Geral

O olfato do tubarão é igual ao dos outros peixes

Que os tubarões têm um olfato incrível, é verdade. Um pedaço de salmão em um aquário pode provar a velocidade com que eles sentem o cheiro quando este atinge a água. Mas será que eles realmente conseguem detectar uma gota de sangue em uma piscina olímpica, ou a mais de…

19 de outubro de 2010

Que os tubarões têm um olfato incrível, é verdade. Um pedaço de salmão em um aquário pode provar a velocidade com que eles sentem o cheiro quando este atinge a água. Mas será que eles realmente conseguem detectar uma gota de sangue em uma piscina olímpica, ou a mais de um quilômetro de distância do oceano, como a lenda popular sugere?

Essa lenda popular pode ter origens no medo que as pessoas sentem dessas criaturas ? será que se alguém fizer xixi ou sangrar no oceano, os tubarões vão encontrá-lo e fazer um lanchinho?

Já nos círculos científicos, essa fama do tubarão é baseada na sua anatomia. Ao contrário dos seres humanos, os tubarões têm aberturas separadas para respirar e cheirar. Brânquias nos lados de suas cabeças capturam oxigênio na água para que ele respire, enquanto duas narinas puxam a água para uma câmara nasal onde os aromas são detectados.

No tubarão, a quantidade de tecido nessa cavidade, dobrada sobre placas chamadas lamelas, é enorme em comparação a outros peixes. Por isso, os cientistas sempre acreditaram que eles teriam alguma vantagem na detecção de cheiros.

Tanta fama e tanta história mereciam uma confirmação ? ou, nesse caso, negação. Pesquisadores resolveram testar o mito, e descobriram que os tubarões não merecem sua reputação dos filmes, documentários e páginas de revistas científicas. Apesar do tubarão ter um olfato extremamente apurado, seu senso olfato não é melhor do que o de um peixe típico.

Para testar a hipótese, cinco diferentes espécies de elasmobranchii ? a subclasse científica que inclui os tubarões ? foram capturadas nas águas da costa da Flórida.

Cada espécie passou um tempo no tanque com equipamento ligado ao seu nariz: um tubo, que disponibilizou 20 tipos diferentes de aminoácidos, blocos de construção das proteínas que levam os tubarões às suas presas, e um eletrodo que media os impulsos elétricos na cavidade nasal dos tubarões gerados em resposta a odores.
Os resultados mostraram que, em média, os tubarões com mais área de superfície para cheirar não foram melhores na detecção de odores fracos do que os demais.

Mas especialistas dizem que a ?lenda? pode não ser de todo mentira. A ciência ainda deixa espaço para novas explorações. Por exemplo, os eletrodos usados no experimento somam toda a resposta elétrica de milhões de receptores olfativos de um cheiro.

Os pesquisadores podem tentar olhar mais atentamente para uma única célula ? algumas das quais podem ser especializadas na resposta a certos cheiros. Imagine um coral. Ele em si pode não ser muito alto, mas algumas vozes podem cantar mais alto do que outras.

Outra observação é que o estudo só trabalhou com tubarões costeiros. Será que o mesmo resultado se aplica aos tubarões que vivem em mar aberto, onde a concentração de odores é bem mais baixa?

Outros pesquisadores também já mostraram que animais aquáticos podem detectar concentrações extremamente pequenas de outros produtos químicos, e não só aminoácidos.

Apesar das dúvidas remanescentes, por enquanto, a única certeza é de que os tubarões podem cheirar uma gota de sangue em uma piscina de quintal, não em uma piscina olímpica.

Notícias relacionadas