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O famoso Krügão revela antigas histórias do futebol amador regional.

14 de setembro de 2010

 Jogando nos campos gaúchos ainda em 1963, Oli Alberto Krüger, 66 anos atualmente, foi um dos grandes nomes do futebol amador no estado vizinho, Santa Catarina. O zagueiro começou sua carreira na cidade de Pelotas, atuando nos times desta cidade e na sequência, em mais alguns ainda no Rio Grande do Sul.
A história nos estádios catarinenses começaria anos mais tarde, quando depois de uma curta passagem pelo futebol paulista, chegou a Blumenau em 1976 para estrear no Palmeiras. Foram sete anos dedicados ao time que viraria o mesmo do coração. ?Vim para o Palmeiras em 76, quando o Palmeiras comprou meu passe e foi aqui que eu fiquei durante os próximos sete anos?.
Enquanto jogava no time amador da cidade blumenauense, Krügão, como é conhecido pelos amigos, acabou machucando seu joelho pela segunda vez. ?Fiz a segunda cirurgia para limpar alguns vestígios da primeira. Eu tinha rompido o ligamento e o médico me aconselhou a operar?.
Seguindo sua história, jogou também no time do Vera Cruz, no município vizinho, Pomerode. ?Eu guardei na memória o Vera Cruz e o Vasto Verde, porque com eles eu joguei a segunda divisão, e lá era o seguinte, para bancar, tinha que ter patrocínio, e muitas vezes quem tinha mais, acabava comprando o jogo?.
Nesta fase de sua vida, Krügão confirmou que o time pomerodense era um grande time. ?Éramos seis jogadores muito bons, dificilmente perdíamos?. Retornando ao futebol amador de Blumenau, contou que a ?espinha dorsal?, como ele mesmo denominou, foi montada pelo técnico do então clube Palmeiras. ?O atual técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes também utilizou essa técnica, pegou jogadores bons do mesmo time e deu certo. Foi assim com a gente também?.
A vida no futebol seja ele amador ou profissional tem, normalmente, a mesma linha, contudo, uma gera muitos lucros, a outra nem tanto. Krügão se lembrou dessas dificuldades que o mesmo vivia também na sua época. ?É difícil você ficar tanto tempo em um time, como eu fiquei no Palmeiras. A gente ficava por amor à camisa?.
Segundo o zagueiro, as coisas mudaram muito desde a época em que ele jogava para agora. ?Jogávamos por amor à camisa, a gente jogava porque sabia, a maioria era questão de talento. Hoje em dia não, é muita correria, ?prancheta? (referindo-se aos recursos técnicos), academia?. Nas suas palavras, ele ainda ria contando o fato de que nas peneiras, o treinador jogava a bola, e se o ?cara? dominasse bem, muitas vezes já era motivo para ser contratado. ?Eu conheci um que o técnico jogou a bola, ela bateu na canela e saiu pra fora. Já foi motivo para ele não entrar no time?.
Citando ainda o poder que a mídia influenciou para o fortalecimento do esporte, relatou que muitos amigos se perderam durante o sucesso. ?O tempo vai passando e a fama vai embora. O que o jogador de antes e de hoje em dia precisa ter, é uma cabeça no lugar, pra não ir atrás de todas as ?Marias Chuteiras? que aparecem?.
Lembrando-se da época em que atuava nos campos, o eterno zagueiro palmeirense contou a história que ele julga uma das melhores da carreira. ?Quando chegamos ao estádio para jogar, o time adiou a partida para a noite do mesmo dia. Estávamos pilhados já de manhã, mas mesmo assim, tivemos que esperar até a noite para entrar no gramado. Foi uma estratégia do outro time para nos desconcentrar, mas mesmo assim, conseguimos sair com a vitória fora de casa. Foi inesquecível?.
As rivalidades entre torcidas também tiveram destaque na conversa com Krügão. Para ele, disputar um jogo em que as torcidas são rivais, era ainda mais emocionante. ?Já briguei depois de partida, já fizemos festa, é assim!?.
Mas entre todas as histórias do eterno zagueiro, o amor à camisa é o mais impressionante. A paixão com que o mesmo conta as histórias – que são muitas – mostra que o futebol, apesar de estar comercializando-se cada vez mais, nasceu de jogadores como ele, que fizeram das camisas por onde passou, paixões, as eternas e verdadeiras emoções.

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