O que anda fazendo?
Um nome de peso no futebol de salão
Goleiro bicampeão mundial pela Seleção Brasileira conta um pouco de sua trajetória e porque escolheu Blumenau para viver.
Pança: para alguns, pode parecer um apelido pejorativo. Para outros, motivo de piada. Mas para os saudosistas do futebol de salão, este nome representa uma geração inteira.
Considerado um dos melhores goleiros de todos os tempos, Marcelo Pazzini, o Pança, ganhou notoriedade jogando pela Perdigão, de Videira, e também pela Seleção Brasileira, onde conquistou muitos títulos e passou a ser referência do esporte mais praticado no Brasil.
Pança nasceu no dia 01 de janeiro de 1957, em Belo Horizonte (MG). E foi com este jeito mineirinho ?come-quieto? que teve uma trajetória muito expressiva pelo esporte. ?Comecei jogando futebol de salão em São Paulo, no ano de 1977, em campeonatos extra-oficiais. Naquela época, o Círculo Militar fez um amistoso contra a gente e eu fui bem. Logo em 1978, fui contratado pela equipe. No primeiro ano, fiquei no banco de reservas. Nos segundo, já era titular e no terceiro, já estava na Seleção Brasileira?, conta.
Pança revela que sua entrada na Seleção foi abonada por Vicente Piazza, vice-presidente da CBFS. ?Na época, o Piazza foi meu treinador nos Jogos Universitários Brasileiros. Como não havia nenhum tipo de intercâmbio, fui indicado por ele. Mas nem por isso, tinha privilégios. Tive que mostrar serviço para continuar atuando com a ?amarelinha? e, graças ao meu esforço, cheguei onde cheguei?, diz, sem falsa modéstia.
Pelo Brasil, Pança foi bicampeão Mundial (1982 e 1985), bicampeão Panamericano (1981 e 1984), bicampeão Sulamericano (1983 e 1987), entre outros títulos.
No início da carreira, todos tinham curiosidade em saber o motivo do apelido do arqueiro. ?Pode parecer um contraponto, um atleta se chamar Pança. Acontece, que no começo, eu realmente estava acima do peso. Mas isso nunca foi problema para mim. Muitos desconfiavam da minha capacidade, mas sempre dei a resposta dentro de quadra. Claro que, depois tive que me cuidar, afinal, eu era um atleta. Mas o apelido, muito carismático, ficou?.
Logo após Círculo Militar, o goleiro foi para o Gercam, em 1982, no qual foi campeão paulista e vice-campeão brasileiro. Mas a virada na carreira viria dois anos depois. ?Em São Paulo, eu estudava arquitetura e treinava à noite. Nunca passou pela minha cabeça fazer uma carreira profissional. Tudo mudou com o convite da Perdigão, de Videira, em 1984. Os dirigentes catarinenses queriam fazer a melhor equipe de futsal do Brasil, e escolheram os atletas a dedo. Eu me orgulho em poder ter feito parte desta história?, relata.
?A Perdigão foi a primeira equipe totalmente profissional do país, sendo, inclusive, base para a Seleção Brasileira. Naquela oportunidade, ganhamos todos os títulos possíveis, entre eles, Catarinense, Sulamericano e Mundial de Clubes, fazendo com que Santa Catarina entrasse no cenário do futebol de salão. Logo depois, outras equipes também despontaram, como a Tigre e a Sadia, igualmente vencedoras?, acrescenta.
Em 1988, Pança se transferiu para a Enxuta, de Caxias do Sul (RS). Um ano depois, jogou na GM e Banespa (São Paulo). Em 1991, defendeu o Banfor, de Fortaleza (CE), até o ano de 1993, quando se aposentou. ?Fiquei no Ceará de 1993 a 2002, onde atuei como sub gerente de uma empresa de seguros em Fortaleza. Fui também treinador da equipe do Corpo de Bombeiros da cidade, algo que fazia como hobby. Foi uma experiência espetacular, pois o time foi a grande sensação durante minha passagem?.
Em 2002, Pança teve a oportunidade de vir a Blumenau, a convite de Valdecir, seu companheiro de meta na Perdigão. ?Foi o Valdecir que me indicou para a empresa do ramo de tinturaria, na qual sou representante comercial. No começo, para mostrar serviço, eu usava o fato de ter sido um jogador famoso como estratégia de vendas. Quando a oportunidade surgia, eu começava a falar sobre futebol com meus clientes. Ao final, conseguia realizar a venda. Mas hoje, graças ao meu conhecimento técnico, não necessito mais desse ?artifício??, revela, aos risos.
No entanto, Pança ainda está muito ligado ao esporte. ?De vez em quando, aquela Seleção se reúne para jogos festivos, onde podemos matar a saudade dos amigos e relembrar velhas histórias dos tempos áureos.?
E uma destas histórias, aconteceu no ano de 1987. ?Santa Catarina jogava contra São Paulo num Zonal, em Videira, que valia vaga para as finais, em Mato Grosso. Por sinal, fomos campeões naquele ano, com o time base da Perdigão. Era a última partida e precisávamos vencer para chegar às finais. Faltando um minuto para o término do jogo, Jackson estava na lateral esperando a marcação, e eu, fora do gol. Ele quis recuar para mim, só que a bola veio muito fraca e o ala Jorginho antecipou, rolando rasteira na marca do pênalti para um jogador chamado Grelo. Quando a bola passou por mim, eu tive a reação instintiva de me jogar para dentro do gol. Quando Grelo deu um tapa de primeira e rasteiro, eu consegui defender com apenas uma mão, segurando firme a bola. Até hoje, este lance é comentado. Foi um momento especial na minha carreira?, conta.
Por toda a sua história de vida, como atleta e como pessoa, Pança ainda é venerado por onde passa. ?O futebol de salão abriu muitas portas para mim. O sucesso é resultado de muito esforço e trabalho, pois sempre tive que lutar contra a balança. Eu era gordinho, mas não admitia perder para um magrinho. Isso se chama perseverança. E é essa a mensagem que eu passo para os mais jovens, que estão começando. Com perseverança e humildade, as coisas se tornam mais fáceis e você chega aonde você quiser?, finaliza Pança.