Educação

O carrinho elétrico que ganhou vida na Escola Amadeu da Luz

Começado anos atrás e retomado por novas turmas, o projeto chega ao 8º ano B, que agora busca finalizar o motor, a bateria e os módulos para exibir o resultado na FEBIC.

7 de fevereiro de 2026

Foto: Isadora Brehmer / JP

O projeto de construção de um carrinho elétrico, atualmente conduzido pelos estudantes do 8º ano B da Escola Básica Municipal Doutor Amadeu da Luz, teve início entre 2018 e 2019.

A primeira ideia surgiu quando um aluno do sexto ano perguntou ao professor de Ciências, Marcos Wegher, se seria possível montar um carrinho. “Ele queria construir um carrinho de rolimã. A partir da conversa, surgiu a proposta de transformar o modelo em um carrinho elétrico”, explica o professor.

Wegher conta que já possuía um painel solar, mas o equipamento não seria suficiente para alimentar todo o sistema. A partir disso, surgiu a decisão de projetar um carrinho maior. “Montamos os grupos e começamos pela parte teórica. Depois veio a pandemia, e o projeto só foi retomado quando um nono ano assumiu a montagem da estrutura”, relata.

Essa turma ficou responsável por construir o esqueleto do veículo, mas ainda faltavam o painel solar, o motor e a bateria. No ano seguinte, o trabalho foi transferido ao 8º ano B, que passou a desenvolver a fase final. Os estudantes se dividiram em frentes de atuação, entre solda, pintura, lixação e registro para apresentação, com foco na preparação do projeto para ser levado à FEBIC (Feira Brasileira de Iniciação Científica).

O Projeto do carrinho elétrico da Escola Amadeu da Luz também recebeu como doação do Sr. Márcio Fuchter um painel solar para dar andamento à iniciativa.

Atualmente, o carrinho está cerca de 90% concluído. “Falta a bateria, os módulos que façam a transformação da energia solar e o motor definitivo”, detalha Wegher. A meta do grupo é finalizar todas as etapas até a metade de março do próximo ano, dentro do primeiro trimestre letivo.

O professor destaca que o projeto permite aproximar conteúdos da sala de aula da prática. “Conseguimos trabalhar trigonometria, conceitos de física, química e mecânica. Também é possível desenvolver trabalho em equipe, respeito e organização”, afirma.

Painel de energia solar foi doado ao projeto. (Foto: Divulgação)

 

Para os alunos, a experiência trouxe descobertas e desafios. Dandara Domingos conta que o grupo não imaginava a quantidade de tarefas que ainda precisariam ser realizadas. “Quando recebemos o carrinho, ele estava sujo. A primeira coisa foi limpar, tirar fotos e montar os slides. Ver os conteúdos de mecânica sendo aplicados na prática faz diferença no aprendizado”, comenta.

Dandara também destaca a mudança de rotina proporcionada pelo projeto. “A maioria das aulas é dentro da sala. Quando vamos trabalhar no carrinho, o ambiente é outro, a dinâmica é diferente, e isso motiva.”

Andrey Evangelista, que tem dois irmãos mecânicos, afirma que a etapa prática foi a mais interessante. “Gosto de desmontar e montar. Poder mexer na estrutura e compartilhar o que eu sei com os colegas é o que mais aproveitei. Mesmo assim, a parte mais desafiadora foi o trabalho coletivo. Às vezes tem gente que não quer participar, e isso dificulta. Mas a gente tenta envolver todo mundo.”

A busca por componentes também exigiu esforço. A turma enfrentou dificuldades para conseguir o painel solar, até receber a notícia de que o pai de uma colega poderia fazer a doação. “Foi um momento importante. Todos ficaram satisfeitos quando souberam que teríamos o painel”, lembra Andrey.

Agora, o grupo ainda precisa de uma bateria de pelo menos 100 amperes, do motor definitivo, já testado provisoriamente com um motor de parafusadeira, e dos módulos reguladores responsáveis por estabilizar e transformar a energia vinda do painel solar. “Estamos buscando esses itens com a comunidade”, afirma o professor.

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O objetivo final é apresentar o projeto na FEBIC no próximo ano e, depois, deixá-lo como recurso pedagógico permanente da escola. A intenção é que o carrinho seja utilizado por turmas futuras, ampliando as possibilidades de aulas práticas e atividades externas. “Queremos que seja algo útil para quem está concluindo o ensino fundamental e para quem está chegando na escola”, completa Wegher.

A turma responsável pelo trabalho é formada por 32 alunos, que seguem empenhados em concluir as últimas etapas e preparar o carrinho para os testes finais.

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