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O artista e operário Juarez Machado

Consagrado no Rio, depois em Paris, de onde ganhou o mundo, seria natural que ele esquecesse a sua Joinville.

1 de junho de 2015

Consagrado no Rio, depois em Paris, de onde ganhou o mundo, seria natural que ele esquecesse a sua Joinville. No entanto, a verdade é que ele vive Joinville a cada hora e cada instante. Em tudo o que ele pinta há alguma coisa – uma rua, uma casa, uma pessoa, uma paisagem de Joinville. Como El Greco, que reproduzia um mesmo rosto em cada tela, em cada obra juarezina há um sinal da sua terra natal.
Em uma de suas frequentes visitas a Joinville, pedi que fizesse a obra. Ele ficou encantado, mais do que isso, empolgado! Na viagem de volta para Paris já foi ruminando ideias. Ao chegar ao Charles De Gaulle, já tinha um esboço do painel rabiscado. Dois dias depois, a obra já estava pré-concebida e ele trabalhava nela dia e noite!
Prestes a descerrar o pano que encobria o protótipo final da obra, ele perguntou: “O que eu deveria colocar no mural de uma obra que vai servir para música, dança, acrobacia, canto, comédia, drama e esporte?”. E respondeu ao mesmo tempo em que descia o pano: “O circo, é claro. Foi lá que começou tudo isso!”.
Num casamento, em Florianópolis, fiz um desafio ao Cesinha e a Valério Gomes, dirigentes da extraordinária cerâmica Portobello. E eles toparam transplantar para azulejos a obra do Juarez e doar a Joinville o mural em cerâmica.
Juarez simboliza, sincroniza, interpreta, imprime, exprime Joinville. E faz isso como um grande operário do pincel, que trabalha, todo santo dia, das 6h30 até 22 horas.

Luiz Henrique da Silveira Senador da República

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