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O mundo em suas mãos

Como diz o ditado futebolístico, toda boa equipe começa com um bom goleiro, a profissão mais ingrata do esporte tem um dia específico para a sua comemoração.

1 de junho de 2015

Como diz o ditado futebolístico, toda boa equipe começa com um bom goleiro. E neste contexto, a profissão mais ingrata do esporte tem um dia específico para a sua comemoração: dia 26 de abril.
Segundo o site Guia dos Curiosos, o Dia do Goleiro é comemorado em homenagem a Aílton Corrêa Arruda, o goleiro Manga, nascido no dia 26 de abril de 1937, sendo considerado, ainda hoje, um dos melhores goleiros da história. A data foi oficializada em 1976, mesmo porque um ano antes, o primeiro dia do goleiro foi proposto para ser comemorado em 14 de abril, porque naquela data, uma grande festa reuniu goleiros e ex-goleiros no Rio de Janeiro.
Grandes goleiros já passaram pelos gramados pomerodenses, mas há um que representa muito bem essa trajetória: Marcos Rahn, de 52 anos, pode não soar muito familiar, mas quando se fala em Max, a história muda. Durante muitos anos, este botafoguense fanático, morador do Wunderwald, deu sua contribuição ao futebol, atuando por diversas equipes. Mas o que a diferenciava dos outros era a sua extrema dedicação. No começo, eu não queria ser goleiro. Mas isso estava no sangue, afinal, meu pai, o saudoso Alex Rahn, também foi goleiro. Eu comecei com 15 anos no Vasquinho e quem me falou que eu tinha o pefil para atuar debaixo da meta foi o técnico Nego. À partir daquele momento, nascia a minha paixão por essa posição. Tanto que, a cada dia que passava, me adaptava mais à posição. Aliás, quem me treinava durante a semana era o meu irmão Marinho, pois eu sabia que precisava estar bem para jogar aos domingos, declara.
Max diz que o que o ajudava na sua boa condição eram exatamente estes treinos semanais. Nós tínhamos um campo nos fundos da casa da mãe, no qual íamos praticamente todos os dias. Eu lia revistas especializadas em futebol e lá havia treinamentos específicos para goleiros, que colocava em prática no nosso campo, junto com meu irmão. Não basta ser goleiro, tem que ter prazer em fazer isso, além do trabalho psicológico envolvido, pois você vive situações extremas durante um jogo. Com certeza, isso tudo foi fundamental para o meu crescimento dentro do futebol, ressalta.

Experiência profissional – Dois anos depois de ingressar no time do Wunderwald, Max teve uma experiência no futebol blumenauense, que considera a mais importante de sua vida. Aos 17 anos, fui campeão pelo juvenil do Olímpico. Um ano mais tarde, fui para o Palmeiras, antecessor do BEC. Treinei um mês no juvenil e, em dois meses, estava no elenco profissional. Tinha toda a estrutura à disposição e cheguei a disputar algumas partidas pelo Campeonato Catarinense, como reserva de Nilson, ex-Figueirense. No entanto, por motivos alheios à minha vontade, acabei me desligando. Eu me arrependo disso, pois sei que teria condições de crescer dentro do futebol profissional.
Depois dessa experiência, Max voltou ao futebol amador, ainda pelo Vasquinho, onde conquistou os títulos de 1986 e 1987. Neste último ano, a decisão foi contra o arquirrival Botafogo e neste jogo, o goleiro diz que realizou a defesa mais importante de sua vida. O jogo estava empatado por 0 a 0 e o Botafogo, atacando. Em determinado momento, a lançamento veio da ponta direita e o Carlito Beck pegou de primeira, da marca do pênalti. A bola iria no ângulo. Mas eu consegui realizar a defesa. Muitos dizem que eu não pulei, mas ‘voei nesta bola. No final, o Reinaldo fez o gol e nós conquistamos o bicampeonato. Eu ressalto esta defesa pela sua importância, porquê contribuiu diretamente com o nosso título, destaca.

