O ano que nunca esqueceremos
Especial do Jornal de Pomerode relembra histórias e conversa com personagens que vivenciaram uma das maiores catástrofes do Vale do Itajaí. Em Pomerode, alguns bairros sofreram com os deslizamentos e a cheia do Rio do Testo, que transbordou em algumas partes da cidade, alagando estas áreas
Novembro de 2008. O décimo primeiro mês daquele ano está na memória de muitos catarinenses, que vivenciaram uma das maiores catástrofes climáticas que o Estado já registrou em toda sua existência. A chuva, que atingiu, principalmente, o Vale do Itajaí, afetou mais de 1,5 milhão de pessoas, em toda Santa Catarina, deixando mais de 5.500 desabrigados e 135 mortos.
Em Pomerode, alguns bairros sofreram com os deslizamentos e a cheia do Rio do Testo, que transbordou em algumas partes da cidade, alagando estas áreas. Os bairros mais afetados, como Testo Central, Ribeirão Clara e Luebke e Pomerode Fundos, registraram desbarrancamentos e alagamentos, sendo contabilizadas três mortes.
O Jornal de Pomerode, após 10 anos da enchente, visitou os locais que ficaram marcados naquela ocasião. A primeira parada é em Testo Central. Lá, a situação se agravou nos dias 22 e 23 novembro, datas nas quais a chuva se intensificou, sendo o fator chave da catástrofe que atingiu toda Santa Catarina. No bairro, o Rio do Testo, que estava com alto nível de água, transbordou na rodovia SC-421, que liga Pomerode a Blumenau e passa pela localidade.
O Estádio Hermann Koch e o Clube Cultural e Recreativo e Esportivo Testo Central, que estão no mesmo local, ficaram debaixo d’água. Outros pontos de alagamento ao longo da rodovia, no sentido Pomerode, eram vistos com facilidade. Tanto que, as fortes chuvas e os transtornos causados, fizeram com que os Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc), que seriam realizados nas cidades de Pomerode, Rio dos Cedros, Indaial e Timbó, fossem cancelados.
Mas, a primeira grande tragédia aconteceu na madrugada de domingo, dia 23. Neste dia, Pomerode registrava o primeiro óbito em função de um deslizamento, que destruiu parcialmente uma casa, também localizada às margens da SC-421. O morro que ficava atrás da residência, estava com o solo totalmente úmido fazendo com que o fragilizasse, veio abaixo com muita força, derrubando o que havia pela sua frente. A quantidade de terra que desceu foi o suficiente para destruir parte de uma casa, soterrando um idoso que estava na residência na hora do deslizamento, além de derrubar um ponto de ônibus da rodovia e interditá-la totalmente.
Saindo de Testo Central, vamos para a região do Ribeirão Souto, bairro que também foi bastante prejudicado pela grande catástrofe. Na divisa entre Pomerode e Timbó, uma residência foi completamente destruída em função de mais um deslizamento que foi sido registrado, na madrugada do dia 24. A terra que desceu do morro acabou soterrando um casal, que também veio à óbito. A quantidade de terra que desceu foi tão grande, que os corpos foram encontrados quase uma semana depois do ocorrido.
Ademar Marquardt, o popular Maluzinho, estava na Sociedade de Defesa Civil (Sodeci) e era fiscal de obras, naquela ocasião. Porém, nos dias 22 e 23, onde a situação era mais crítica, Maluzinho esteve no local para prestar o auxílio ao Corpo de Bombeiros Militar de Blumenau e Voluntários de Pomerode.
“Nós trabalhamos muito nessa ocorrência. Por alguns pontos estarem interditados em Timbó, o Corpo de Bombeiros de lá não tinha condições de chegar até o local. Quando chegamos, parecia um cenário de guerra, pois haviam muitos destroços da residência e animais mortos. Nós auxiliamos no resgate desses corpos e ficamos quase uma semana para tirar as vítimas soterradas, algo que nunca vou esquecer, pela grandiosidade da tragédia”, comenta.
Outro ponto em que também houve um grande deslizamento, mas que não houve vítimas fatais, foi na rua Ivo Ringenberg, também no Ribeirão Souto. Na página 15, você poderá saber mais sobre esse caso, com todos os detalhes e entrevista com o casal proprietário de uma das casas que foram destruídas, naquele dia.
Pomerode Fundos teve pontos de queda de barreira. Na rua Frederico Weege e na SC-110, que faz a divisa entre Pomerode e Timbó, deslizamentos interditaram totalmente as vias. Com isso, quem queria atravessar a divisa ficou impossibilitado por mais de três dias. A estrada só foi liberada quando a chuva diminuiu, o que possibilitou a retirada da terra que havia invadido a pista.
Quem vinha de Blumenau para Pomerode ou quem queria sair de nossa cidade e ir até território blumenauense, também encontrou dificuldades. Afinal, uma parte da SC-421, já próxima do Trevo do Badenfurt, apresentava alagamentos, deixando o trânsito mais lento.
A Serra entre Pomerode e Jaraguá do Sul, também registrou deslizamentos que deixaram o trânsito interditado por vários dias. Por lá, foram notificados três pontos de queda de barreira.
Na próxima edição, o especial continua com explicações de especialistas sobre a chuva que caiu em nossa região e uma entrevista com o coronel Carlos Menestrina, que estava sob o comando do Corpo de Bombeiros Militar de Blumenau.