O filho da alegria
Em homenagem ao Dia dos Pais, filho de Biribinha conta como é a vida ao lado de um pai humorista
No palco, pai e filho trabalham juntos. Júnior é filho de Biribinha e nasceu no meio artístico. Por conta da profissão do pai já mudou de escola mais de 60 vezes, mas ele não se incomoda. Ama a profissão do pai e pretende segui-la. Ao saber de tal pretensão Biribinha olha com cara de desconfiança, mas não diz nada. Sua principal preocupação é conseguir criar o filho de modo que este faça a coisa certa. O querido palhaço pomerodense pode ser bem descontraído nos palcos, mas quando se trata do filho a conversa muda de figura, mas apesar de tudo, ele considera que ser pai é tudo de bom. Para contar essa história o Jornal de Pomerode entrevistou, Júnior, o filho de Biribinha.
Jornal de Pomerode – Como é ser filho do Biribinha?
Júnior – As pessoas acham que meu pai todo dia, a todo momento, vive o personagem do Biribinha, tal como é no palco. Pensam que ele faz graça com tudo, mas não. Fora do palco ele é também uma pessoa engraçada, mas na maioria do tempo ele é uma pessoa séria, que se preocupa comigo. É um pai normal. Admiro muito isso nele, porque ele sempre está cuidando.
Quando eu estudava ele estava em cima, cobrando e dizendo que para ser alguém na vida é preciso estudar. Para tudo é preciso estudo, para ser artista precisa, para qualquer coisa é necessário para ter o mínimo de ensino, senão a pessoa fica leiga e não vai saber fazer o que é preciso. Meu pai me ajuda na questão de horário. É preciso se organizar para fazer as coisas. O trabalho do circo só é visto de noite, mas estamos o dia inteiro em função dele. A tarde a gente arruma a luz, o som, para que tudo corra bem durante o espetáculo.
J.P. – Conte sobre sua rotina junto com o circo.
Júnior – Desde que nasci acompanhei eles. Mudava de cidade e de escola. Tinha sempre a rotina de estudar de manhã, me focava na escola. De tarde tirava um tempo para brincar, entrar na internet, fazer as tarefas do dia seguinte e a noite o foco era o espetáculo. Mudei de escola entre 60 e 70 vezes. Como não mudávamos para regiões muito afastadas, estávamos sempre no Vale do Itajaí, Alto Vale, eu já tinha os amigos certos e a gente sempre se reencontrava. Quando nos mudávamos para uma cidade nova era um pouco complicado. Mas pelo fato de ser ator, isso me facilitava no momento de me enturmar.
J.P. – Havia um tratamento diferenciado por você ser filho de um artista?
Júnior – O tratamento era normal, mas as pessoas tinham muita curiosidade sobre como é a nossa vida. Queriam saber se a gente tinha casa, se alugávamos quartos em hotéis. Mas na verdade a gente tem a nossa carreta que é mobiliada como se fosse um motorhome. É quase um apartamento mobiliado. É pequeno, mas temos todo o conforto que precisamos.
J.P. – O que pensa sobre a profissão de seu pai?
Júnior – Admiro muito. Todo mundo pensa que é uma profissão fácil, mas não é. Tem que batalhar bastante. É o dia inteiro. Acorda-se as seis horas da manhã e a função já começa. Tem que correr atrás das coisas. Ele sempre me fala para eu estudar fora para conhecer os dois lados. E ele quer que eu faça faculdade para isso, para conhecer os dois lados da moeda, para ver se é isso mesmo o que eu quero.
J.P. – Quais são os referenciais que você tem de seu pai?
Júnior – Tenho ele como palhaço. Admiro-o bastante. Acho ele um cômico muito engraçado, mas como pessoa ele é muito justo.
J.P. – Pensa em seguir a mesma carreira?
Júnior – Pretendo né (risos). Não sei se ele quer. No fundo acho que quer. Mas vou estudar fora, tentar a vida como ele quer que eu faça. Se eu gostar…mas acho que vou acabar ficando por aqui mesmo.
J.P. – Você também executa alguns trabalhos como dramaturgo. Como é isso?
Júnior – Gostava muito de ler as peças. Sempre estava lendo desde muito pequeno. Sabia de cor todos os textos. Gostava de ler os dramas e ver como escrevia. Uma vez eu assisti um filme e pensei que poderia trazer as referências desse filme para o palco. Então eu fiquei dois meses envolvido nisso. Lia as peças e imaginava como eu deveria escrever para tornar uma ação de determinada maneira e fui construindo meu texto. Acabei montando duas peças já.