Geral

O poder de observar e absorver

Em comemoração ao Dia Mundial do Compositor, o Jornal de Pomerode mostra o lado sensível e prático destes
profissionais que têm o dom de transformar o simples em poesia

15 de janeiro de 2015

Em um mundo de tantas variedades as ondas sonoras vibram ecoam em cada espaço vazio, em cada clave de sol, em cada linha pautada. De norte a sul, o globo terrestre está repleto de ritmos, compassos, estrofes e rimas. O que seria do mundo sem a canção? Sem a expressão de pessoas que têm a capacidade de transformar sentimentos, fatos ou histórias em melodia para nossos ouvidos? 

Em 15 de janeiro comemora-se o Dia Mundial do Compositor. Uma pequena homenagem a essas pessoas que tem o dom de fazer música e tornar a vida da gente mais alegre. Para lembrar a data o Jornal de Pomerode fez uma matéria especial com dois compositores da região, para contar um pouco do dia a dia dos nossos “arquitetos da música brasileira”.

Música em 30 minutos – Wilhian Jose diz que não se descobriu compositor. Prefere dizer que conta histórias do coração, com verdades e fundamentos, por meio da música. Sua primeira composição foi feita na época em que ainda cantava sob o pseudônimo de Rafa, na dupla Ruan e Rafa. Ele e o colega buscavam uma single, ou canção de trabalho, e decidiram se aventurar na composição. “Pegamos o violão e fizemos a música ‘Vem de vez’, que pouco tempo depois caiu na boca da galera. Foi o início de tantas outras que viriam a seguir”, lembra Wilhian.

Hoje em dia, aos 21 anos, tem cerca de 60 composições próprias e o tempo o ajudou a aprimorar cada vez mais o seu talento. “Busco sempre evoluir. No começo transformava tudo em música, mas hoje me preocupo mais com a qualidade do que com a quantidade”.

A inspiração vem das conversas que tem com Deus. Wilhian explica que é Ele quem ilumina seus pensamentos. Então começam a vir as histórias, as ideias, situações cotidianas próprias ou de amigos e a música sai naturalmente. O processo é bem rápido. Demora no máximo 30 minutos para fazer uma música. Não por uma preocupação com o tempo, mas pela clareza com que a música invade a mente do compositor, que a passa para o papel e grava em áudio.

Confiante de seu talento, o jovem compositor não encontra muitos desafios para exercer a profissão. Talvez a parte um pouco mais exigente do processo seja o desejo de evoluir constantemente, o que para ele não se trata de um grande desafio.
Além de compositor Wilhian é produtor musical. Está no ramo artístico há 6 anos. Já cantou , mas desistiu da carreira pois esse não era o seu “forte”. Destacou-se mesmo como arranjador e pelas boas ideias que tinha. “Sempre dava meus pitacos. Graças a Deus todas as músicas que estou produzindo estão indo pra boca da galera, e estão abrindo portas para novos trabalhos. Faço arranjos com o coração, porque de certa forma aquela música ou cd é o sonho do artista que me procura.

 

Então ele está dando o sonho dele em minhas mãos, e meu o sonho dele. Coloco no trabalho todo o amor que consigo pois, eu acho que a música, pra ser boa de verdade, além de tocar em rádios e emissoras de tv, tem que tocar principalmente o coração da pessoa que ouvir, e de certa forma marcar sua história”.

 

A rotina de um compositor cadeirante – Wilhian é cadeirante e sua rotina é um pouco diferente da maioria das pessoas. Ele acorda e logo após o café da manhã inicia os estudos musicais. Depois faz uma pequena reunião com os artistas que produz. Também compõe em parceria com alguns deles. E então vai para fisioterapia. Como não consegue dormir cedo, fica até tarde procurando temas, ouvindo músicas ou vendo filmes para obter mais informações e criar composições cada vez mais ricas.

 

A música no Brasil – O compositor fala também que hoje em dia existem editoras musicais que servem como mediadoras entre o compositor e os grandes produtores e que é possível crescer na profissão no Brasil. “Se um grande produtor gostar da canção ele grava, mas para isso acontecer o compositor precisa oferecer um bom material, com composições de qualidade para ficar conhecido no universo da música. O compositor também é artista e deve cuidar de sua imagem. Meu conselho é nunca desistir dos seus sonhos e fazer músicas com o que você considera como sua verdade. Faça com o coração e acredite.

 

 

Poeta romântico 


Max Bularque já compôs tantas músicas que até já perdeu a conta. Hoje com 50 anos recorda-se de sua infância como sendo um menino romântico que nasceu com o dom de escrever poemas. Não se lembra exatamente quando começou a compor, mas jamais esqueceu-se do sentimento inspirador. Fez suas primeiras músicas na adolescência e foram bem aceitas pelos amigos. Desde então passou a compor quando um tema lhe agradasse ou até mesmo sob encomenda. “Sai bem natural”, afirma. Já fez músicas para amigos e para músicos iniciantes, mas não tem certeza se todas elas foram gravadas.

O amor é um tema que não pode faltar em suas composições. As histórias cotidianas e também as experiências de vida são suas principais fontes de inspiração. “Compor vem da inspiração do momento. Para mim não existe desafios pois as músicas saem de dentro para fora. Tenho um sentimento muito gratificante quando finalizo uma música”.

 

Muitos em um – Além de compositor, Max é técnico em geografia e estatística e músico. Trabalha como funcionário público federal, na área de pesquisas sócio econômicas. Considera gratificante retratar a realidade do Brasil e gosta muito do que faz. No meio disso tudo ainda encontra tempo para escrever novas músicas ou trabalhar nas mais antigas que retira do fundo da gaveta, para lapida-las.

 

Oportunidades da profissão – Na opinião de Max existem ótimos compositores no Brasil, contudo as oportunidades estão relacionadas com o que o segmento está absorvendo. “É preciso considerar o que as pessoas estão querendo ouvir. Muitas canções são comerciais demais e sem conteúdo. Fazem somente um efeito rápido e desaparecem na mesma proporção”, justifica. Ele ainda acredita que o crescimento de um compositor deve ser aliado de diversos fatores. “Para crescer é preciso ter muita inspiração para boas composições. Além disso é fundamental ter organização, persistência e determinação. Outro fator importante é saber identificar e aproveitar as oportunidades que aparecem, pois num piscar de olhos a porta se abre e se fecha”. 

Max considera que o mercado para os compositores, hoje em dia, está mais aberto do que antigamente. “A facilidade para gravar canções e procurar canais de distribuição hoje é muito maior. Coisas boas sempre permanecem. As músicas são como páginas de um livro onde ficam registrados momentos e sentimentos ao longo do tempo”.

 

Conselhos aos iniciantes – Para quem pretende começar a compor, Max aconselha primeiramente que o aspirante conheça seus limites. “O dom de compor é um talento. A expressão por meio da música não é algo para todos, tem que deixar sair de dentro de si o que se sente e entende a respeito de um tema. É importante observar e absorver para desenvolver o seu talento. Mas tudo ao seu tempo”, finaliza Max.

 

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