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O aprendizado nas pistas

Não somente na corrida das pistas, mas também da vida, o técnico de atletismo Carlos César Morastoni conta sua trajetória e envolvimento com o esporte.

10 de maio de 2010

“A emoção do técnico é a do atleta”. Esta foi uma das considerações que o professor Carlos César Morastoni, 44 anos, fez acerca do seu envolvimento com o atletismo. Natural de Rodeio, tem sua vida focada em Timbó e já trilhou vários caminhos nas pistas. São 19 anos de uma atuação à frente dos atletas, vivenciando cada conquista, cada derrota, cada competição, não apenas com o desempenho físico, mas, o emocional. “Precisamos ver o atleta como um ser humano, acima de tudo”, ainda pontuou. Confira a entrevista nas próximas páginas.

Conte um pouco sobre sua trajetória esportiva. Como e quando começou a paixão pelo atletismo? Por quais provas competiu?
Em minha juventude, almejei vários pontos profissionais. A Agronomia estava entre as opções. Acabei escolhendo a Educação Física pela facilidade na região e pelo envolvimento esportivo que já tinha. Como atleta, me destaquei como maratonista, participando em competições. Foi em 1991 que iniciei minha carreira como técnico, em Timbó, já formado em Educação Física. No dia 02 de maio deste ano, completo 19 anos de trajetória como técnico.
Uma ênfase foi dada à marcha atlética em Timbó pelo desempenho dos atletas, mas sempre trabalhamos todas as provas que envolvem o atletismo. O trabalho já havia sido iniciado pelos professores Wilmar Vailatti e Geraldino Moser. Cada um representava a sua importância dentro do atletismo timboense. Já tínhamos o espírito esportivo e a ânsia da vitória era repassada aos atletas.
Quais foram suas principais conquistas no atletismo?
Todas as conquistas têm o seu valor, independente da competição. Os Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc), por exemplo, são o nível máximo estadual e os atletas dão o melhor de si. Isso acontece em qualquer campeonato. Já recebemos vários convites para participar de Campeonatos Sul-Americanos e Mundiais. A primeira convocação para a Seleção Brasileira foi bastante marcante.
Acompanhamos a formação dos atletas em todas as competições, seja em âmbito regional, estadual, nacional, pan-americano ou mundial. Cada um representa a sua importância. Chegar ao nível olímpico é uma chance de um em cada um milhão de pessoas. O desempenho de José Alessandro Bagio e Alessandra Picagevicz foi bastante gratificante por terem alcançado esse patamar. A atleta Rosemar Piazza também começou a treinar comigo em 1992 e já tinha vários títulos a âmbito nacional.
Em toda trajetória, há dificuldades. Quais foram as principais enfrentadas?
As dificuldades existem. Isso faz parte da luta, até para valorizarmos mais as questões enfrentadas. Quando você melhora, sempre vai querer mais. Aprendemos constantemente. O que sabemos é uma gota no oceano e o que precisamos aprender é o oceano. O patrocínio se inclui nisso. O atletismo é um esporte que está muito próximo do povo, mas ainda precisamos evoluir.

Em relação às escolinhas de atletismo, como avalia este envolvimento das crianças com o esporte desde cedo?
O objetivo é oportunizar o esporte ao maior número de crianças possível. Os atletas que temos hoje não surgiram do nada. A palavra mágica é a oportunidade. É através disso que as coisas acontecem. Quanto mais oportunidades proporcionarmos, mais chances temos de resultados, não só em competições. É preciso usar o esporte como um meio e, através dele, educar a sociedade.
Para alcançar essa questão, desenvolvemos um projeto que abrange o esporte aliado à educação. Inicialmente, as crianças participariam de um curso de informática. Num segundo ponto vem a formação profissional e no terceiro nível, no caso do Ensino Superior, poderia ser oferecido o estudo aos atletas e em compensação, eles dariam horas de trabalho voluntário à sociedade. Independente de ter uma continuação ou não no esporte, proporcionaríamos uma formação integral ao indivíduo. É isso que os pais almejam. Volto a destacar que é preciso usar o esporte como um meio e não como um fim. Os professores de Educação Física estão incumbidos, principalmente nas escolas, de formar uma sociedade melhor.

Atualmente, qual é a sua rotina esportiva? Como você concilia o esporte com a família?
Além de ser treinador, sou professor no curso de Educação Física da Uniasselvi. No atletismo de Timbó, eu e o Vailatti trabalhamos mais na pista, com o esporte de rendimento. Já o Everaldo Ferrari, Daniel Voigt e Geraldino Moser trabalham com as categorias de base. Cada um com a sua importância dentro do contexto geral. A profissão é uma vocação.
Quem mais sofre é a família. Nos finais de semanas, temos competições e deixamos tudo de lado. Gosto da área e isso faz a diferença. Tenho uma filha de 14 anos que também está ingressando no atletismo.

Vários momentos marcantes são vivenciados durante competições, treinos, vitórias, derrotas. Mas há sempre aqueles que não se esquece. Relate alguns.
A emoção do técnico é a do atleta. É marcante ver a pista cheia de crianças se engajando na modalidade. As lágrimas caem sim. O esforço é notável. Não há só a emoção da conquista, mas da derrota. O atleta não é só feito de músculos e ossos, mas também de sentimentos. Ele não vive somente na pista. Precisamos ver o atleta como um ser humano, acima de tudo.

Como você define um esportista de atletismo? Quais são as características fundamentais?
Em 1º lugar, a persistência. O atleta é muito lutador, batalhador, sonhador. É preciso acreditar sempre.

Quando um atleta sobe ao pódio, várias situações foram vivenciadas para chegar lá. Quais são os principais ingredientes para o sucesso de uma trajetória esportiva?
A disciplina é muito importante. É preciso ter muita disciplina. Isso faz a diferença, pois o esporte é muito abrangente.

Como você avalia o atletismo no cenário local, estadual e nacional? Há uma consolidação?
Ainda precisamos evoluir, mas tudo começa na escola. Temos uma história boa e resultados também. Mas muita coisa ainda precisa ser feita. A organização acerca do atletismo é boa, mas precisamos buscar mais apoio. Formar o atleta como um ser humano é fundamental.

O que o esporte representa em sua vida?
Amo o que faço. Busco uma satisfação pessoal e sinto-me bem e motivado a fazer esporte. Se cada um conseguisse se realizar na sua profissão, o mundo seria melhor. O esporte é um meio positivo. Se fosse para fazer tudo novamente, eu o faria.

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