiro. Foi nesse cenário que sua história se cruzou com a cidade onde vive hoje. “Um amigo me convidou e vim morar aqui. Como estava jogando em Blumenau ficava fácil, já que as duas cidades são muito próximas”, contou.
Por falar em Blumenau, dois grandes momentos de sua história foram vividos vestindo as camisas de dois clubes da cidade, o Palmeiras e o Blumenau Esporte Clube. A primeira passagem, Bráulio não se recorda a data, mas lembra que ficou frente a frente com o zagueiro campeão do mundo em 1958, Bellini, conforme conta e cutuca: “Joguei contra ele em um amistoso em Rio do Sul. Eu jogava pelo Palmeiras e ele atuou convidado pelo Grêmio Olímpico. O jogo foi 1 a 1 e eu que fiz o gol. Bellini só era bom porque batia muito e dava chutão”.
No BEC, jogou contra Zico e cia., em um amistoso no dia 30 de julho de 1985. Foi a única vez que o saudoso Tricolor da Rua das Palmeiras venceu o time Carioca. Isso, quatro anos antes das duas partidas pela Copa do Brasil de 1989. “O jogo foi no Sesi e vencemos por 1 a 0. Não fiz o gol, mas dei o passe para nossa vitória”, falou orgulhoso.
Fora de campo Bráulio, também foi importante para o esporte Catarinense. Foi ele um dos fundadores da Associação de Garantia do Atleta Profissional de Santa Catarina e, durante 20 anos, ensinou os caminhos do gol para muitas crianças do município de Ilhota, onde foi professor da escolinha. “Quando parei de jogar, voltei ao BEC e comandei a escolinha de futebol, depois iniciei o trabalho em Ilhota, onde participei de muitas competições de divisões de base”, disse com um ar de que sente falta da criançada, que hoje, um ano depois de se aposentar, pede para ele voltar a dar aulas.
A única coisa que Bráulio lamenta nessa história com a bola nos pés, é que muitos dos registros de sua carreira se perderam nas enchentes que o Vale do Itajaí sofreu ao longo das décadas. “Fiz, com certeza, mais de 500 gols, não me recordo, e as reportagens que falavam de mim, camisas da equipe e fotos se perderam nas enchentes. Alguma coisa de camisa eu até cheguei a dar de presente a quem pedia”, concluiu.