O choro da natureza
12 de julho foi o dia do Engenheiro Florestal, elemento responsável em gerar forma de manejar e conservar as nossas matas, entre tantas outras atividades. Já em 13 do mesmo mês foi o dia do Engenheiro Sanitarista, que em conjunto com o engenheiro florestal, formam um par perfeito para preservar ou melhorar o nosso meio ambiente.
12 de julho foi o dia do Engenheiro Florestal, elemento responsável em gerar forma de manejar e conservar as nossas matas, entre tantas outras atividades. Já em 13 do mesmo mês foi o dia do Engenheiro Sanitarista, que em conjunto com o engenheiro florestal, formam um par perfeito para preservar ou melhorar o nosso meio ambiente. Depois disto, vem o dia 17 de julho dedicado à Proteção às Florestas. No rumo da preservação ambiental, o Brasil já faz sua caminhada há muitos anos, embora nem sempre seguido por alguns que insistem em destruir nossas matas.
Autoridades ambientais têm feito sua parte na fiscalização, coibindo e punindo quem tenta permanecer nos moldes nefastos de um passado sem escrúpulo detonando aquilo que não tiveram trabalho de plantar.
Colher o que a natureza criou e que levou séculos para chegar a uma fase adulta é muito fácil. Difícil é querer trabalhar com sustentabilidade, consciência de preservação e parceria com os órgãos de preservação ambiental. Mas se fazer isto dá trabalho, também dá a certeza de que, em breve, estes mesmos desmatadores poderão colher, dentro da legalidade e parceria, os frutos de uma floresta que surgiu de suas próprias mãos e que isto poderá se repetir por tantas vezes quanto houver reflorestamentos. É plantar, colher, plantar novamente para colher de novo, tornando este ciclo um vício salutar, mantendo a mata nativa quieta em seu canto, fazendo a sua parte no ciclo da natureza.
Mas nem sempre é isto que se vê.
Os órgãos de fiscalização ambiental estão cada vez mais atuantes, mantendo sobre os madeireiros, um dos principais destruidores da natureza, os punhos das leis bem cerrados sobre seus ombros. Alguns madeireiros chegam ter vultosos prejuízos com apreensão de seus caminhões e, até mesmo, carretas carregadas com madeiras oriundas de áreas protegidas. Algumas destas madeiras já beneficiadas. Outros podem ir mais longe com a apreensão, também, de tratores de grande porte e máquinas de serrarias, além do embargo de suas terras. Multas que em alguns casos chegam a alguns milhões de reais não são raras.
Os órgãos ambientais cada vez mais estão se especializando na detecção de crimes contra a natureza. Enquanto os madeireiros e grande pecuaristas ainda se utilizam de motosserras e tratores arrastando os famigerados correntões, as autoridades utilizam imagens de satélites rastreadores de desmatamentos e queimadas. O monitoramento se faz, também, com helicópteros, dando facilidade e agilidade aos fiscais ambientais para chegarem a tempo no local mostrado na tela do computador.
A extração de madeira em área de manejo permite que se tenha controle sobre a derrubada. A utilização de equipamentos e procedimentos permitidos reduz o estrago feito pelos correntões puxados por enormes e potentes tratores. Embora estes correntões sejam utilizados mais em terras que serão destinadas a pastos, eles são combatidos e, quando pegos pelos fiscais, são apreendidos junto com os tratores que os arrastam e presos os envolvidos. Alguns destes correntões são tão pesados e grandes que cada um de seus elos podem ter a dimensão maior que o pé de um homem adulto e pesar próximo de cinco quilos. A passagem destes correntões põem em risco a vida de pequenos animais. É comum fiscais flagrarem homens sangrando a terra com este recurso e encontrarem tatus, lagartos e outros animais de pequeno porte mortos, ninhos destruídos fenecendo ovos, filhotes e mães de aves. Muitas destas aves mortas são consideradas em extinção.
Mas nem somente os correntões são os vilões do desmatamento desordenado. As motosserras, também, têm a sua parcela de culpa.
A derrubada de grandes árvores não certificadas e fora da área de manejo são feitas com estas máquinas infernais. Quando uma árvore nativa é escolhida para o sacrifício, o madeireiro não se preocupa que em sua volta estão outras tantas que não lhe interessa, sem valor comercial, mas valorosa para a preservação da mata. Ao derrubar a árvore alvo de seu interesse, o seu tombo carrega consigo tudo que se encontra próximo e à sua frente, ou seja, derruba-se uma árvore e destrói várias outras que não serão utilizadas. Estas árvores destruídas serão substituídas pelo processo normal da natureza, mas levará centenas de anos para que esta ferida cicatrize, lembrando que, em muitos casos, no alto de algumas destas árvores estão alojados ninhos de araras ou até mesmo da famosa Harpia, conhecido como Gavião Real.
As queimadas são, também, eficazes na destruição da mata. Aplicado na limpeza de áreas que serão utilizadas para pastagens, o fogo avança sem dó e nem piedade sobre a vegetação seca, se alastrando sem qualquer controle sobre onde não deveria estar.
Os órgãos controladores ambientais gastam fortunas combatendo a prática da queimada que envolve uma logística complicada para debelar o que começou com uma pequena chama criminosa.
A devastação feita por onde o fogo passa leva junto tantas vidas quanto os correntões ou a motosserra. Na maioria das vezes, ninhos instalados no alto das árvores são abandonados pelas aves mães, ficando seus ovos ou filhotes indefesos à mercê da sanha avassaladora da fumaça densa provocada pelo fogo que queima a vários quilômetros de distância e que é espalhada pelo vento. É uma destruição em cadeia.
Estuda-se penas mais rigorosas para crimes ambientais, mas enquanto estas leis não chegam, as existentes deixam espaços para recursos, dando chance de liberdade a praticantes de crimes contra a flora e fauna, incluindo nós, animais ditos como racionais.
Conscientização do cidadão comum, também, deve fazer parte do programa de preservação da natureza. É preciso que todos tomem uma posição em ajudar a natureza a se manter intacta. Agindo assim, todos seremos beneficiados. – Texto: Valderimar Teixeira