Blumenau – O ano de 1988, marcou a ida de Max para o Serrinha, da Vila Itoupava. Neste período de três anos, foi campeão em uma oportunidade. Logo após, veio a oportunidade que o atleta esperava há muito tempo: atuar pelo Atlético Itoupava. Foram seis anos nesta equipe, onde conquistou três títulos. Segundo ele, dois destes foram marcantes. Logo no primeiro ano, disputamos o Torneio de Verão da LBF, campeonato de ótimo nível com equipes de ponta da região. Ganhamos a taça e foi muito importante porque, além de mim, mais três pomerodenses faziam parte do elenco: meu irmão Marinho, o zagueiro Amarildo e o atacante Bruno. A outra conquista aconteceu diante do meu ex-clube, o Serrinha. No primeiro jogo, perdemos na casa deles por 1 a 0. No jogo de volta, em casa a partida estava se arrastando para um empate, que daria o título a eles. Só que aos 47 minutos do segundo tempo, após cobrança de escanteio, o zagueiro Stits tentou dominar e a bola sobrou para Pico, que encheu o pé e fez o gol, para delírio do nosso torcedor. Na prorrogação, vencemos por 2 a 1 e conquistamos o campeonato.
Outra passagem presente na memória de Max não está relacionada a títulos, mas sim, à perda de um. Em outra oportunidade, o Atlético estava decidindo uma Copa RBS com o Faixa Azul. Na Vila, perdemos por 2 a 1 e precisaríamos vencer em Luiz Alves, o que seria muito difícil. No entanto, no tempo normal, devolvemos o placar e fomos para a prorrogação, na qual o empate era deles. Na segunda etapa, eu ainda defendi um pênalti, o que dava a esperança do título. Só que no último lance, nosso atacante recebeu a bola em cima da risca da pequena área e chutou para fora. Neste momento, o jogo terminou e eles foram campeões. Não me contive, sentei no meio campo e chorei, pois sabia que tinha feito a minha parte e vi o título escapar por entre os dedos. Mas o que mais me marcou foi ver a torcida adversária vindo me consolar. Imagens como essa ficarão para sempre na minha memória, até porque eu posso dizer que o Atlético é o clube que eu tenho as melhores recordações. Sou muito grato a todos, por tudo o que fizeram por mim. Sempre foi um sonho jogar no Atlético Itoupava e isso supriu a frustração de não ter continuado no profissional, conta o goleiro.

Sucesso e amigos – Max faz questão de afirmar que é um apaixonado pelo futebol e que dentro dele, principalmente no amador, alcançou tudo. Sou uma pessoa realizada no futebol amador. Em todas as equipes por qual atuei, Vasquinho, Botafogo, Primavera, 25 de Julho, Caramurú, Floresta, Cruz de Malta, Vitória, Aliança, Atlético, Serrinha, tenho certeza que deixei minha marca e fiz amigos. Muitos me dizem que eu fui um dos maiores goleiros que Pomerode teve nos últimos tempos. Isso é motivo de orgulho.
O esporte mais popular do Brasil é tão presente na vida de Max, que a sua filha, Patrícia, quase nasceu dentro de um campo. E no Dia do Goleiro. Quando minha filha nasceu, eu estava atuando. Minha esposa Marli sempre me acompanhava e, naquele dia, teve as contrações no meio do jogo. Tanto que nosso amigo, Arlindo Müller, a levou para a maternidade, pois eu estava jogando e não havia goleiro reserva. Passados alguns minutos, consegui arrumar alguém para me substituir e fui para a maternidade, de uniforme e tudo. Despois do nascimento, o time todo do Vasquinho foi nos visitar. Sou muito grato à minha família, que sempre me apoiou, nessa que é a minha paixão, conta, emocionado.

Na ativa – Mesmo já passando do meio século de vida, Max continua ativo, mostrando o seu talento nos campos da região. Minha última competição foi o Campeonato Municipal, há três anos, o qual eu atuei pelo Floresta. Mas hoje não me interesso em disputar campeonatos, quero me divertir e fazer amigos, jogando pelo simples prazer de jogar futebol. É bom ouvir das pessoas que elas gostam me ver jogando, com 50 anos, e numa boa forma.
Não se pode deixar de citar sua grande contribuição com o futebol veterano, principalmente com a equipe do Ribeirão Areia. Apesar de estar afastado, o atleta tem um carinho especial por aquela agremiação, que ajudou durante 10 anos. Apesar de estar um pouco magoado com certas situações ocorridas, sei que dei a minha contribuição. Comecei no Veteranos a convite do Lindolfo e tomei gosto pela coisa. A gente formou uma verdadeira família lá dentro. Sempre é um prazer reencontrar os amigos e fazer novos, e isso eu consegui fazer lá dentro. Após algum tempo, assumi o comando técnico da equipe, o que foi uma experiência nova para mim. Fiz tudo com muita alegria e desejo tudo de bom à equipe do Veteranos. As coisas passam, mas as amizades verdadeiras ficam. E isso é o que importa, diz.

Segredo – Quem já viu Max atuar, sabe que uma de suas grandes especialidade é pegar pênaltis. Tanto que relembrou de mais uma passagem. Um dos que me marcou aconteceu em uma final de Veteranos, entre Vitória e Kiferro. Durante a semana, eu tinha na minha mente que a decisão iria para os pênaltis e me preparei psicologicamente para isso. Na minha cabeça, eu tinha que defender o primeiro pênalti, para que conquistássemos o título. E foi o que exatamente aconteceu: agarrei o primeiro, que foi muito bem batido. Minha alegria foi imensa, pois mais uma vez, ajudei minha equipe a ser campeã.
O goleiro diz que é muito grato ao futebol e conta o seu segredo para sua longevidade. Um jogador precisa ser humilde, respeitar as pessoas e ser correto. Agradeço a Deus por nunca ter me machucado seriamente, pois procurei sempre me cuidar o máximo possível, quase que de forma profissional. O futebol me deu muitas alegrias e hoje sou uma pessoa realizada. Obrigado a todos os meus amigos que eu fiz durante todos esses anos e parabéns aos meus colegas goleiros, pela passagem do ‘nosso dia, finaliza.

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