O inventor
Jovem ex-morador de rua constrói carrinho com materiais do lixo para poder transportar filha de três anos
Um personagem tem despertado atenção quando passa pelas ruas de Pomerode. Ele é visto conduzindo uma bicicleta presa a um carrinho, nada convencional, no qual é possível ler os dizeres “Bebê a bordo”. A curiosidade para saber quem era a pessoa por trás do meio de transporte diferente, levou o Jornal de Pomerode até o inventor da engenhosidade.
Seu nome é Israel da Silva. Aos 29 anos, ele cuida sozinho da filha Vitória, de apenas três anos. Pai e filha foram abandonados pela mãe da pequena há mais de um ano. A necessidade de transportar a menina até creche e a falta de um veículo coberto, levou Israel a construir com suas próprias mãos o carrinho. Para a confecção, o pai foi obrigado a improvisar e utilizar materiais encontrados no lixo.
A estrutura é feita de madeira, conectada por um escapamento de carro à bicicleta. O assento é feito com uma bacia forrada com um tapete de carro e almofadas. As rodas vêm de um carrinho de mão e a cobertura é feita com uma espécie de lona.
Quando chove, Vitória está a salvo, mas Israel vai na frente debaixo de água e tudo. Para ele o importante é o bem estar da pequena. A invenção permite desde a ida ao trabalho até carregar as compras de casa e as idas à igreja. “Esse carrinho me salva em tudo, dependo cem por cento desta carrocinha”, conta.
Vitória fica na creche das 13h às 22h, período em que pai está no trabalho. Ambos atualmente dividem o aluguel de uma casa com mais um homem, pois a situação financeira de Israel não é das melhores. Ele está procurando um outro local para se mudar, pois afirma que na casa em que vive o ambiente não é saudável para uma criança. Mas o orçamento está dificultando. Israel só pode pagar até R$300 de aluguel. Eles também precisam de um guarda-roupas e de um botijão de gás.
Uma história que não deve se repetir – Israel não se importa em cuidar sozinho da filha. Ele diz que o amor que sente por ela é incondicional e essa é sua motivação para continuar lutando. Ele não quer que sua história se repita com Vitória. Israel nasceu no interior de São Paulo e nunca conheceu o pai. Foi levado muito pequeno para a Paraíba, mas quando tinha apenas nove anos sua mãe faleceu. Sozinho viveu na rua até os 24 anos. Para sobreviver, comeu comida do lixo e fazia pequenos trabalhos. A vida começou a melhorar quando decidiu vir para o Sul. Em 2010, foi morar em um albergue em Blumenau, e conheceu a jovem que seria mãe de sua filha. Foi por causa dela que o nome de Pomerode apareceu na vida de Israel. Mas no final de 2013 a jovem foi embora sem dizer nada e nunca mais deu notícias. “Sofri muito. Se eu estivesse sozinho não me importava em morar debaixo da ponte, mas tenho minha filha. Desejo o melhor para ela. Quero dar tudo o que meu pai não me deu”, desabafa. Agora Israel busca uma oportunidade para crescer e vislumbra um futuro mais próspero ao lado da pequena Vitória.