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Reviravoltas: Ex-zagueiro mostra que é possível redescobrir
a paixão pelo futebol

22 de outubro de 2010

Nada como encontrar velhos conhecidos do futebol, para fazer uma boa resenha e relembrar os tempos que viveram nos gramados. Foi isso que aconteceu recentemente com o ex-jogador e hoje olheiro, Jurandir Duarte, o Nego Jura.

O local do encontro foi a cidade de Santos, onde de um lado estava o gaúcho de Rio Grande e do outro, ninguém menos que Serginho Chulapa. O morador de Gaspar estava de passagem pela cidade do litoral paulista e aproveitou para conversar com o goleador.

Juntos, relembraram momentos vividos no futebol e algumas injustiças dos gramados, que até hoje fazem o ex-zagueiro de 58 anos, refletir sobre sua trajetória.

Uma dessas lembranças, que serviram para embalar a conversa entre os dois boleiros, foi sobre outro zagueiro, Edinho, que disputava a posição com Nego Jura nas divisões de base do Fluminense, do Rio de Janeiro. Nego Jura relembra que o ex-jogador de Flamengo, Fluminense e Seleção Brasileira, perdeu a vaga de titular no time juvenil para ele, mas recuperou pelo relacionamento que tinha com a diretoria do clube carioca. ?Cheguei ao Flu em 1969, indicado por um comandante da Marinha que me chefiava no trabalho de agregado em Florianópolis.

Ganhei a camisa de titular logo no terceiro treino, porém, o Edinho era protegido no time?, lamentou Jura.

Entretanto, a decepção não fez o gaúcho desistir do futebol e, após a passagem pelo Tricolor Carioca, o zagueiro retornou ao Rio Grande do Sul, onde conseguiu se profissionalizar pelo Rio Grande, em 1971, time de sua cidade natal. Depois passou pela Seleção do Exército, Xanxerense (Santa Catarina), Guarani (Foz do Iguaçu) e Vitória (Bahia), até se transferir para o Oriente Petroleiro, da Bolívia. Lá, ele garante que deu para ganhar dinheiro. ?Acabei gastando muito também, mas juntei uma grana na minha primeira experiência internacional, no ano de 1976?, contou o boleiro.

O retorno ao Brasil não foi um dos melhores e Nego Jura ficou seis meses parado. Porém, uma nova oportunidade fora do país reacendeu a vontade de jogar do ex-atleta. ?Tinha pensado em parar, mas recebi a proposta para atuar no Colón, de Santa Fé (Argentina), onde permaneci até meus 29 anos, quando, após a morte do meu pai, parei de jogar?, revelou o jogador.

O falecimento de seu pai, enquanto jogava na Argentina e a impossibilidade de estar em seu sepultamento, fez o jogador desistir da carreira, mas não o fez deixar de trabalhar no meio. Jura seguiu fazendo parte de comissões técnicas e massagista, como o mesmo brinca: ?passei a alisar a perna dos outros?. Foi justamente a função de massagista que trouxe o ex-jogador para Gaspar, quando foi convidado para trabalhar no Tupi, em 2001.

A experiência adquirida em tantos anos no meio esportivo o ajudou a desenvolver trabalhos com escolinhas de futebol, onde prioriza nos meninos o raciocínio lógico e é isso que observa como olheiro, sua atual dedicação dentro do futebol, onde representa o centro de formação de jogadores de futebol, Olé Brasil. ?Trabalhei como algumas escolinhas em Gaspar. Hoje represento o Olé Brasil aqui no Sul?, finalizou o ex-jogador.

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